O presidente Lula (PT) lidera a pesquisa Quaest para presidente entre eleitores do Ceará com 55% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro (PL) tem 22%.
Há 45% dos eleitores que defendem que o próximo governador seja aliado de Lula, enquanto 34% preferem um independente. Há 16% que são favoráveis a um apoiador de Jair Bolsonaro.
Os favoráveis ao alinhamento com o petista oscilaram dois pontos para cima, de 43% para 45%. Os defensores de um bolsonarista oscilaram para baixo, de 18% para 16%. Os simpáticos a um independente ficaram em estáveis 34%.
São dados que indicam potencial de crescimento para o governador Elmano de Freitas (PT), dez pontos atrás de Ciro Gomes (PSDB) na mesma pesquisa.
Se todos que defendem um aliado de Lula no Governo do Estado votarem nele, ele terá percentual superior ao de Ciro. Porém, há defecções nessa frente, puxada por um dos irmãos Ferreira Gomes, Ivo Gomes (PSB), e pelo coordenador do plano de governo, Mauro Filho (União Brasil), vice-líder do governo Lula no Congresso Nacional.
Na pesquisa espontânea, Lula tem 33%, o percentual que Elmano obtém nas intenções de voto estimuladas para governador.
Porém, talvez a pior notícia da pesquisa Quaest para o governador esteja nos números dessa influência de Lula.
O efeito que Lula ainda não teve para Elmano
De abril para cá, o percentual dos que identificam o atual governador como candidato de Lula no Ceará subiu de 30% para 51%. Os que não sabem ainda são muitos, mas caíram de 58% para 47%. Os que associam Ciro ao apoio de Lula oscilaram de 1% para 2%.
No mesmo período, os que acham que Ciro é o candidato de Bolsonaro passaram de 11% para 20%. Os que não sabem foram de 82% para 72%. O apoio ao tucano tem as bênçãos de Flávio e Jair Bolsonaro, mas não há apoio público dos dois. O PL está com Ciro, que rejeita apoiar Flávio para presidente.
O fato é que, desde abril, muito mais gente passou a saber que Elmano é o candidato de Lula e mais eleitores passaram a associar Ciro a Bolsonaro. E, nas intenções de voto para governador, não aconteceu nada.
Em abril, em cenário praticamente igual ao atual, a diferença era de 9 pontos e agora é de 10 pontos.
O voto de esquerda
Entre os que se declaram lulistas, 31% estão com Ciro. Os que declaram voto em Elmano são 58%. Na esquerda não-lulista, Ciro vai pior, com 22%. Elmano tem 53% e o índice de indecisos é de 15% (fica em 7% entre lulistas). Brancos, nulos e os que não votam são o dobro, 6% frente a 3% do outro recorte.
Independentes
Os eleitores que se consideram independentes dão 44% ao tucano e 24% ao petista. Indecisos são 14%. Brancos, nulos e não-votos são 11%.
Direita
Na direita, Ciro tem maior penetração entre os bolsonaristas — 72%. Entre os não bolsonaristas, fica com 62%.
Em ambos os recortes conservadores, Elmano fica com 4%.
Os indecisos são 16% entre não-bolsonaristas e 8% entre bolsonaristas.
Brancos, nulos e os que não votam são, respectivamente, 10% e 4%.
Associação a Lula
Claro, em 2022, a associação entre Lula e Elmano demorou a ser feita. Será o grande trabalho da campanha. Não à toa, até a data da convenção mudaram para receber Lula, na próxima sexta-feira, 31.
Todavia, Elmano não é mais desconhecido. É governador. E as pessoas sabem que ele é aliado de Lula, embora seja diferente quando fazem campanha juntos. Nesse sentido, quanto mais quente a eleição presidencial, melhor para Elmano.
Do outro lado, porém, a oposição aposta que Ciro tem tamanho de personagem nacional, quatro vezes candidato a presidente, em três delas o mais votado pelos cearenses. Com isso, a aposta é que o fator nacional tenha menor impacto.
O percentual favorável a um governador alinhado ao bolsonarismo explica a razão de Ciro Gomes rejeitar apoio a Flávio Bolsonaro — além do histórico do tucano de oposição à família. Tampouco sei se ele se considera independente. Parece-me que a postura ao longo deste governo, e a relação geral com o PT de 2018 para cá, o colocam na oposição. ÉRICO FIRMO/ O POVO


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