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sexta-feira, 24 de julho de 2026

LI E GOSTEI: NÃO HÁ CID SEM CIRO

Por ipuemfoco   Postado  sexta-feira, julho 24, 2026   Sem Comentários


Muita gente achou que o racha de 2022 poderia ser encenação. Mas não. 


A briga foi feia, teve dedo na cara. Cid Gomes se recolheu. Ficou na serra, fugiu das luzes. A penumbra, se lhe tira os holofotes, também o ajuda no trato da enxaqueca, que vez por outra o acomete.


A dor de cabeça maior foi ver o plano de voltar como El Cid para reunir os exércitos cristãos e muçulmanos contra a horda bárbara bolsonarista capitaneada por Wagner. Elmano venceu no primeiro turno. E tudo ficou embaçado como numa manhã enevoada da Meruoca.


Os irmãos se apartaram. Ciro passou a reorganizar as tropas na oposição, lambendo as feridas de uma batalha dolorida em que foi vitimado pela polarização nacional.


Enquanto isso, Camilo engrossou o pescoço e começou a sufocar os espaços do antigo aliado, riscando no chão com giz o limite de atuação de Cid.


No movimento migratório do PDT para o PSB, Cid foi baleado. Camilo capturou Evandro Leitão, filiou-o ao PT e o fez prefeito. Tentou até emplacar o concunhado Fernando Santana na presidência da Alece. Cid percebeu a jogada e rodou a baiana. Blefou ao ensaiar um rompimento, conseguindo emplacar Aldigueri.


Em seguida, negociou com Júnior Mano, que virou o menino prodígio da política cearense. Quase neófito, fez com que mais de 30 prefeituras passassem a orbitar ao seu redor. Teve a garantia de Cid: traga seu caminhão de votos para cá, e te garanto a vaga ao Senado.


Camilo fez finca-pé na resistência a Mano. Menos pelo nome, mais pela força que emergiria com a união dos dois.


Se Ciro não fosse candidato ao Governo, a reeleição de Elmano caminharia para ser tratada como mera formalidade. Sem risco eleitoral, Camilo não precisaria fazer concessões. Cid seria apenas mais um aliado.


Foi Ciro quem valorizou novamente o passe do irmão.


De repente, todos passaram a precisar de Cid, que percebeu isso e os fez reféns de sua estratégia. Transformou a palavra empenhada a Júnior Mano em ativo político.


A ironia da política é extraordinária. Camilo passou os últimos anos reduzindo os espaços de Cid. Agora pode ser obrigado a devolver boa parte deles para conseguir exatamente aquilo que deseja: Cid candidato ao Senado, para evitar uma derrota para outro Ferreira Gomes.


Ciro talvez tenha prestado ao irmão mais um serviço que poucos perceberam. Sem mover uma peça diretamente em favor de Cid, obrigou todo o tabuleiro político a voltar os olhos para ele.


Não há Cid sem Ciro.


Mas se o senador esquecer quem valorizou seu passe e, principalmente, a palavra empenhada a Júnior Mano, também não haverá Cid sincero. LUCIANO CLÉVER


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