Corria o mês de novembro de 2024 quando o senador Cid Gomes (PSB) anunciou rompimento com o governo de
Elmano de Freitas (PT) e o grupo do então ministro Camilo Santana (PT).A queixa era sobretudo pela concentração de poder atribuída ao partido do chefe do Estado, que havia acabado de indicar Fernando Santana (PT) como presidente da Assembleia Legislativa (Alece) - sem aval de Cid -, depois de eleger Evandro Leitão (PT) como prefeito de Fortaleza.
Naquele momento, o Ferreira Gomes entendeu que tinha de recompor seu campo se não quisesse perder totalmente a relevância política no Ceará. Para tanto, fez alguns movimentos importantes nos dois últimos anos.
O primeiro foi traçar uma risca no chão ao rejeitar o nome avalizado pelo Governo para comandar a Alece - em lugar de Santana, como um "tertius", acabou se beneficiando Romeu Aldigueri (PSB), que não tinha a predileção nem de Elmano nem de Cid, mas foi a quem coube capitanear o Legislativo.
O segundo movimento foi a aliança estratégica com o deputado federal Júnior Mano (PSB) e seus quarenta prefeitos, que lhe restituíram alguma capilaridade após o esvaziamento do PDT.
Por fim, Cid soube aproveitar uma situação da qual vem extraindo ganho involuntário: a entrada de Ciro Gomes (PSDB) como concorrente à sucessão de Elmano. Sem querer, o tucano cacifou o irmão na mesa de negociação com o bloco palaciano, concedendo-lhe um poder de fogo que Cid tinha perdido desde que Camilo se autonomizara como liderança, agora até nacional.
Novo momento
E o que se vê hoje em relação ao senador do PSB? A partir desse tripé, Cid apresenta maior capacidade de articulação, estabelecendo as condições que lhe são mais favoráveis para aceitar postular o cargo de senador novamente.
Entre elas, estão a indicação da suplência e a ocupação da presidência da Assembleia, cadeira da qual não abre mão, sob a justificativa de que o PSB é - e continuará sendo - a maior bancada da Casa.
Tal como em 2024, o ex-governador não aceita que a Alece mude de gerência, tampouco que o governismo deixe de compensar Júnior Mano por barrá-lo da candidatura ao Senado, como desejava Cid.
Por ora, no entanto, parte das demandas do pessebista está em rota de colisão com as diretrizes de Camilo, para quem a chapa majoritária não pode acomodar um quadro cuja presença poderia atrapalhar os planos de reeleição de Elmano.
Daí que, no atual momento, Cid e Camilo estejam pessoalmente afastados - quando um submerge, o outro torna-se mais ativo, e vice-versa. HENRIQUE ARAÚJO/O POVO


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