As eleições deste ano marcam um passo a mais na relação entre religião e política no Brasil.
Na semana que passou, a Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus do Brasil (CGADB) realizou o 1º Fórum de seu Conselho Político, direcionado a membros que exercem mandato parlamentar e membros que são pré-candidatos às eleições que se aproximam.
Até Hugo Mota (REP-PB) esteve presente no evento liderado pelo presidente da CGADB, pastor José Wellington Junior, mostrando o prestígio do evento frente aos Poderes da República.
O senador mineiro Carlos Viana, a quem devemos prestar bastante atenção em termos de projeção nacional, lembrou que, em política, "não há espaço vazio, alguém sentará na cadeira, alguém tomará decisões" e esse alguém "pode tomar decisões contra nossos princípios e contra a nossa liberdade religiosa", ressaltando a "participação como cristãos na sociedade e na política".
Dos evangélicos, Damares Alves, uma das oradoras do evento, disse: "Nós decidimos a eleição". Concluiu falando de um projeto "para os próximos dez anos".
O presidente da FPE, Gilberto Nascimento, lembrou o "desejo" de que "nossa Igreja tenha representação" nos espaços de poder; não os sujeitos, mas "a igreja". Ela é a eleitora.
Dali, os presidentes estaduais das convenções saíram com os nomes dos "irmãos" a serem candidatos e das orientações a serem transmitidas como verdades de fé.
O fórum legitima seu presidente, a própria CGADB, os parlamentares ali presentes (em busca de reeleição), os novos irmãos candidatos e o plano de poder evangélico, em busca da representação da "maioria cristã de nosso povo".
O tema escolhido pela AD para as "Lições Bíblicas aos jovens" deste ano não poderia ser outro: "Entre a verdade e o engano — Combatendo ideologias e ensinos que se opõem à palavra de Deus". Desde abril, as "escolas bíblicas" estão discutindo, com os jovens, temas que consideram importantes, porque seriam "ideológicos", tais como: gênero, progressismo, humanismo, darwinismo.
Na última das lições, ao jovem é dito que "a prática da obediência também protege contra o engano" - obediência, sobretudo, ao "ungido do Senhor", que lhe transmitiu as lições. Irmão deve votar em irmão. EMANUEL FREITAS DA SILVA/ O POVO


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