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quinta-feira, 9 de julho de 2026

A FACADA DE MICHELLE BOLSONARO

Por ipuemfoco   Postado  quinta-feira, julho 09, 2026   Sem Comentários



No Dia de São João, Michelle Bolsonaro jogou lenha na fogueira. Misturou desabafos pessoais, citações religiosas e

ataques políticos que revelam mais sobre suas ambições e ressentimentos do que sobre os rumos da direita brasileira.


Disse que foi traída, injustiçada, que sofreu ataques e, sobretudo, que perdoou. Mas não esqueceu. É aí que a política colide com a teologia.


Deus não apenas perdoa: esquece. Está em Hebreus: "Não me lembrarei mais dos seus pecados." Sem isso, sobra apenas um arquivo de ressentimentos cuidadosamente organizado para futuras consultas. E cobranças.

Em outras palavras, sem esquecimento não há perdão genuíno.


A pergunta permanece: por que fazer esse desabafo justamente agora?


Estaria tentando cavalgar um cavalo azarão que viu passar selado, imaginando ser a substituta de Flávio? Prevê uma derrota do enteado e já mira 2030? Ou apenas procura fincar bandeira no bolsonarismo raiz que sobreviverá à tempestade? 


O ataque soa como reação de quem sonhava em ser a escolhida e não aceitou a rejeição. É a mágoa falando mais alto que a estratégia.


Mais intrigante ainda foi a escolha do momento, quando Flávio já apresentava recuperação nas pesquisas.


O certo é que entrou em campo para fazer gol contra. Era como se, em jogo da Seleção, a torcida pedisse a entrada de Neymar apenas para vê-lo marcar contra o próprio time, e o adversário virar o jogo.


A ironia é que Michelle não perdoa Ciro Gomes, mas reserva sorrisos para Alexandre de Moraes, o algoz de seu marido. Se um disse palavras más, o outro o levou para prisão.  Para Moraes, beijinho, beijinho; para Ciro, pau, pau.


O vídeo não enfraquece Ciro Gomes, que prometeu fechar os olhos às imagens. Também não atinge o PT. O principal atingido é Flávio Bolsonaro, escolhido pelo próprio pai para liderar o projeto presidencial da família.


Michelle acaba produzindo o efeito político de quem reabre uma guerra quando todos tentavam convencer a tropa de que a paz havia sido assinada.


Se roupa suja se lava em casa, Michelle preferiu estender o varal na praça.


Naturalmente, ela tem o direito de discordar, de se indignar e até de tornar públicas suas divergências. O problema é de outra natureza.


Ao se dizer "apunhalada", Michelle resolveu revidar. A facada desferida por Adélio Bispo talvez tenha ajudado Bolsonaro a se eleger. Já a facada da madrasta cristã faz Flávio sangrar politicamente.


Os estilhaços dessa guerra familiar atingiram André Fernandes. Michelle criticou a aliança costurada pelo PL local sem ter a humildade de ouvir quem conhece a nossa política.


No fim das contas, Michelle pretendia atingir Ciro, enquadrar André Fernandes e acertar contas com Flávio. Acabou entregando ao PT aquilo que a oposição mais tentava evitar: uma guerra interna em praça pública. Parte superior do formulário. O OTIMISTA/ LUCIANO CLÉVER


RP: ACOMPANHE TODOS OS DETALHES NA RÁDIO PALHANO WEB COM O RADIALISTA ROGÉRIO PALHANO DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA, A PARTIR DO MEIO DIA. NÃO PERCA!

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