A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) negociou um patrocínio de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões
— com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), abriu uma crise na direita e expôs fissuras entre o bolsonarismo e outros possíveis nomes do campo para a disputa presidencial.Segundo a publicação, cerca de US$ 10 milhões — entre R$ 56 milhões e R$ 61 milhões — teriam sido repassados à produção cinematográfica entre fevereiro e maio de 2025. Os pagamentos já superam orçamentos de filmes indicados ao Oscar. Em nota divulgada nesta quarta-feira, 13, Flávio admitiu ter cobrado Vorcaro por parcelas atrasadas do acordo, mas negou irregularidades.
Reação de Zema gera respostas de Carlos e Eduardo
A defesa pública, no entanto, não evitou o desgaste político. O episódio rapidamente provocou reações dentro da própria direita, sobretudo após o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticar duramente o senador. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem”, afirmou Zema em vídeo.
A declaração ampliou o conflito entre então aliados bolsonaristas. Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado em Santa Catarina, reagiu afirmando que Zema estaria “passando de todos os limites” e sugeriu traição política por parte do ex-governador mineiro, que vinha sendo cotado como possível aliado eleitoral do bolsonarismo em 2026.
Essa não é a primeira crítica do "02" contra Zema. Em 2024, Carlos usou sua rede social no X (antigo twitter) para criticar Zema por não apoiar o candidato do PL para a Prefeitura de Belo Horizonte. Já Eduardo Bolsonaro acusou Zema de agir de forma “vil” ao criticar Flávio sem esperar esclarecimentos.
"Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", escreveu Eduardo.
O senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio, chamou o governador mineiro de “oportunista”.
Nos bastidores, integrantes da direita avaliaram que o episódio ameaça o discurso anticorrupção adotado pelo bolsonarismo desde 2018, principalmente pela associação entre um pré-candidato presidencial e um ex-banqueiro preso pela Polícia Federal.
Renan Santos
O pré-candidato a presidência Renan Santos (Missão) divulgou um vídeo crítico a Flávio, afirmando que ele é "peça do centrão" e que foi o primeiro a chamar Flávio de "ladrão", lembrando da investigação por suspeita de "rachadinha" no gabinete enquanto ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.
"Flávio Bolsonaro é mais uma peça numa engrenagem. Ele faz parte de um partido chamado Partido da Corrupção. E esse partido inclui, gente do PT, do Centrão, do STF, do próprio bolsonarismo. Todas essas pessoas brigam em público, mas no privado fazem parte dos mesmos escândalos", declarou.
Em publicações no X, Santos vem criticando Flávio Bolsonaro e outros pré-candidatos da direita ao Planalto.
Caiado
Inicialmente, o ex-governador de Goiás e postulante ao Planalto Ronaldo Caiado (PSD) cobrou clareza sobre o caso.
“O senador Floio Bolsonaro deve responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme e as relações com o dono do Master. Tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população. O Brasil vive um momento em que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados”, disse.
Posteriormente, ele minimizou o caso e declarou que o importante é derrotar o PT nas urnas em outubro. “Quero fazer uma reflexão a todos que estão me ouvindo (…) O que precisamos é fazer com que a centro-direita brasileira não se divida, não rompa essa unidade, para que possamos, aí sim, aquilo que é o fundamental, derrotar o PT e o Lula nas urnas".
Reunião de emergência e repercussão
A repercussão levou dirigentes do Partido Liberal a convocarem reuniões internas para discutir os impactos do caso na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Participaram das conversas o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, além de aliados próximos a Flávio.
Segundo as mensagens divulgadas, Flávio pressionava o banqueiro pela liberação de parcelas prometidas para a produção do longa. Em um dos áudios vazados, enviado em 8 de setembro de 2025, o senador afirma que a equipe do filme estava “tensa” com atrasos nos pagamentos.
As conversas ocorreram poucos dias antes da prisão de Vorcaro, realizada em 17 de novembro de 2025 na Operação Compliance Zero. Um dia depois, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Filme sobre Bolsonaro e fluxo dos recursos
O filme Dark Horse é produzido pela Go Up Entertainment e terá direção do cineasta americano Cyrus Nowrasteh. O ator Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro.
De acordo com a investigação divulgada pelo Intercept, os recursos teriam sido enviados pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e gerido pelo advogado Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro.
Além dos recursos privados, o caso também reacendeu questionamentos sobre verbas públicas destinadas ao setor cultural ligado ao projeto.
O deputado Mario Frias, roteirista do filme, destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo longa. A estreia de Dark Horse está prevista para 11 de setembro de 2026. O POVO


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