O ato inaugural da pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado já tinha data, dia 16 de maio, mas agora
passou a ter local também: o bairro Conjunto Ceará, um dos mais populosos de Fortaleza.A escolha não é casual. Remonta ao início da trajetória política do tucano, quando se tornou prefeito da capital na esteira da vitória de Tasso Jereissati, que havia chegado ao Executivo dois anos antes, em 1986.
Não há dúvida de que a intenção em sediar ali o pontapé dessa articulação de oposição é tentar retomar o fio perdido desse projeto de modernização do Ceará, na leitura do bloco que vai se consolidando agora. Mais que simbolismo evidente, porém, fincar na periferia da cidade o ponto de partida de uma corrida pelo Abolição antecipa parte das estratégias de Ciro.
Região densa eleitoralmente, o residencial é um entrecruzamento de localidades precarizadas, a exemplo de Granja Lisboa, Parque Genibaú, Granja Portugal e outras. É espaço que concentra mazelas da metrópole. No período de chuvas, por exemplo, seus canais transbordam. Seu mobiliário urbano está deteriorado já há algum tempo, mesmo quando da gestão de José Sarto.
Moral da história: a decisão pelo conjunto habitacional tem essa dupla motivação: simbólica, porque remonta a 1988, e pragmática, porque explora problemas urbanos concretos de hoje.
O que vem por aí
A opção pelo Conjunto Ceará entrega ainda o que Ciro vem tentando manter guardado, enquanto despista sobre suas pretensões: o tucano vai mesmo postular o Governo. Afinal, não se vai a bairro tão distante para anunciar candidatura à Presidência - talvez até fosse, o que seria inovador, mas acho que não é o caso.
Dito isso, o Ferreira Gomes sela sua participação no processo eleitoral de outubro. Do outro lado, deve possivelmente encarar o governador Elmano de Freitas, que buscará a recondução, segundo aliados têm se empenhado em repetir a quem lhes pergunte.
O mais recente foi Camilo Santana, que descartou de todo a hipótese de troca de titulares. Logo, a se fiar no que as lideranças dizem, o chefe petista está no páreo, seja contra Ciro ou qualquer outro.
Uma mulher para a vice
Entre as entrevistas que tem concedido, Camilo confirmou sua predileção por uma mulher para a vice de Elmano, especialmente pela necessidade de atenuar o peso demasiado do "macharal" na chapa de situação. Mas quem seria ela e onde deveria ser recrutada?
Há opções dentro do governismo. Fernanda Pacobahyba é uma. Técnica, gestora competente e filiada ao PSB, é ligada tanto ao cidismo quanto ao camilismo. Já desde algum tempo vem frequentando as listas de cotadas para voos mais altos, inclusive a cadeira da vice-governadoria em uma contenda com adversários mais qualificados.
O único senão à pessebista é a advertência, feita por Elmano dias atrás, de que quem indica a vice não sugere também candidato ao Senado. Se Cid quiser emplacar Júnior Mano ou Robério Monteiro como senador, então, terá de abrir mão de Pacobahyba como companheira de urna do governador. O POVO/ HENRIQUE ARAUJO
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