Grupo que controla o Executivo no Ceará há vários governos mantém o discurso de modernidade.
Na prática, porém, é símbolo do atraso. É o caso do ex-governador e ministro da Educação, Camilo Santana, que pendurou principais familiares na máquina pública cearense.
Tido como líder maior do grupo que controla a política no Ceará, senador licenciado e ministro da Educação fez a Alece aprovar e esposa, Onélia, para conselheira do Tribunal de Contas do Estado. O pai, Eudoro, tem cargos comissionados na Prefeitura de Fortaleza e Cagece
O grupo que controla o Executivo cearense há vários governos mantém o discurso de modernidade e transparência.
Contudo, na prática, executa atos de atraso com família como extensão do poder político, condutas incompatíveis com o século XXI.
Parlamentares oposicionistas criticam a ocupação de cargos e posições de poder, assim como o direcionamento e gerenciamento de recursos públicos por personalidades que têm algum vínculo familiar com aliados do grupo político que governa o Abolição - sobretudo, de nomes ligados ao ministro da Educação, Camilo Santana (PT).
Uma das principais críticas recaem sobre a conselheira do Tribunal de Contas do Ceará (TCE-CE), Onélia Leite; o presidente do PSB, Eudoro Santana; o diretor-presidente do Instituto Mirante de Cultura e Arte, Tiago Santana; e até sobre a secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela.
Divergência
O embate mais recente e talvez o maior na atual gestão do Abolição seja a elevação de Onélia ao cargo de conselheira do TCE. A esposa de Camilo Santana (PT).
Na Corte de Contas, a conselheira recebe subsídio mensal de R$ 41.845,49, conforme dados disponibilizados no Diário Oficial do Estado (DOE).
O principal apontamento da oposição é o fato de a esposa do integrante mais expressivo do grupo político do grupo ser responsável por emitir pareceres técnicos das contas da gestão estadual. Para o campo oposicionista, a prática é medieval.
Embora o julgamento final seja de responsabilidade do Poder Legislativo - onde o Abolição tem maioria esmagadora, o TCE realiza uma análise técnica para verificar a legalidade e a gestão dos recursos públicos.
Filha da ex-governadora Izolda Cela, uma das integrantes do grupo político do Abolição, Luisa Cela foi escolhida por Elmano para assumir a Secretaria da Cultura (Secult), com salário mensal líquido de R$ 21,8 mil. Ela administra uma pasta com volume de recursos expressivos no Estado.
Pai do governador
Também neste ano, a nomeação de Eudoro Santana, pai do ministro Camilo, para um cargo comissionado na Prefeitura de Fortaleza, gerou críticas na oposição.
De acordo com o Diário Oficial do Município (DOM), Eudoro foi designado para assumir o posto de coordenador especial de programas integrados, pertencente à estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Governo.
A remuneração líquida é de R$ 14.481,79, segundo o portal da transparência.
Contudo, o atual presidente PSB cearense, um dos principais partidos da base de Elmano no Estado, tem aposentadoria como ex-deputado, no valor líquido de R$ 21,1 mil, em dados disponibilizados no portal da transparência da Alece.
Para além disso, o pessebista ainda integra o conselho fiscal da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), que tem controle acionário do Governo do Estado. No site da entidade, o salário líquido indicado é de R$ 7,7 mil.
Questão de ética
O deputado estadual Heitor Férrer (União Brasil) afirmou que a atual distribuição de cargos e indicações do governo do Estado fere a ética e a moral.
“Como isso está hoje jogado no lixo, acham que é natural você estabelecer a nomeação de seus parentes ou ligados a você em posições que não caracterizam nepotismo, mas que caracterizam a imoralidade”, afirmou.
O Otimista procurou, por meio da assessoria de imprensa e telefones pessoais, os personagens citados no texto, mas os questionamentos foram respondidos apena por Luisa Cela, Secult e o TCE até o fechamento desta página.
Veja o que disse Luisa Cela:
"Ser filha da ex-governadora Izolda Cela é, antes de qualquer coisa, uma fonte de inspiração e aprendizado. A secretária Luisa acompanha desde a infância o compromisso ético, a seriedade e o respeito com que Izolda sempre tratou a gestão pública. Sendo, portanto, uma referência de como servir com responsabilidade e dedicação.
A trajetória da Luisa é construída com base em muito estudo, trabalho e escuta dos territórios e dos movimentos sociais. Luisa é formada em Psicologia, com mestrado em Saúde da Família, e desde da graduação já atuava e se dedicava ao campo das políticas públicas e também ao campo cultural, por meio do movimento estudantil e da organização de ações como o Festival UFC de Cultura, idealizado por sua gestão.
Com mais de 12 anos de atuação profissional, desde a coordenou cursos de formação e aperfeiçoamento profissional, trabalhou na diretoria da Rede Cuca, como diretora de Direitos Humanos, atuou na diretoria do Instituto Dragão do Mar, dirigiu o Centro Cultural Bom Jardim e também foi presidenta do Instituto Ecoa. Compôs a equipe do Consórcio Nordeste. Nos últimos anos lidera a consolidação do Sistema Estadual de Cultura do Ceará e das políticas culturais, inicialmente como Secretaria Executiva da Cultura e, atualmente, como Secretária de Cultura do Ceará. Destaca-se que o Ceará hoje é uma referência em Políticas Públicas de Cultura para o Brasil.
Tudo isso é fruto de uma caminhada própria, que dialoga com diferentes áreas e que sempre teve como eixo central a gestão pública, o fortalecimento de políticas públicas que promovam a cidadania, o bem viver e a garantia de direitos. A convivência com Izolda ensina, inclusive, a nunca substituir o seu percurso. O compromisso com o serviço público é o que une ambas. A gestão pública exige preparo, escuta e entrega, e é a isso que Luisa tem se dedicado por todos os lugares em que passou".
A reportagem também demandou a TCE sobre Onélia e recebeu a seguinte nota:
"A escolha dos Conselheiros do Tribunal de Contas do Ceará está regulamentada pela Constituição Estadual, artigo 71; e a nomeação da conselheira Onélia Leite cumpriu todos os requisitos legais, a saber:
I – mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;
II – idoneidade moral e reputação ilibada;
III – notórios conhecimentos jurídicos, contábeis econômicos e financeiros ou de administração pública;
IV – mais de dez anos no exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados no inciso anterior.
Assim que foi nomeada como conselheira, ela já declarou suspeição por motivo de foro íntimo para atuar no processo de Prestação de Contas do Governo, exercício de 2025.
A declaração tem por base o artigo 116 do Regimento Interno, segundo o qual “O Conselheiro ou Auditor convocado que declarar impedimento ou suspeição deverá explicitar as razões, salvo no caso de motivo de foro íntimo, e não participará da discussão e votação do processo”.
Diante disso, o processo foi redistribuído e, portanto, não há como ferir os princípios da ética e da impessoalidade.
Desde que assumiu o cargo, a conselheira Onélia Leite tem sido diligente na emissão dos seus relatórios e votos, demonstrado seu compromisso e dedicação ao serviço público, agindo de forma transparente e com responsabilidade técnica às normas vigentes, visando sempre o interesse público".
Irmão Tiago captou R$ 39 milhões
Valor é referente a contratos firmados entre a Organização Social (OS) presidida pelo fotógrafo e produtor cultural, Tiago Santana, e a Secretaria da Cultura (Secult). Presença de familiares nas entranhas de governos envolvendo recursos públicos é criticada por políticos de oposição

O presidente do Instituto Mirante de Arte e Cultura, e irmão de Camilo, mantém acordos com pasta da área
O volume de recursos destinado, por meio da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), para o Instituto Mirante de Cultura e Arte - presidido pelo fotógrafo e produtor cultural Tiago Santana, irmão do ministro da Educação, Camilo Santana (PT) -, é um dos principais alvos de críticas da oposição.
Dados disponibilizados no Portal da Transparência do Ceará mostram que, em 2025, cerca de R$ 39 milhões de reais já foram pagos ao instituto, em contratos firmados com o governo cearense por meio da pasta cultural.
Conforme a plataforma, foram firmados três acordos, todos em 28 de fevereiro deste ano, tendo a Secult como contratante.
O primeiro tem como objeto: “fomentar a capacitação, a produção, a pesquisa e a difusão nas áreas de arte e cultura de acordo com as diretrizes da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, para execução da gestão da Pinacoteca do Estado do Ceará e Museu Ferroviário Estação João Felipe”.
Dados atualizados até a última quinta-feira (2), mostram que, para este contrato, já foram pagos R$ 11.950.523,55 em 2025.
O segundo tem justificativa de “fomentar a capacitação, a produção, a pesquisa e a difusão nas áreas de arte e cultura de acordo com as diretrizes da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, para execução da gestão do Museu da Imagem e do Som”. Nesta etapa, R$ 12.596,788,82 já constam como valor pago, conforme os dados disponibilizados no Portal da
Transparência
O terceiro, apresenta como justificativa o “objeto de fomentar a capacitação, a produção, a pesquisa e a difusão nas áreas de arte e cultura de acordo com as diretrizes da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, para execução da gestão do Complexo Estação das Artes e seus equipamentos (Estação das Artes, Centro de Design do Ceará e Mercado Gastronômico)”.
Para este contrato, a plataforma indica que já foram pagos R$ 14.619.096,73. Juntos, o valor empenhado nos três contratos já somam mais de R$ 39 milhões.
Criada em 2021, a Organização Social (OS) afirma contribuir com a gestão de políticas culturais, proteger, salvaguardar e fomentar as iniciativas artísticas e o patrimônio histórico e cultural do Estado.
Atualmente, o instituto gerencia oito equipamentos culturais da Secult. São eles: Centro Cultural do Cariri, Estação das Artes, KUYA - Centro de Design do Ceará, Mercado AlimentaCE, Museu da Imagem e do Som do Ceará, Museu Ferroviário Estação João Felipe, Pinacoteca do Ceará e Sobrado Dr. José Lourenço.
A reportagem procurou Tiago Santana e a Secult para comentar o assunto, mas apenas a Secretaria respondeu aos questionamentos. Confira:
"A Secretaria da Cultura do Ceará conta com uma das maiores redes de equipamentos públicos culturais do Nordeste, com espaços que são referência no Brasil e na América Latina por suas estruturas e feitos. Em 2016, o público cearense usufruía de 16 equipamentos. Com o investimento dos últimos anos, esse número aumentou 68,7% e, em 2025, totaliza 27 espaços públicos de cultura.
Esse crescimento confirma que, na última década, o Governo do Ceará vem valorizando a Cultura, reconhecendo sua transversalidade em relação à educação, economia, turismo e saúde - mesmo em um período adverso de desalinhamento e restrição de investimentos no cenário nacional.
De 2023 a abril de 2025, o Governo do Ceará investiu recursos na garantia de funcionamento permanente da Rede Pública de Espaços e Equipamentos Culturais do Estado do Ceará (Rece), composta por 27 espaços, em parceria com o Instituto Mirante e o Instituto Dragão do Mar. Nesse período, realizou-se 27.692 programações culturais, alcançando 4.289.353 pessoas.
Além disso, gerou mais de 1.000 mil postos de trabalho direto, sem contar o número de servidores e prestadores de serviços dos programas e projetos. Tanto o Instituto Dragão do Mar quanto o Instituto Mirante, organizações sociais qualificadas pelo poder público estadual, atendem a critérios técnicos, funcionais e operacionais definidos pela Secult Ceará em editais públicos.
Ao celebrar contratos de gestão, as entidades cumprem as diretrizes estabelecidas pela Secretaria por meio da pactuação de metas e resultados mensalmente verificados. As Organizações Sociais também são fiscalizadas por auditorias externas e órgãos de controle".
Mais
A presença de familiares de aliados do grupo político que governa o Palácio da Abolição em cargos estratégicos de poder no Estado tem gerado críticas, sobretudo entre membros da oposição, sobre os limites entre influência política e condutas éticas.
Parlamentares da oposição questionam as nomeações e funções ocupadas por pessoas ligadas ao grupo governista, há vinte anos no poder (desde as eleições de 2006.
As relações familiares na política costumam gerar conflitos entre o que é legalmente e moralmente aceitável na administração pública. A prática não é nova, uma vez que a nomeação de parentes para cargos públicos nasceu junto com a política e, até hoje, segue como um ponto de tensão entre ética e tradição.
No cenário cearense, partem de membros da oposição ao governo Elmano de Freitas (PT) as principais críticas a essas relações familiares que permeiam a estruturação dos espaços de poder no Estado.
Ligado a ministro, Chagas Vieira recebe R$ 54 mil/mês

O chefe da Casa Civil está na terceira gestão consecutiva - e se diz orgulhoso disso
O valor está distribuído entre as funções de secretário de Estado, conselheiro do Detran e gratificações. Irmãos, sobrinha e filha do homem de confiança do governo do Estado foram nomeados na Prefeitura de Paracuru, Cagece e Assembleia Legislativa. Veja o que diz a oposição
O atual secretário-chefe da Casa Civil, Chagas Vieira, costuma destacar, publicamente, que sente orgulho de estar na terceira gestão estadual consecutiva. É para ter mesmo. Desde o pico da pandemia, há cerca de cinco anos, a influência de Chaguinha, como é mais conhecido nos circuitos políticos, só aumenta na cúpula do Palácio da Abolição.
O chefe da Casa Civil exerceu funções estratégicas nos governos Camilo Santana, Izolda Cela e, agora, Elmano de Freitas. Chagas Vieira é uma espécie de premiê no governo do Estado. Nada de relevante é tocado na gestão sem antes passar pela mesa dele. É ouvido, dentro e fora do governo e é companhia constante em viagens com o chefe do Executivo.
O prestígio político vem rendendo outros dividendos para o chefe da Casa Civil, como mostra a forte presença de familiares em cargos públicos em estruturas estaduais e no município de Paracuru, sua terra natal.
Somente o chefe da Casa Civil recebe, em valores brutos, mais de R$ 54 mil, como secretário de Estado, conselheiro do Detran e gratificações.
Familiares
Seguindo o exemplo de Camilo Santana, seu líder maior, Chagas Vieira vem ampliando o raio familiar em estruturas de governos. As irmãs Regina Celi Beviláquia Vieira e Débora Vieira foram nomeadas em cargos comissionados na Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de Paracuru.
O irmão, Luiz Antonio Cipriano Vieira Filho, é terceirizado da Cagece; a sobrinha, Íris Beviláqua Vieira, é terceirizada na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), onde também está filha, Amanda Roberta Braga Vieira.
Os dados foram obtidos em portais da transparência dos órgãos públicos citados acima. Não foi possível acessar os valores salariais dos familiares do secretário.
Oposição
O deputado estadual Sargento Reginauro (União Brasil) criticou o posicionamento de familiares, sobretudo ligados ao ministro da Educação, Camilo Santana (PT), em cargos estratégicos nas estruturas de poder no Ceará.
Para o parlamentar, há dois aspectos distintos que devem ser considerados quando considerado a posição que ocupam membros da família de políticos que fazem parte grupo que chefia o Palácio da Abolição: o da ilegalidade e o da moralidade.
“Muitas vezes a questão do nepotismo é camuflada em articulações que passam à margem da lei como sendo algo legal, mas sem atender ao princípio da moralidade”, destacou o parlamentar.
“Veja bem, o ex-governador do Estado tem no Conselho, no Tribunal de Contas, a sua esposa, que vai avaliar as contas do seu principal aliado, que é o governador do Estado. É ilegal? Não”, acrescentou o parlamentar, sobre os limites borrados entre a lei e a moralidade púbica – brechas aproveitadas por grupos políticos.
Reginauro diz que é no mínimo questionável até que ponto a conselheira Onélia Santana está em condições de avaliar as contas do governador, de avaliar as contas de secretários que foram seus colegas.
“Como aconteceu, por exemplo, na prestação de contas do ex-prefeito de Caucaia, Vitor Valim, onde o voto dela é o único voto divergente dos demais conselheiros”, relembrou Reginauro.
Esposa, pai e irmão
Antes de chegar ao Tribunal de Contas do Ceará (TCE-CE), Onélia foi titular da secretária da Proteção Social (SPS) do Governo do Estado na gestão do governado Elmano de Freitas (PT).
“E aí nós temos o pai do ex-governador (Eudoro Santana) em órgãos estratégicos. Nós temos um irmão (Tiago Santana) do ex-governador que, mesmo não tendo um cargo público, criou uma Organização Social que administra milhões da cultura cearense”, ponderou.
Reginauro diz que a situação é estranha. “Não fere o princípio da legalidade, mas é, sim, de forma absurda e imoral, para o que a gente espera do princípio da transparência, do princípio da impessoalidade que fala a administração pública”, reforça. O OTIMISTA
ACOMPANHE NOSSAS REDES SOCIAIS
Instagram: @radiopalhano_web
Youtube- @adiopalhanoweb


0 comentários:
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.