“Farinha pouca, meu pirão primeiro.” O ditado popular, que
deveria refletir apenas uma lógica de sobrevivência, tem sido vergonhosamente adotado como regra em muitos cenários políticos.Quando a política deixa de ser instrumento de transformação coletiva e passa a funcionar como um negócio de família, o que se vê é a degradação completa do interesse público.
Não se trata mais de representar o povo, mas de proteger sobrenomes, garantir cargos, perpetuar privilégios e manter o poder girando sempre nas mesmas mãos. A máquina pública vira extensão da casa, os aliados viram parentes, e os recursos que deveriam servir à população passam a alimentar um ciclo fechado de conveniências.
O problema não é apenas moral, é estrutural. Quando a política é dominada por laços familiares, o mérito desaparece, a renovação é sufocada e a democracia se enfraquece. Jovens lideranças são barradas, vozes independentes são silenciadas e o eleitor passa a ser tratado como mero figurante em um jogo já combinado.
E o mais grave: tudo isso muitas vezes acontece à luz do dia, com naturalidade assustadora. Como se fosse normal transformar mandato em herança, cargo em patrimônio e gestão pública em negócio privado.
A conta, como sempre, sobra para o povo. Falta investimento, falta eficiência, falta compromisso, mas nunca falta espaço para o apadrinhamento e o favorecimento.
Quando a política vira negócio de família, não há projeto de futuro, há apenas um projeto de poder. E enquanto o “pirão” continuar sendo dividido entre poucos, a maioria seguirá à margem, assistindo de longe aquilo que deveria, por direito, ser de todos. IPU EM FOCO


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