Hoje, 7 de abril, Dia do Jornalista, é um momento especial
para analisar o papel desse profissional na sociedade e a liberdade de imprensa, ameaçada ou suprimida em boa parte do mundo.A data escolhida para homenagear os profissionais do jornalismo foi instituída pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) para lembrar Giovanni Battista Líbero Badaró, médico e jornalista, opositor do governo de Dom Pedro I. Ele foi assassinado em 1830, e sua morte tornou-se símbolo da luta contra a censura no Brasil.
Ao jornalista não cabe mais apenas produzir informações para manter o público informado. Ele precisa também afirmar seu papel de curador e de verificador de informações publicadas para separar o falso do verdadeiro. Transitam nas plataformas milhões de "produtores de conteúdo" sem o mínimo compromisso com o método jornalístico para produzir informações confiáveis.
A inteligência artificial é capaz de apresentar "realidades alternativas", facilmente confundidas com a verdade factual. É uma luta ingente para repor a verdade dos fatos. Mas, mesmo quando isso ocorre, a falsidade já foi vista por milhões de pessoas, cumprindo seus objetivos maliciosos ou criminosos.
Ao mesmo tempo, a liberdade de imprensa recua em todo o mundo, pressionada por governos ou pela pressão econômica. Relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), relativo ao período 2022-2025, mostra que a liberdade de expressão chegou ao nível mais baixo no mundo em décadas. Segundo a Unesco, o que ocorre é comparável apenas ao observado na Primeira Guerra Mundial, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e ao fim da década de 1970, durante a Guerra Fria.
O estudo alerta para o aumento "alarmante" da autocensura entre jornalistas, do maior controle de governos e grupos de poder sobre as mídias, e do impacto da IA na produção de informações falsas.
Estudo publicado em maio de 2025 pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) confirma que a liberdade de imprensa caiu para o pior nível desde a sua criação, ficando abaixo de 55 pontos, classificando a situação como "difícil".
Das 180 nações avaliadas, 112 pioraram o desempenho. O Brasil surge como exceção, subindo 19 posições, figurando agora no 63º lugar. O relatório relaciona a melhora no Brasil ao fim do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Isso não quer dizer que se vive em uma situação ideal, mas mostra ser possível avançar nesse quesito, quando governos tratam a imprensa com profissionalismo, respeitando seu trabalho. O POVO

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