A eleição será dentro de três semanas e a coisa mais importante a se desenrolar no Brasil é uma guerra suja entre
ministros da mais alta Corte do Judiciário brasileiro, com decisões de impacto direto no pleito.Tal conduta de magistrados de um tribunal superior é um acinte. Fazem política abertamente. Não só política.|
O processo eleitoral está sendo decidido em atos do Supremo. Em casos dessa dimensão, sem as investigações estarem concluídas e ainda longe de haver condenações, é problemática a retirada de sigilos a essa altura da campanha. A chance de interferência contundente a partir de fundamentos frágeis é perigosa.
Do lado governista, deseja-se a divulgação do processo relacionado a Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro (PL). A oposição quer ver revelado o que há sobre Lulinha e o INSS. Aí não dá. Há de se ter critério.
Equilíbrio e ponderação são atributos necessários do Poder Judiciário. Não é algo a se esperar do Executivo, menos ainda do Legislativo. Mas da magistratura, se não outra coisa, há expectativa de discernimento e circunspeção. Não se poderia estar mais longe disso.
O afastamento do diretor da Polícia Federal foi uma medida grave e complicada. Mendonça se desentende com ele há tempos. O argumento para a retirada do cargo foi a revelação de monitoramento ilegal do próprio ministro. Mendonça não deveria tomar decisão nesse caso, mas Alexandre de Moraes atuou tantas vezes em casos com os quais tinha envolvimento a ponto de haver jurisprudência para isso. Nem considero as atitudes de réus na tentativa de implicar o ministro, com intenção de trocar o julgador. Houve vários processos nos quais ele não devia ter atuado. Eles abriram a porta para Mendonça fazer coisa parecida.
O STF teve vários conflitos públicos entre ministros. Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa tiveram um bate-boca horroroso. Outro episódio envolveu Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. No ano passado, houve confusão entre Luiz Fux e Gilmar Mendes nos bastidores. (Gilmar tem lado nessa briga de agora, mas não protagonismo, por ora). Em nenhum daqueles episódios esteve tão implicada a condução de processos.
Acúmulo de erros
Os contratos do escritório da esposa de Alexandre de Moraes com o Banco Master não deveriam existir. Os valores e a forma como são tratados nos diálogos são comprometedores. Tampouco o magistrado poderia ter o tipo de relação evidenciada com Daniel Vorcaro.
André Mendonça também não poderia ter pedido diligências em investigação contra o colega.
Moraes, por sua vez, não deveria ter a informação de que era alvo de diligência.
Paulo Gonet, o procurador-geral da República, está também enrolado com Vorcaro.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, está no centro de todo o reboliço.
Nunca houve uma crise dessas dimensões na cúpula do sistema de Justiça e do de Segurança Pública.
Vorcaros
Um aspecto espantoso do escândalo do Banco Master é a rede de relações de Daniel Vorcaro. Não se trata do dono de um megabanco. Não se tratava do Itaú ou do Bradesco. Era uma instituição obscura, da qual a maioria da população nunca tinha ouvido notícia.
Quantos outros Vorcaros, mais ricos e influentes e menos atrapalhados, pode haver por aí?

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