Ciro Gomes (PSDB-CE) e Elmano de Freitas (PT-CE) se enfrentaram em debate promovido pelo O POVO nesta
quarta-feira, 23, a 11 dias do primeiro turno das eleições.Ambos chegaram aos estúdios confiantes e tiveram bons aproveitamentos no início das discussões, mas decaíram de nível nas perguntas feitas por jornalistas da casa.
A virada de chave, porém, ocorreu no fim do penúltimo bloco, quando Ciro, provocado por Elmano, perdeu o foco e não conseguiu retomar a concentração.
Cada um começou o debate na sua zona de conforto. Elmano perguntou sobre saúde e citou as críticas de Ciro ao Hospital Universitário, na Universidade Estadual do Ceará (Uece). Ciro reclamou duas vezes de provocações políticas e questionou sobre segurança pública.
Além dos dois assuntos considerados principais pelos eleitores, o primeiro bloco também tratou sobre educação e geração de empregos. Se Elmano foi melhor ao falar sobre a saúde e o ensino escolar no estado, Ciro fechou o bloco com uma resposta firme e articulada. O primeiro embate foi de alto nível.
O segundo bloco colocou os dois em desconforto. As perguntas das jornalistas do O POVO pressionou os candidatos a ponto do nível cair por culpa deles. Ao responder sobre a implantação de Datacenters, Ciro se enrolou e não conseguiu concatenar uma resposta satisfatória. Elmano foi genérico e citou, pela primeira vez, a parceria com o presidente Lula.
No bloco todo, os dois só se destacaram ao falar da violência contra a mulher, mas deram um show de ‘geração de lero-lero’ ao tentarem explicar propostas sobre uso de inteligência artificial, meio ambiente e segurança hídrica.
O clima, que estava amistoso e contou até com aperto de mãos antes do programa começar, começou a esquentar. Elmano disse que Ciro foi condenado por violência política de gênero, o que tirou Ciro do eixo.
Ele pediu direito de resposta, que foi negado. A assessoria logo publicou a negativa nas redes, mas o estrago foi feito, principalmente no psicológico de Ciro, que discutiu sobre o assunto no intervalo. Após isso, a concentração do tucano evaporou.
Ciro chamou e repetiu, diversas vezes, que Elmano era mentiroso. Já o governador classificou o adversário como despreparado e desinformado. A discussão presidencial voltou à baila quando Elmano chamou Ciro de candidato do bolsonarismo, que rejeitou “Eu não sou lulista e nem bolsonarista”, pontuou.
O caso ‘Janaína Farias’, que resultou na condenação em primeira instância de Ciro (ainda cabe recurso), tirou o foco de Ciro do resto do debate. Nas considerações finais, ele reclamou da ausência do direito de resposta, esqueceu de pedir voto e não citou o próprio número na urna. Elmano foi o último a falar, conseguiu citar os nomes da chapa governista e concluiu o raciocínio pedindo votos para ele e para Lula, sem forçar a barra. Ponto para ele.
No fim, Ciro pareceu mudar de estratégia dos outros embates entre eles. Não fez críticas a Camilo Santana (PT-CE) e não citou Bebeto do Choró. Ele evitou falar em ‘Elmanolândia’ e tentou propor mais do que brigar. A ver se a estratégia dará certo.
O que você não viu
Elmano foi o primeiro dos dois a chegar, 30 minutos antes do debate começar. Confiante e sorrindo, o governador mostrava o otimismo e pediu um debate de alto nível. “Quero parabenizar ao O POVO por realizar mais um debate. Acho importante para a democracia, para o eleitorado poder comparar. O que eu espero é um debate de elevado nível, em que possamos fazer um balanço do cenário atual no Ceará", afirmou. Antes de o debate começar, porém, Elmano se isolou e fez uma oração antes do debate começar.
Ciro chegou faltando 15 minutos e também valorizou a iniciativa do jornal. “Que possamos evidenciar as divergências entre os projetos: eu defendo a mudança, enquanto meu oponente busca a continuidade do atual cenário", disse.
Os dois se cumprimentaram no início e no final, mas a saída dos candidatos foi bem diferente. Ciro deixou o auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) bem consternado com a negativa do direito de resposta e chegou a soltar um palavrão para condenar a situação.
Já Elmano não demonstrou qualquer problema com as recusas aos pedidos dele: o governador teve dois direitos de resposta negados pela organização.JOÃO PAULO BAGE
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