O Datafolha mostrou diferença de 19 pontos percentuais de
Ciro Gomes (PSDB) para Elmano de Freitas (PT) antes de a campanha começar.É muita coisa. Possível de ser revertida? Bem, costumo dizer antes das eleições: na urna ainda não há nenhum voto. Mudanças sempre podem acontecer. Qual a probabilidade de mudança? Não tenho a resposta, mas trago alguns elementos
A força governista na chegada
A primeira coisa a considerar é a força já tantas vezes demonstrada nos fins de campanha pelas candidaturas governistas no Ceará. Se fosse no futebol, seriam o que se chama de “time de chegada”.
De Camilo Santana (PT) em 2014 a Evandro Leitão (PT), no âmbito municipal, em 2024, as candidaturas largaram bastante atrás e cresceram muito. Porém, isso não ocorreu no início. Levou algum tempo.
Desta vez, por outro lado, há algumas diferenças. A maior delas é ter Ciro Gomes como candidato da oposição.
Quanto pesa Ciro?
As eleições nacionais costumam influenciar muito o voto estadual no Ceará. Já escrevi que, desde 1994, quando esses pleitos ocorrem de forma simultânea, todos os governadores eleitos no Estado tinham apoio do mais votado para presidente entre os cearenses.
Em 1994, Tasso Jereissati e Fernando Henrique Cardoso (ambos PSDB); em 1998, Tasso e Ciro; em 2002, Lúcio Alcântara e Ciro; em 2006, Cid e Lula; em 2010, Cid e Dilma Rousseff (PT); em 2014, Camilo e Dilma; em 2018, Camilo e Ciro; e em 2022, Elmano e Lula. Nunca se conseguiu separar as duas coisas. Claro, outros elementos estiveram presentes.
Em abril, o hoje candidato a vice-governador, Roberto Cláudio (União Brasil), participou do podcast Jogo Político. Na época, escrevi sobre a tese levantada por ele. Neste ano, projetou ele, será diferente por causa do alcance nacional de Ciro.
“A presença do Ciro em antagonismo à candidatura do PT fará com que a eleição do Estado seja mais engajadora, seja mais atrativa, seja mais divisora de opiniões do que a eleição nacional”, considerou.
Terá Ciro essa dimensão? Essa é uma pergunta determinante no pleito.
Quanto mais acirrado o pleito federal, maior a chance de interferir na disputa local.
Uma sucessão presidencial morna é boa para o tucano.
O fator cargo
Uma diferença importante desta campanha em relação às outras nas quais governistas largaram atrás e saíram vitoriosos é o fato de, neste ano, quem sai em desvantagem ser o governador atualmente no cargo. Das outras vezes, eram figuras novas, lançadas por quem estava na função. Foi assim com Camilo, com Elmano e com Evandro. Agora, Elmano já é governador. E larga bem atrás.
Outro fator é a influência dos apoios, mas o espaço da coluna já acabou. Então, volto ao assunto em outra coluna.
Errei: diferentemente do que publiquei inicialmente no penúltimo parágrafo, o governador sai atrás e não na frente.ÉRICO FIRMO
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