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sábado, 10 de janeiro de 2026

FLÁVIO BOLSONARO OU TARCÍSIO?? QUAIS AS CHANCES DA DIREITA AVANÇAR NO ELEITORADO DO NORDESTE

Por ipuemfoco   Postado  sábado, janeiro 10, 2026   Sem Comentários


O Nordeste brasileiro, historicamente consolidado como o principal reduto eleitoral da centro-esquerda e do Partido dos

Trabalhadores (PT), volta ao centro das atenções nas projeções para as eleições de 2026, com a direita tentando romper a hegemonia lulista na região. 

Nomes como Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontados como possíveis candidatos em 2026, podem enfrentar desafios em um território onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda mantém ampla vantagem, segundo apontaram especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste.

Pesquisas recentes, a exemplo do levantamento realizado pelo Instituto Ipsos-Ipec, entre 4 e 8 de dezembro de 2025, reforçam essa perspectiva e indicam as chances reais de êxito junto ao eleitorado nordestino.

Cenário atual

A força do presidente Lula no Nordeste permanece como o principal obstáculo para qualquer avanço significativo da oposição. 

“O Nordeste é tradicionalmente um reduto da centro-esquerda e da esquerda no Brasil, com raízes fortes no PT e coligações locais aliadas ao projeto lulista desde os anos 2000 e, pelos resultados das pesquisas mais recentes, Lula aparece liderando com ampla vantagem contra candidatos da direita em todos os cenários testados”, frisa a professora da Universidade de Fortaleza (Unifor) e doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Mariana Dionísio.

Segundo a estudiosa, a identidade da região com o projeto petista está profundamente ligada com a atenção do agrupamento político para com as demandas sociais. Tais pautas, pontuou ela, “não são uma prioridade para a agenda da direita”. “Se essa mesma direita não ajustar o discurso e continuar errática nas alianças, o futuro eleitoral tende a ser mais difícil”, avalia.

Os dados da pesquisa Ipsos-Ipec corroboram essa visão: no cenário de intenção de voto espontânea no Nordeste, Lula lidera com 46%, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece com 13% e Flávio Bolsonaro com apenas 2%. Além disso, 57% dos nordestinos acreditam que Lula deveria se candidatar à reeleição e o mesmo percentual afirma que ele merece ser reeleito.

De acordo com o instituto de pesquisa, foram realizadas 2000 entrevistas, em 131 municípios brasileiros. A amostra foi elaborada com base em dados do Censo 2022 e PNADC 2023, com controle de cotas pelas variáveis sexo, idade, escolaridade, raça/cor e ramo de atividade. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Para o cientista político e professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Cláudio André, o terceiro mandato de Lula tem priorizado o Nordeste com agendas estratégicas, como a criação do campus do ITA no Ceará e investimentos em infraestrutura na Bahia, o que reforça o favoritismo do atual presidente. 

Contudo, ele observa um movimento de recuperação de terreno da direita em algumas capitais e um crescimento do PL e da ala bolsonarista, que deve estabelecer candidaturas competitivas em quase todos os estados em 2026.

“A título de análise, você tem o estado de Alagoas, que ele tem tido ali um declínio. Em Maceió, inclusive, a capital, a gente percebe claramente que tem ali uma guinada mais à direita acontecendo. É isso que a gente vai precisar observar, sobretudo diante de uma pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que vai levar o nome da família e do ex-presidente Jair Bolsonaro para as urnas”, diz o pesquisador. 

Quem é o nome da direita mais competitivo no Nordeste?

Ao analisar os nomes da direita, a pesquisa Ipsos-Ipec indica que Lula lidera em todos os cenários do levantamento e aponta indicativos sobre a competitividade em cenários estimulados na região Nordeste:

  • Michelle Bolsonaro: no cenário em que aparece concorrendo com Lula, Ratinho Júnior (PSD), Ronaldo Caiado (União) e Romeu Zema (Novo), a ex-primeira-dama alcança 21% das intenções de voto no Nordeste, sendo o nome da direita com melhor desempenho numérico no levantamento para a região.
  • Flávio Bolsonaro: no cenário em que compete com os mesmos pretensos candidatos que Michelle, o senador aparece com 16%.
  • Eduardo Bolsonaro: no cenário em que é testado ao lado de Lula, Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, o deputado federal cassado teria 16% do eleitorado nordestino.
  • Tarcísio de Freitas: no cenário em que compete com Lula, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, o governador de São Paulo registra 15% no Nordeste.
  • Ronaldo Caiado e Romeu Zema: nos cenários testados, o governador de Goiás pontua entre 3% e 6% na região, enquanto o governante de Minas Gerais fica em 2%.

Apesar do crescimento pontual, a rejeição é um fator crítico. Flávio Bolsonaro possui 44% de rejeição no Nordeste, seguido por Eduardo Bolsonaro (42%) e Michelle Bolsonaro (38%). Em contrapartida, Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado apresentam as menores taxas de rejeição na região, com 14% e 13%, respectivamente.

Para o professor Cláudio André, os pré-candidatos da direita “tentarão exatamente fazer um discurso de crítica ao PT e de construção de uma agenda até mesmo próxima, popular de alguma maneira, com propostas que sejam defendidas com mais afinco”. 

Na visão dele, é possível que ocorra um crescimento da direita regionalmente. “Mas isso, obviamente, é dinâmico e também depende da popularidade e se haverá uma recuperação da popularidade do terceiro mandato do presidente Lula. E como isso vai impactar na intenção de voto”, continua, caracterizando o momento como “em aberto”

Mariana Dionísio, por sua vez, salienta que “no Nordeste, diferentemente do Sul e do Sudeste, eleições presidenciais não se decidem por alinhamento ideológico explícito ou discurso antipetista radical, mas sim, por memória social e simbólica, capacidade de empatia regional e baixo nível de rejeição prévia”. 

“Flávio Bolsonaro vem com um sobrenome que funciona mais como passivo eleitoral do que ativo, pelo menos aqui no Nordeste. Para piorar, ele não tem trajetória administrativa, não tem discurso próprio que o diferencie do bolsonarismo clássico e ainda desvaloriza constantemente políticas sociais. Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado têm fortíssima associação a Bolsonaro e seus vínculos simbólicos ou políticos estão limitados ao eixo Sudeste e Centro-Oeste. Ratinho Júnior tem baixa rejeição explícita, mas tem pouca projeção nacional no Nordeste. Romeu Zema enfrenta um problema clássico: seu discurso econômico tende a gerar desconfiança social, mesmo entre eleitores não petistas”, opinou Dionísio.

Comparação com 2022

A análise comparativa com o último pleito presidencial sugere que o caminho para a direita está mais íngreme. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) foi derrotado no Nordeste por uma margem expressiva — o petista conquistou 69,34% dos votos válidos na região —, mesmo utilizando a máquina pública federal e programas como o Auxílio Brasil. 

Mariana Dionísio ressalta que, em 2026, a direita não contará com essas vantagens institucionais e o “antipetismo”, que foi o motor de campanhas anteriores, mostra sinais de esgotamento como estratégia majoritária na região.

“Esse repertório ainda existe, mas hoje se encontra menos intenso e mais fragmentado, especialmente no Nordeste. O antipetismo, sozinho, mostra sinais de esgotamento como estratégia majoritária, algo que já se desenhava no segundo turno de 2022. Agora, com a ausência de Bolsonaro, que era o principal “atalho cognitivo” para o eleitor conservador, a direita ainda está perdida à procura de um substituto funcional, mas o tempo está acabando e essa falta de definição reduz a transferência automática de votos”, destaca a professora.

Cláudio André pontua que, embora a popularidade de Lula tenha sofrido oscilações em 2025, o Nordeste funciona como um “dique” ou “muro de contenção” para o governo. Ele prevê que os pré-candidatos de oposição tentarão construir uma agenda mais próxima do popular e críticas ao PT para tentar avançar em 2026, mas o resultado dependerá da capacidade do governo federal em recuperar e manter sua aprovação nos primeiros meses do ano eleitoral.

O papel dos governadores e os indicativos para 2026

Um fator determinante para a corrida eleitoral no Nordeste é o alinhamento político dos governadores. Atualmente, os nove governadores da região estão alinhados ao presidente Lula, o que dificulta a construção de palanques fortes para a oposição.

O PT é o partido com mais governadores nos estados da região. A sigla tem os chefes dos Executivos da Bahia (Jerônimo Rodrigues), do Ceará (Elmano de Freitas), do Piauí (Rafael Fonteles) e do Rio Grande do Norte (Fátima Bezerra).

Em seguida está o Partido Social Democrático (PSD), que comanda Pernambuco (Raquel Lyra) e Sergipe (Fábio Mitidieri).

Por fim, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) tem Paulo Dantas, que governa o Estado de Alagoas. E o Partido Socialista Brasileiro (PSB), tem o mandatário da Paraíba, João Azevêdo.

Carlos Brandão, governador do Maranhão, se desfiliou do PSB em 2025 e atualmente está sem partido.

Mariana Dionísio explica que, no Nordeste, os governadores são mediadores centrais que influenciam lideranças locais e máquinas partidárias. Conforme indica a especialista, o apoio de Jair Bolsonaro pode não ser um “atalho cognitivo” esperado. 

Segundo a pesquisa Ipsos-Ipec, para 33% dos eleitores nordestinos, o apoio de Bolsonaro a um candidato diminuiria muito a vontade de votar nele, enquanto apenas 15% dizem que esse apoio aumentaria muito o interesse pelo candidato.PONTO DO PODER

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