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sexta-feira, 30 de julho de 2021

A ERA DA DESFAÇATEZ TOMOU CONTA

Por ipuemfoco   Postado  sexta-feira, julho 30, 2021   Sem Comentários



O presidente Bolsonaro, como é recorrente, decidiu disparar mais uma das suas bravatas que assombram pelo cinismo.


Típico de redentor de araque, passou a contar lorotas sobre suas supostas competências de gestor, jamais demonstradas, nas conversas de improviso desenvolvidas junto à claque de seguidores e fanáticos, que batem ponto espremidos no cercadinho à porta do Palácio: “se eu estivesse coordenando a pandemia (sic), não teria morrido tanta gente”. 


É sério isso? Deixa a impressão que a imensa maioria dos brasileiros perdeu algum lance. Mas a verdade é bem diferente e ele sabe — assim como todo mundo. Ninguém desconhece o papel desastroso exercido pelo mandatário em pessoa na crise. Em todas as direções e de diversas maneiras. 


O “mito” Messias está buscando agora se livrar do fardo que lhe cai sobre os ombros, gerado por atuações irresponsáveis em inúmeras circunstâncias, por um motivo bem claro: criar a narrativa — costumeiramente falsa — para a campanha eleitoral de 2022. Decerto, nem toda a desfaçatez do mundo será capaz de apagar o mal por ele causado. 


Foi o senhor, caro presidente, quem matou tanta gente com a negação sistemática à vacina, reclamando da pressa dos brasileiros para ter imunizantes. “Para que a pressa? Só se fala em vacina!”, reclamou. Lembra? A sua figura, inconsequente por opção, foi quem promoveu campanhas contra o isolamento, pregou o fim da máscara, chamou a grave pandemia de “gripezinha”. 


Ninguém vai esquecer, não se iluda! Seu governo praticou o crime de deixar centenas de pessoas morrerem asfixiadas por falta de oxigênio em Manaus, ignorando os apelos de fornecimento de cilindros para salvar os doentes. Sua gestão cortou recursos vitais para o fornecimento de kits intubação no sistema público do SUS, levando a perda de outras milhares de vidas. 


Fez propaganda de drogas duvidosas, da cloroquina a um spray mágico, que jamais tiveram resultados efetivos referendados pela ciência. E, para completar esse festival de atuações erráticas no descaso à batalha contra a Covid-19, ainda foi capaz de ignorar denúncias de irregularidades, feitas diretamente ao senhor, dentro do Palácio do Planalto, envolvendo contratos suspeitos em negociatas para a compra de vacinas superfaturadas, com sobrepreço de até 1000%, e tramoias de propina arquitetadas em pleno Ministério da Saúde. 


O senhor não fez nada. Achou natural deixar seguir o esquema, sem qualquer investigação. Fechou os olhos. Prevaricou. O dileto general e ex-ministro titular da pasta, Eduardo Pazuello, não satisfeito, quis comprar imunizantes da Coronavac pelo triplo do valor que era praticado no Instituto Butantan — apenas, e tão somente, para atender ao seu desejo politiqueiro de não dar crédito ao governador de São Paulo e arquirrival, João Doria, pelo mérito de trazer a primeira vacina do País. 


Por birra e comportamento pequeno o senhor ceifou milhares de vidas e ainda incentivou aglomerações, motociatas, farras na praia, como se nada de grave estivesse acontecendo. É assim que o senhor iria “coordenar” a pandemia? 


Talvez com um tiro de revólver, quem sabe? Messias Bolsonaro, acha mesmo que tudo isso será esquecido? Jogado para debaixo do tapete? Larga a mão do descaramento, presidente. 


Bem sabe que, em nenhum momento, o STF lhe tirou a missão da tomada de medidas, vitais, contra a pandemia. Apenas evitou que o senhor, no arroubo inconsequente de sempre, tentasse afrontar o necessário isolamento, lembrando-lhe da atribuição de estados e municípios de adotar regimes especiais em tempos como esse. 


Em nada a deliberação do Supremo suprimia a responsabilidade do Executivo de arquitetar, controlar e reunir esforços para o combate à doença. E o que o senhor fez? Nada. Andou de Jet Ski, no lombo de jegues e em motocas feito garoto levado e desobediente para se apresentar como o maioral. Qualquer brasileiro que buscasse, ou ainda procure, deixar a vida em suas mãos ficou em grave perigo. 


O senhor brincou de médico, mergulhou falanges de seguidores no obscurantismo. Moveu uma realidade paralela, negacionista dos fatos, encobrindo evidências que não lhe interessavam e comprometiam seus planos de poder. No comando, não fez nada. Nem durante a pandemia, muito menos antes dela. Não venha com a conversa fiada de que setores não lhe deixam governar. 


O senhor é que não gosta do batente. Planeja usar a estrutura que subjugou para fins totalitários, antidemocráticos, de absoluto controle do Estado. Não estamos em tempos de ditadura, presidente, e nenhum golpe malandro, vil, será facilmente aceito. Esqueça! O Brasil não se resume aos cegos devotos que lhe dizem amém por tudo, mesmo quando sabem serem meras loucuras. 


Tome prumo, honre as calças que veste e deixe de pouca vergonha em declarações e atitudes que beiram à sandice. Assuma seus erros. Sabemos que é impossível. Nunca foi do seu feitio demonstrações de caráter ou de princípios. 


No rol das preferências estão as fake news como ferramentas corriqueiras para engrupir os trouxas. Como assim, cancelar as eleições? Quem lhe dá esse direito? Não pense o senhor que tantos irão cair de novo na ilusão de suas falsas promessas


A “nova política” ao lado do Centrão, do qual agora admite ter sido sempre integrante, está lhe fazendo bem? Não era, repetindo palavras do senhor, a “nata do que existe de pior”, antro de corrupção? 


“Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão”, não dizia um dos generais da tropa do Planalto? Quem ou o que mudou? Deixe de caradurismo.CARLOS JOSÉ MARQUES

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