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terça-feira, 12 de março de 2019

CHUVAS ACIMA DA MÉDIA CAUSAM TRASNTORNO A POPULAÇÃO

Por Rogerio Palhano   Postado  terça-feira, março 12, 2019   Sem Comentários


Há vários anos Fortaleza não enfrentava, no aspecto habitacional, grandes problemas decorrentes de alagamentos e inundações. 

Para famílias em áreas de risco da cidade, como as que residem próximo a leitos de rios, encarar as significativas precipitações da quadra chuvosa atual vem sendo um desafio. O último mês de fevereiro, por exemplo, foi o mais chuvoso dos últimos 10 anos na Capital, segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). 

Enquanto a média histórica prevista para o período é de 163.2 milímetros de chuva, o observado pelo órgão foi de 362.4 milímetros, mais que o dobro do esperado. A cidade não tinha um acumulado tão significativo desde 2011, quando o registrado no mês foi de 338.7 milímetros.

Mas se a Capital em grande parte sofre com problemas de drenagem, fato que potencializa enchentes em ruas e avenidas, é nas áreas de risco onde as águas encontram refúgio, para desespero e prejuízo dos mais vulneráveis. 

Imagens muito comuns no Sudeste hoje se repetem no Conjunto Palmeiras, no Jangurussu e até no Barroso, bairros da Regional VI de Fortaleza: sofás, geladeiras, guarda-roupas e vários móveis suspensos sobre tijolos, fugindo da água barrenta que invade as casas sem anúncio prévio. Com ou sem chuva, a causa do cenário é conhecida: o sangramento da barragem do Rio Cocó, construída em junho de 2017 para evitar inundações em 14 bairros adjacentes. 

O efeito, porém, tem sido frustrado. Na última semana de fevereiro, o volume máximo da barragem foi alcançado e a água transbordou – inundando residências tanto nas áreas ribeirinhas como em pontos mais distantes. No último fim de semana, a barragem sangrou de novo: e, assim como a fartura d’água, os transtornos se repetiram.

Prejuízos

“A água começou a subir pelos bueiros rápido, e as pessoas em pânico. Moro no Barroso I há 30 anos, e isso nunca tinha acontecido. Foi só depois dessa barragem. A gente não mora perto do rio, nossa rua é asfaltada, tem saneamento, minha casa é mais alta que a rua, e ainda alaga. Perdi todos os meus móveis, meu pai tá só com a televisão e uma rede pra dormir”, diz o comerciante Cláudio Rubens, 33.

Segundo ele, o nível da água começou a se elevar por volta das 13h de domingo (10), informação reforçada pela assistente administrativa Amanda Cordeiro, 39. 

“O que nos preocupa é que, depois da construção da barragem, chuva de apenas um dia de duração está alagando nosso bairro, que é bem distante dela”, declara. 

O Barroso é vizinho ao Jangurussu, onde se encontra a barragem, e ao Conjunto Palmeiras, um dos mais prejudicados pelas inundações. No último domingo, a reportagem presenciou casas, comércios e vias públicas tomados pela água, após 30 milímetros de precipitações na Capital.

Moradora do Palmeiras há 23 dos 45 anos de idade, a dona de casa Neci Pereira afirma que há 18 anos não aconteciam inundações na região. 

“O rio não enchia como agora, com essa barragem, que qualquer chuvinha enche. A gente é que sofre. A casa da minha filha ficou pelo meio de água, ela perdeu um guarda-roupa novinho. Muita gente perdeu as coisas”, lamenta

Segundo o diretor de operações da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Bruno Rebouças, a barragem não é a causa dos alagamentos, já que evitou o vazamento de 120 mil litros de água por segundo em direção aos bairros, domingo, impedindo uma inundação ainda maior. Ele negou a abertura das três comportas, “operadas só durante a estiagem”, e atribuiu parte do problema às “ocupações irregulares” às margens do Rio Cocó.

Por outro lado, Bruno explicou como causa das inundações em fevereiro e, consequentemente, no último fim de semana, um conjunto de fatores: “maré alta, impedindo a água do rio de ir para o mar; chuvas muito expressivas em menos de 24h e uma cidade impermeabilizada”. 

Ainda segundo o diretor de operações, “a Cogerh não teve como esvaziar a barragem nesses 15 dias, porque vinha baixando lentamente em parceria com a Defesa Civil”. Com as chuvas do fim de semana, o sangramento foi inevitável.

O prefeito Roberto Cláudio, por sua vez, anunciou, ontem, manter o monitoramento das comunidades mais afetadas numa força-tarefa entre Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e equipes das Regionais, em caso de atendimento a famílias desalojadas. Atualmente, 120 pessoas estão abrigadas no Cuca do Jangurussu, decorrente das chuvas do último sábado.

Segundo o prefeito, das 2.257 famílias cadastradas após as chuvas dos dias 21 e 22 de fevereiro, 1.083 já receberam visita da Defesa Civil, a fim de se avaliar prejuízos e o risco estrutural das residências. Destas, 400 já devem receber o auxílio financeiro anunciado pela Pasta a partir da próxima sexta-feira (15).

Ainda conforme Roberto Cláudio, o cadastro visa identificar as atuais áreas de risco da cidade para que, a médio e longo prazos, seus moradores sejam beneficiados em futuras políticas habitacionais. 

“Ao longo desses cinco anos, já conseguimos retirar 50 áreas de risco da cidade. Só para famílias da área do Cocó, já foram entregues 1.684 apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida, mas em virtude das secas dos últimos anos, o leito do rio causou uma impressão equivocada de que aquela era uma área seca, e as famílias voltaram a construir lá”, disse o prefeito. 

Durante coletiva de imprensa para apresentar ações destinadas à prevenção e à minimização dos impactos negativos da quadra chuvosa, ontem, o prefeito Roberto Claudio anunciou o processo de captação de crédito no valor de R$ 550 milhões para obras de saneamento, drenagem e pavimentação de áreas vulneráveis e com incidência de alagamentos na cidade. 

Entre os bairros a serem beneficiados estão o Jangurussu, Conjunto Palmeiras, Presidente Vargas, Barroso, Passaré, Bom Jardim, Siqueira e outros. O valor será oriundo de recursos nacionais e internacionais. Os trabalhos estão previstos para começar no segundo semestre de 2019.

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