Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) chegam ao final de uma disputa cuja previsibilidade já era baixa na sua
largada, tornando-se mais ainda a seis dias da votação.De hoje até sábado, 3/10, há apenas as pesquisas de véspera. Logo, os concorrentes estarão às cegas no curso da semana, investindo suas baterias nas tarefas que lhe cabem como estratégia derradeira.
No caso do tucano, atacar Fortaleza e a Região Metropolitana, onde, segundo o Datafolha, seu patamar de intenção de voto sofreu erosão considerável - e onde o governador praticamente equilibrou a disputa pela reeleição. Até dias atrás, o ex-presidenciável se mantinha estável no interior, obtendo ótimo desempenho na RMF, de onde arrancava sua vantagem até confortável sobre Elmano. O cenário mudou.
Para o chefe do Abolição, por outro lado, o desafio é assegurar que a sua curva de crescimento não se esgote. Nesse quesito, o governador encara a meta de igualar a peleja no interior, mas também de equiparar os percentuais na Capital. Com um adversário mais popular e menos rejeitado, o gestor terá de apelar a uma resposta inédita: apostar mais na região fortalezense para vencer. Usualmente, dá-se o inverso, isto é, o eleitorado interiorano é que faz a balança pender para um campo ou outro. Por efeito gravitacional, esse prato sempre se inclinou para o lado mais forte.
O peso
Pelo caminho até a votação, há pelo menos um debate importante, o da Rede Globo, transmitido em horário nobre e com audiência cativa e acima do que é a média desses programas. Mas terá o condão de modificar o quadro local? Não se sabe, nem hoje nem depois - apenas dia 4 de outubro. Meu palpite é que, ao menos na faixa dos eleitores indecisos, esse momento pode eventualmente significar alteração na disposição de voto.
O que isso quer dizer? Que, a depender do quão acirrada esteja a diferença entre Ciro e Elmano (ou entre Elmano e Ciro), esse ponto da campanha deve se refletir mais fortemente na queda de braço. À exceção da agenda televisiva, no entanto, a dinâmica da campanha se manterá mais ou menos nos mesmos eixos, com os dois principais candidatos travando batalhas por todo o território estadual.
Lições
No começo da campanha para o Governo do Estado, os prognósticos que apontavam vantagem de Elmano já na abertura da disputa eram fartos. Da base, ouvia-se frequentemente que o petista passaria Ciro ainda em julho, previsão que se esticou para agosto e depois para setembro, até finalmente desaparecer. Agora, há quem esteja comemorando empate técnico a sete dias do pleito como se fosse goleada.
Acontece. Não se pode dizer que não tenha havido, nesse intervalo, um exercício de humildade, ainda que forçado. O fato é que, salvo talvez por 2014, esta é uma corrida com alto grau de indefinição, o que serve de lição para todos os envolvidos no processo, seja no governismo ou na oposição.
Vorcaro?
Daniel Vorcaro cultivava uma rede tentacular de influência, estendendo-se do Ceará a Brasília e deitando raiz mais funda entre aqueles cujo poder de lobby era, por razões óbvias, maior. Daí que Chiquinho Feitosa, dirigente do Republicanos, tenha sido citado em contextos variados nas conversas extraídas pela Polícia Federal do celular do dono do Master, ora facilitando convescotes com o ex-cunhado e ministro Gilmar Mendes, ora transitando lépido e fagueiro pela Esplanada lulista a fim de pavimentar interesses do banqueiro em setores importantes, como o da educação.
De concreto mesmo, todavia, nada há contra o empresário cearense. Mas se supõe que o que exista seja suficiente para constranger a um e outro desavisado do uso eleitoral de Vorcaro. HENRIQUE ARAUJO
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