Sou da ideia que adversário político é adversário político. Em debate não tem conversa mole. Não tem "eu admiro",
"eu respeito". Os dois entram com sangue no olho porque é pra isso que o povo está assistindo.O povo quer ver quem tem coragem de encarar o governo de frente. E estão certos em cobrar isso.
Ontem, logo quando Ciro entrou, já veio com esse discurso de admiração pelo Elmano. Me perdoa, mas não é isso!!!!!
O governo está com a máquina inteira na mão. Tem 98% das prefeituras, tem verba, tem estrutura, tem a caneta. E Ciro tem o povo, tem a rua. Tem a revolta de quem não aguenta mais.
Se você tem o povo, fala com o povo. E ontem, na minha opinião, faltou Ciro Gomes naquele debate. Faltou falar o que o povo quer escutar.
Elmano partiu para o ataque. E Ciro ficou na defensiva, tentando arrumar explicação.
Oposição não fica explicando governo. Oposição cobra, confronta, cutuca.
E teve assunto que passou batido e era pra ter sido o centro:
Segurança Pública: Não se falou da plantação de maconha que apareceu mês passado. Não se falou dos pedágios que o tráfico cobra hoje do comércio. Tem comerciante como Assis da picanha sofrendo ameaça e cobrança de 6 mil reais do tráfico. Isso é o dia a dia do povo. Isso é medo real.
Chacinas: Não se falou das chacinas. O Ceará virou recordista em chacina no Brasil. É corpo no chão, é mãe chorando, é cidade pequena virando estatística. E o debate virou sobre número.
E o formato? Aí também atrapalhou!
Precisamos falar do tempo também.
Esse negócio de responder ataque em 30 segundos mata o debate. O candidato começa a falar, perde a linha de raciocínio porque o relógio está piscando.
Não dá pra aprofundar. Não dá pra rebater. Não dá pra explicar pro povo.
Fica uma gritaria de corte e não sobra conteúdo. Nos próximos convites eu peço: assessores, cobrem da emissora. Copiem o modelo dos debates de São Paulo:
Coloca 20 minutos para cada tema. Deixa o debate correr.
Deixa o candidato responder, contra-argumentar, mostrar dado, mostrar indignação.
Sem essa pressa de "acabou seu tempo". Quando você amarra o candidato no cronômetro, você amarra também a verdade. E quem perde é o povo que está em casa querendo entender.
Nós só temos o povo. Se a gente não falar a língua do povo, se a gente não tocar nas feridas do povo, a gente vai ficar aqui conversando de política sozinho. Debate não é pra fazer amigo. É pra mostrar lado. Ontem faltou lado. Faltou coragem. Faltou tempo.
E enquanto isso, do outro lado, o governo segue com a máquina e com o relógio a favor. AJAX VERAS
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