O debate realizado pelo O POVO no Cariri representou
aumento da temperatura em relação ao anterior, promovido pela Band.Aquele foi antes do começo oficial da campanha, ainda sob restrições. Este é o primeiro com a propaganda eleitoral a correr solta nas ruas e nas redes. O clima, ademais, escalou alguns graus Celsius desde então. Sem deixar de enfocar alguns pontos importantes.
A postura de Ciro Gomes (PSDB) foi outra, reflexo da mudança de estratégia. Foi mais veemente. No primeiro, ele estava intencionalmente contido, numa aparente tentativa de contrabalançar a imagem de hostilidade. Bateu com desenvoltura e humor — e nisso ele pode ser visto em seu melhor. Se há três semanas ele evitou as conhecidas provocações, desta feita ele produziu algumas, talhadas para viralizarem.
Elmano de Freitas (PT), por sua vez, manteve a atitude contundente do debate anterior. Naquela ocasião, ele surpreendeu. Com um Ciro também inesperadamente moderado, as estratégias “se encaixaram”. Nesta quinta, diante do comportamento agora mais agressivo de opositor, o embate ficou mais quente. Nos momentos nos quais a tática mais funcionou, o governador conseguiu colocar o tucano em confronto com o presidente Lula (PT).
A despeito disso, os dois são políticos experientes e trocaram críticas e mesmo acusações, duras em vários momentos, sem resvalar na baixaria, em minha opinião. Os pedidos de direito de resposta foram negados e estou de acordo com as decisões da comissão responsável. Chamar de “mentiroso” ou “coronel”, assim como os apelidos usados, parece-me estar no âmbito ainda da crítica política.
O debate marca um momento da campanha, a cada dia mais quente e intensa. Mas capaz, ainda assim, de não tornar o nível rasteiro.
Papel do horário eleitoral
Nesta sexta-feira, 28, começa o horário eleitoral de rádio e televisão. Uma década e meia atrás, significava praticamente o início de fato da campanha. Hoje a relevância está dividida com os meios digitais, plataformas nas quais o sentimento já é de eleição há alguns meses. Porém, o rádio e a TV seguem muito impactantes, mais do que se imagina. Os programas, inclusive, repercutem nas redes.
O peso maior não é do blocão de candidatos em sequência, ao longo de 25 minutos, duas vezes ao dia. Quando esse começa, muita gente desliga a televisão, vai para o celular, para o streaming, tirar um cochilo ou passear com o cachorro. Mais significativas são as chamadas inserções, fragmentos de 30 segundos a um minuto. Nesses os políticos aparecem no meio da programação. Surgem no intervalo do futebol, no comercial da novela ou do telejornal. Como não há horário fixo, o eleitor é pego de surpresa e tem menos opção de fuga. A pessoa assiste à propaganda política até sem nem se dar conta.
Hoje, ninguém se elege sem uma boa campanha nas plataformas digitais. Porém, também não vence a eleição quem é atropelado no horário eleitoral.
Equilíbrio
Para o candidato, ser visto é importante, como forma de o eleitor saber que ele concorre. Aqueles sem tempo de propaganda saem em enorme desvantagem — e no Ceará, este ano, os únicos a aparecer serão Ciro Gomes e Elmano de Freitas. O espaço de ambos no horário eleitoral é bastante equilibrado. A distância é de 15 segundos. A forte aliança de Ciro evitou as disparidades avassaladoras dos governistas, vistas em algumas ocasiões.
A diferença estará em quem usará melhor o espaço.ERICO FIRMO/ O POVO
RP: ACOMPANHE TODOS OS DETALHES NA RÁDIO PALHANO WEB COM O RADIALISTA ROGÉRIO PALHANO DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA, A PARTIR DO MEIO DIA. NÃO PERCA!!


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