Quando o treinador se oferece para entrar no ringue no lugar do lutador, passa a mensagem de que já não acredita na
vitória do pupilo.Foi exatamente essa a impressão deixada pela reportagem de bastidores publicada por O Otimista.
Segundo a reportagem, Camilo teria condicionado o apoio à candidatura de Júnior Mano ao Senado à sua própria candidatura ao Governo do Estado.
Cid Gomes se recolheu. Não por cansaço, nem mera estratégia de silêncio. É isolamento tático. Cid está dizendo, sem dizer, que não vai negociar com Camilo. Mas Camilo está dizendo que negocia, desde que seja do seu jeito.
Com isso, o ex-ministro volta a sacar sua velha baladeira na direção da candidatura de Elmano de Freitas.
É justamente aí que entra 2030.
Cid nunca escondeu que seu compromisso político é com Elmano. A razão pode ser bem mais estratégica do que afetiva...
Se Elmano vencer em 2026, seu ciclo se encerra em 2030. Abre-se uma sucessão natural. Cid volta ao jogo do poder, podendo dar as cartas no Palácio da Abolição.
Se Camilo voltar ao Governo agora, vai até 2034, deixando Cid de fora. Completamente. Oito anos é uma eternidade na política.
Outra face desta disputa é a dependência que ambos demonstram ter de Cid Gomes. Com ele na chapa, tudo fica mais simples. Sem ele, além da lacuna na competitividade, há um risco enorme de reconciliação entre os dois irmãos. Camilo tenta se equilibrar numa linha tênue: não pode desagradar Cid, mas tampouco fortalecê-lo.
Camilo caminha no fio da navalha.
É uma verdadeira faca de dois Gomes.
E, ironicamente, quem mais saiu diminuído dessa guerra entre os dois generais foi justamente o governador em cujo nome ambos afirmam lutar.
Depois do desastre de comunicação da Fazenda da Maconha, a candidatura de Elmano corre o risco de virar fumaça antes mesmo do início da campanha. A incineração de apenas uma parte da droga deixou para trás uma nuvem de questionamentos sobre segurança pública que não sai da cabeça do eleitor.
E agora se sabe que a maconha não foi destruída, mas enterrada, o que pode vir a ser uma pá de cal sobre seu projeto de reeleição. Vai enterrar de vez sua candidatura.
O que temos aqui é uma guerra fria entre dois homens que governaram o Ceará, que construíram máquinas políticas poderosas, que têm poder de veto sobre qualquer projeto. Elmano está no meio, enfraquecido pela Fazenda da Maconha, pelas críticas à segurança pública, pela sensação de que a base está rachada.
Cid dizia que Camilo faria sombra ao governo Elmano. Agora, a sombra parece ter evoluído para uma assombração. Existe algo pior do que governar sob a sombra do padrinho. É descobrir que o padrinho talvez queira ocupar a sua cadeira.
No fundo, a guerra nunca foi por Júnior Mano.
Nem por 2026.
É por 2030.
Tudo o mais é fumaça. LUCIANO CLÉVER


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