Chegou julho, mês das convenções e prazo definido pelos partidos para fecharem as chapas.
A data-limite é 5 de agosto. De todo modo, o tempo está acabando. Base aliada e oposição vivem seus dilemas. No governismo, as coisas começam a se assemelhar à eleição de quatro anos atrás. As pessoas acreditam que os caciques acabarão se entendendo. Creem num acerto próximo. A decisão demora, é adiada. Em dado momento, Cid Gomes (PSB) submerge.
Em 2022, a aliança rachou e Cid se afastou. As cicatrizes determinam os encaminhamentos da eleição de 2026.
Há muitas diferenças. Uma delas é já haver rumores de longa data sobre problemas e atritos na base. Quatro anos atrás, a imagem era de harmonia. A base mesmo assim rachou que apartou.
Outra diferença: naquela ocasião, soa evidente que faltou comando na articulação. Cid se afastou para não confrontar o irmão; Camilo Santana (PT) não conseguiu influenciar outro partido — o PDT —; Izolda Cela colocou-se tardiamente como pré-candidata, e Ciro Gomes (PSDB), no meio de uma campanha presidencial, falhou em assumir a coordenação.
Desta vez, o problema não aparenta ser esse. Elmano de Freitas (PT) e Camilo parecem sintonizados na condução. Os envolvidos indicam ter clareza do objetivo. O problema, e o impasse, talvez estejam aí.
No pleito passado, Elmano acabou eleito no primeiro turno. Foi inesperado. Naquela época, como agora, ninguém na cúpula deseja uma cisão.
Sem esperar
A deputada federal Luizianne Lins (PT) anunciou que irá se candidatar ao Senado. Pode ser pela coligação governista. Mas, segundo ela, a decisão independe de ter o respaldo de Elmano e Camilo. Se necessário, concorrerá por outra chapa.
Ela mantém conversas com os líderes palacianos. O fato de se lançar à revelia deles pode ser mais um sintoma de desencontros.
Papel de Lula
O presidente Lula visita nesta quinta-feira, 2, o Sertão Central e o Cariri. São bases eleitorais, respectivamente, do ministro José Guimarães e do ex-ministro Camilo. Em outras oportunidades, essas viagens às vésperas de eleições tiveram influência determinante no palanque local. Certamente haverá conversas importantes. Sem passagem pela Capital desta vez, o alcance da influência do presidente pode ser mais limitado.
Impactos no PL
Na oposição, a definição sobre o Senado se tornou ainda mais conturbada, ao menos neste momento, do que na situação. Transformou-se numa crise nacional no bolsonarismo. O desenrolar é surpreendente. Os gestos de Michelle Bolsonaro indicam rompimento público e barulhento com o enteado Flávio Bolsonaro (PL).
Ciro faz o possível para se blindar, mas o bolsonarismo está atônito nacionalmente. E trata-se de um dos pilares da candidatura tucana no Ceará. ÉRICO FIRMO


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