Atribui-se a Virgílio Távora a frase segundo a qual o Ceará se acha o umbigo do mundo.
Às vezes, parece ser mesmo. Neste momento, o bolsonarismo gira, ou capota, em torno do Ceará. As consequências começam pela montagem da chapa de Ciro Gomes (PSDB) e desembocam no palanque de Flávio Bolsonaro (PL).Imagino, fora do Estado, as pessoas em busca de entender como um partido do tamanho do PL, com Flávio frente a perspectivas palpáveis de ir ao segundo turno e com chance de vitória, de repente se vê mergulhado em crise por causa de um estado fora do espectro dos mais importantes econômica e politicamente.
Turbulência essa relacionada à defesa da pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo) a governador, não posicionado hoje entre os favoritos, e de Priscila Costa, ex-vereadora recém-empossada como deputada federal.
Mas, sim, o Ceará bagunça o bolsonarismo nacional.
A oposição local tenta evitar que a questão da família tumultue o palanque estadual.
A fala de Michelle
Michelle Bolsonaro (PL) desencadeou a crise ao, em síntese, abordar três pontos:
- Critica o apoio a Ciro Gomes, relembra falas dele contra os Bolsonaro e defende que o PL não o apoie no primeiro turno.
- Defende enfaticamente a candidatura de Priscila Costa (PL) ao Senado. Ainda bate duro em André Fernandes (PL).
- Confronta a postura de Flávio Bolsonaro em relação a ela.
Como Ciro Gomes é afetado?
Algumas consequências:
Para Ciro, traz incertezas para o palanque e a montagem da chapa. Os acordos e o desenho feitos estão ameaçados. Michelle não sinaliza disposição para desistir facilmente. Caso seja enquadrada, tampouco aparenta que ficará quieta durante a campanha.
Isso afeta um eleitorado particularmente sensível para o tucano. Ele demonstra desejar o apoio do PL, mas sob o mínimo de holofote possível. De preferência, sem ter de falar do assunto — as mais naturais indagações o tiram do sério. As perguntas aumentam em quantidade e relevância.
Como Flávio Bolsonaro é afetado?
O problema, neste momento, parece-me maior ainda para Flávio Bolsonaro. Muito se tem discutido sobre a relevância de gestos de Michelle em relação ao filho Zero Um do marido dela, Jair Bolsonaro (PL).
Ela se distancia mais, de forma pública, com argumentos detalhados. O discurso da madrasta se volta para o eleitorado feminino, onde o bolsonarismo tradicionalmente encontra mais dificuldade.
Tudo isso na véspera do fim do prazo da prisão domiciliar do marido, sob risco de voltar para a Papudinha.ÉRICO FIRMO


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