A equipe de Flávio Bolsonaro (PL) divulgou a resposta dada pelo secretário de Estado do governo Donald Trump, Marco
Rubio, à carta enviada pelo pré-candidato a presidente, na qual pedia aos Estados Unidos para não aplicar novas tarifas sobre as exportações brasileiras.O pré-candidato deve querer muito mudar o assunto do vídeo de Michelle Bolsonaro (PL). A carta é comprometedora.
Rubio justifica novas sanções ao Brasil e aponta as divergências entre os países. A lista inclui comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — o Pix —, tarifas preferenciais apontadas como injustas, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado do etanol e desmatamento.
O mais grave: menciona a “generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso seja eleito”.
Como é a história? O candidato a chefe do Poder Executivo do Brasil disse a um governo estrangeiro que, no caso de ser escolhido nas urnas, colocará uma equipe de transição à disposição daquele país?
Como é isso mesmo? Que conversa é essa? Como funcionaria? A que se prestaria?
Teria objetivo de ver como atender as demandas de Washington? Compartilharia informações com o governo estrangeiro?
O Brasil está sabendo disso agora. É bastante complicado que um postulante a presidente, com chances concretas de vitória, mantenha tais tratativas com outra nação.
Isso diante do histórico de intervenções da Casa Branca em eleições no Exterior, e quando há receios de repetição desse passado não suficientemente distante.
Dívida e favores
A família Bolsonaro está em dívida com o governo Donald Trump. Eduardo Bolsonaro (PL) aperreia há mais de ano por ação em favor do pai dele. Chegou-se ao ponto de colocar o Brasil no maior patamar de tarifas no planeta. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi punido com base na lei Magnitsky, situação posteriormente revista. O julgamento de Jair Bolsonaro (PL) foi uma das razões deliberadas da medida.
Flávio Bolsonaro hoje tenta mostrar-se contrário às sanções. A carta foi uma tentativa nesse sentido. Na época das primeiras retaliações, em julho do ano passado, o filho de Jair defendeu nas redes sociais suspender o tarifaço e aplicar punição individual. Porém, ele apagou e disse se arrepender da publicação. "Porque eu não quero ficar parecendo que estou fazendo alguma análise se o Trump está certo ou errado”, disse, bastante corajoso e altivo.
Falou ainda que a solução para as punições dos Estados Unidos estava no Brasil, responsável por fazer “o dever de casa”.
Se Flávio Bolsonaro chegar ao Planalto, qual a autonomia ele terá perante o governo Trump? Porque você pode gostar de Donald Trump, admirar o país dele. Mas o governo brasileiro precisa ser autônomo e defender a própria nação.
O Brasil já teve muitos governantes entreguistas, mas desconheço algum caso cujas evidências tenham se escancarado na própria campanha. ÉRICO FIRMO


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