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segunda-feira, 25 de maio de 2026

LUIZIANNE LINS EXPÔE CRISE COM CAMILO SANTANA E TRAVA DIÁLOGO DE ALIAMÇA NA CHAPA DE ELMANO DE FREITAS

Por ipuemfoco   Postado  segunda-feira, maio 25, 2026   Sem Comentários


A deputada federal Luizianne Lins, recém-filiada à Rede Sustentabilidade, volta a causar tensão na base do PT. 


Em recentes entrevistas, além de detalhar todo o processo de isolamento do seu grupo político nos últimos anos, no qual foi percebido um “processo de destruição” de sua história na sigla, ela ainda ressaltou que o presidente Lula “está mal informado” sobre a política cearense, numa clara crítica ao senador Camilo Santana, seu mais ferrenho adversário no petismo cearense.


Luizianne, que fez parte da segunda geração do PT no Ceará, onde desempenhou papéis de destaque como vereadora, deputada estadual, prefeita de Fortaleza (eleita e reeleita) e deputada federal, revela profundo desapontamento com os rumos tomados pelo partido nos últimos anos. Ela destaca que não se reconhecia mais no PT, e faz duras críticas à atual estrutura de poder que comanda o grupo no Ceará.


Ela aponta que, desde 2021, não participava dos eventos do PT e que houve uma movimentação interna na legenda, comandada por pessoas que passaram a dominar a máquina partidária com o intuito claro de destruí-la politicamente. Longe de uma transição pacífica, suas declarações reforçam um cenário de asfixia política e apontam o dedo diretamente para os novos donos do poder na máquina partidária estadual. “Toda a movimentação era para me destruir. Isso foi muito claro para mim”, desabafou.


O estopim para o afastamento definitivo foi o que ela chama de perda de identidade ideológica do partido. A deputada apontou uma manobra recente que considerou inadmissível: a filiação de 40 mil pessoas ao PT cearense em apenas quatro meses, sendo 20 mil delas somente em Fortaleza. “Isso não é razoável”, critica Luizianne, sinalizando que a estratégia serviu para inflar artificialmente correntes internas e sufocar a ala histórica que ela representava.


Para a ex-prefeita, o presidente Lula, a quem ela apoiou de perto, inclusive integrando a executiva nacional durante os anos em que o presidente esteve preso em Curitiba, foi “mal informado” sobre a real situação política do Ceará. Os principais interlocutores de Lula no Estado, o ex-ministro Camilo Santana e o deputado José Guimarães, são vistos como os artífices desse novo desenho que isolou a ala luiziannista.


Memória de 2022

O ponto mais agudo da crise expõe a ferida aberta na relação entre Luizianne e o grupo de Camilo Santana. A deputada fez questão de resgatar a coerência histórica do governismo cearense, lembrando que a lealdade a Lula no Estado nem sempre foi unânime entre os que hoje comandam o palácio.

“Camilo apoiou Lula pela primeira vez em 2022”, disparou Luizianne, estendendo a crítica ao prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão: “Não me lembro do Evandro apoiando Lula até 2022”.


O esvaziamento do diálogo interno foi tamanho que Luizianne revelou não falar com o governador Elmano de Freitas há um ano, e garantiu que nunca conversou com ele ou com Camilo sobre sua saída do PT. O diálogo, segundo ela, foi substituído pelo avanço de um grupo que passou a dominar a máquina. Suas únicas interlocuções de alto nível antes de bater o martelo foram três conversas com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Desta forma, ela deixa claro que não houve nenhum apelo do grupo de Elmano e Camilo para que ela permanecesse filiada ao PT.


Agora na Rede Sustentabilidade (onde ingressou sob a ala da “Rede Eco Socialista”, ao lado de nomes como Pedro Ivo), Luizianne declarou oficialmente pré-candidatura ao Senado e estipulou o meio de junho como prazo final para definições. No entanto, o plano dessa pré-candidatura estar na base de apoio ao governador Elmano de Freitas enfrenta pesados obstáculos políticos. 


Na chapa governista, já há um grande número de postulantes, a partir de compromissos assumidos por Camilo Santana. A entrada de Luizianne na disputa majoritária esbarra diretamente nos interesses do deputado Eunício Oliveira (MDB), tradicional aliado de Camilo, que pleiteia uma das vagas ao Senado. A presença de Luizianne tensiona essa aliança e pode prejudicar os planos do emedebista.


Após romper acusando o diretório de “tentativa de destruição”, o grupo de Camilo Santana e Guimarães dificilmente dará legenda ou espaço confortável para que Luizianne componha a chapa oficial, forçando-a a uma candidatura independente ou de enfrentamento por fora do blocão governista.


Na Federação Rede Sustentabilidade-PSOL, a maioria dos integrantes na direção estadual é filiada ao PSOL, que já apresentou como pré-candidato ao Governo o professor e sindicalista Jarir Pereira. A decisão foi, inclusive, confirmada pelo diretório estadual da legenda. OTIMISTA


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