Os resquícios de 2022.
Se cada missionário, líder político, guru, mentor, pensador que passou pela terra tivesse pensado apenas em si, o mundo seria um lugar bem pior.
A partir de uma reflexão social, percebeu-se que sem senso de coletividade, o progresso da civilização não poderia ocorrer na velocidade que se necessitava.
As relações sociais foram minimamente normatizadas, tanto em âmbito público quanto privado: nascia o pacto social ou contrato social, conforme descreveram de diferentes formas Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau.
O homem já não podia mais controlar-se a si próprio, tornando-se um risco para si e para seus pares.
Uma sociedade pacificada, além de ser o objetivo natural de todos nós, também era (e ainda é) fundamental para a sua evolução nas diferentes searas: tecnológica, econômica, financeira, política, social…
Salvo eventos extremamente subjacentes, envolvendo geopolítica, os quais desencadearam grandes conflagrações entre nações (os quais continuam ocorrendo), o natural é que o homem consiga manter o respeito aos direitos dos seus coirmãos em sociedade.
À exceção disso, nasce o direito de o Estado-juiz agir, no intuito de aplicar o ordenamento jurídico - É aquela função que o Estado desempenha na pacificação ou composição dos litígios.
Nós nos organizamos em muitas aldeias globais e, durante os muitos estágios da formação dos Estados modernos, passamos da monarquia absolutista ao que conhecemos hoje como República, onde os principais órgãos do Estado são regidos, de forma direta ou indireta, por cidadãos civis ou por eles eleitos, no caso desses últimos, para mandatos com prazo definido.
Nasceram sindicatos, partidos políticos e diversas outras entidades privadas, aos quais também têm forte participação e influência na organização e gerência do Estado.
Os partidos políticos, enfoque principal da nossa missiva, são dotados de autonomia para organizar-se, gerirem seus recursos e promoverem as tomadas de decisões conforme estatutos partidários, aprovados em assembleias, bem como concorrerem em eleições a cada dois anos, de forma isolada ou coligados (atualmente, utiliza-se o também o termo federação).
Pois bem, feita esta pequena digressão, nos atemos aos fatos do passado recente que têm sacudido os bastidores da política cearense, especialmente nas fileiras do PDT.
Para lembrança de todos, o ex-ministro Ciro Gomes, que também foi prefeito de Fortaleza, Governador do Ceará e deputado Federal, tendo iniciado sua carreira como deputado estadual, nos anos 80, foi um aliado do também ex-governador Tasso Jereissati, findando parceria política em 2006, quando da reeleição do então governador Lúcio Alcântara, PSDB.
Com o apoio de Ciro, Cid Gomes elegeu-se governador, derrotando o ex-aliado.
A partir daí, iniciou-se um ciclo que os analistas políticos denominam de era dos FG’s, em referência ao sobrenome da família de Ciro (Ferreira Gomes), advindos de Sobral.
Cid foi reeleito em 2010 e elegeu o sucessor em 2014 e 2018, o então secretário estadual Camilo Santana, do PT, com a ajuda de Ciro, também elegeu-se Senador.
Aqui, vale um pequeno adendo, pois em 2014 havia bastante risco na eleição de Camilo, tendo em vista o seu baixo desempenho nas pesquisas, em comparação ao adversário, Eunício Oliveira: Mais uma vez o Ciro mostrou-se providencial e decisivo, indo para a linha de frente da campanha, coordenando pessoalmente diversas reuniões, eventos políticos e dando entrevistas ao seu melhor estilo, ou seja, convincentes e vaticinante - todos sabem da oratória quase imbatível de Ciro. Resultado: Camilo foi ao segundo turno e derrotou Eunício Oliveira.
Todos sabemos do amor que o Ciro dedica ao Ceará, mas de igual forma, é público o seu desejo de comandar o país, já tendo postulado a Presidência da República quatro vezes: 1998, 2002, 2018 e 2022.
Exceto em 2022, Ciro não foi o candidato mais votado aqui no Ceará.
Talvez resida aí a grande decepção de Ciro com o irmão, senador Cid Gomes.
Cid apoiou abertamente o candidato do PT, Lula, já no primeiro turno, em detrimento de Ciro, do PDT.
O resultado foi catastrófico, levando Ciro ao quarto lugar ao nível nacional, atrás de Simone Tebet, do MDB.
Ora, é fácil se colocar no lugar do Ciro, tendo em vista que as projeções já davam como certo um segundo turno entre Lula e Bolsonaro: era uma questão de honra o Cid e o Camilo terem apoiado a sua candidatura, uma vez que não faria qualquer diferença no panorama nacional.
Não faria para Camilo, nem para Cid, nem para Lula, nem para Elmano, nem para o PT, mas para Ciro foi um duro golpe, talvez por isso, tenha qualificado como uma “facada pelas costas”....
Eu encerro este longo texto, imaginando que tudo poderia ter sido tão fácil!
Disputas inglórias, patrocinadas por interesses pessoais, a fim de alimentar vaidades: eis um dos grandes males da humanidade….
Ciro, tu és uma reserva moral da política, a história já reservou um lugar de especial destaque para ti: honra, dignidade e honestidade passarão a fazer parte do teu nome!!!!
Edson Cleiton Pereira Sousa, advogado, filiado ao PDT.
RP: O SEU ENCONTRO AGORA É TODA QUARTA-FEIRA,AO MEIO-DIA NA RÁDIO PALHANO,COM O RADIALISTA ROGÉRIO PALHANO. A VERDADE NUA E CRUA, DOA A QUEM DOER!!


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