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sexta-feira, 29 de abril de 2022

LULA: CAMPANHA NÃO CONSEGUE ACERTAR O TOM E MUDA O PUBLICITÁRIO

Por ipuemfoco   Postado  sexta-feira, abril 29, 2022   Sem Comentários

 


A seis meses da eleição, o partido enfrenta problemas de comunicação e afasta Franklin Martins. Enquanto isso, diminui a vantagem de Lula sobre Bolsonaro.


Até hoje, a estratégia de “jogar parado” tem funcionado para o ex-presidente Lula em sua pré-campanha presidencial. Mas essa tranquilidade tem sido cada vez mais ameaçada pela reação de Jair Bolsonaro, que sepultou a ideia de uma vitória no primeiro turno, e pelas declarações erráticas do petista que têm deixado os aliados de cabelo em pé. 


A crise escalou na última semana, com o afastamento do coordenador de comunicação, o jornalista Franklin Martins. Ele deixou o posto depois da demissão do marqueteiro Augusto Fonseca, a quem tinha avalizado. A fritura de Martins já durava várias semanas. O processo que culminou com a demissão de Fonseca foi alimentado pelos atritos do ex-coordenador com o secretário de comunicação do PT, Jilmar Tatto. 


Os dois estavam em pé de guerra numa disputa pelo controle da campanha. Tatto atirou no marqueteiro para atingir seu verdadeiro alvo, Franklin – que permanece abrigado na seara petista por ser bastante ligado a Lula, de quem foi ministro, e por estar ao lado do ex-presidente desde o início do projeto da reeleição.


Augusto Fonseca foi comunicado da demissão pela presidente da legenda, Gleisi Hoffmann. A versão oficial: “razões administrativas e financeiras”. A empresa do marqueteiro havia apresentado um orçamento de R$ 45 milhões. Nos bastidores, integrantes da cúpula petista ligados a Tatto e a Gleisi vinham fazendo circular a versão de que o material de campanha de Lula não estava acertando o tom, alimentado a fritura do profissional. 


Para o seu lugar foi convidado Sidônio Palmeira, responsável por campanhas vitoriosas do PT na Bahia. Já para a coordenação da campanha, o mais cotado é Edinho Silva, prefeito de Araraquara e ex-ministro da Comunicação de Dilma. Dele se espera que ponha um freio de arrumação no rumo da campanha, que segue sem estratégia, como um tanque desgovernado, provocando estragos.


Lula continua acumulando equívocos – tanto pelo que diz quanto pelo que não diz. Na terça-feira, 26, ele achou que era uma boa ideia “arrumar treta” na internet e falou sobre uma eventual manipulação de votos do BBB 22. “Tem um cara lá que tem mais dinheiro e montou uma fábrica de computador pra mandar mensagem pra votar nele”, disse o ex-presidente durante uma coletiva para youtubers realizada em São Paulo. 


Ao mesmo tempo, perdeu o timing – e a oportunidade – de se posicionar sobre o questionável indulto concedido pelo seu principal adversário, Jair Bolsonaro, ao deputado Daniel Silveira por ataques à democracia. Sobre esse assunto, o petista só abriu a boca cinco dias depois. E foi lacônico. Classificou o ato como “medíocre” e o presidente como “estúpido”. 


Lula já havia dado várias outras declarações polêmicas: defendeu o direito ao aborto, disse que os ricos eram escravistas e que a classe média brasileira gosta de ostentar. Também tem sido acusado pelos seus detratores de ter entrado “de salto alto” na campanha. Enquanto isso, as pesquisas eleitorais revelam que, embora siga na liderança, a vantagem que tinha sobre Bolsonaro vem diminuindo cada vez mais. É um dos preços que o partido paga por desperdiçar tempo e energia numa disputa interna pela coordenação da campanha.


Dentro da legenda, há quem atribua esse ambiente conflituoso a Gleisi Hoffmann, que gosta de fomentar disputas ideológicas. Um dos motivos do descontentamento com Franklin Martins no grupo de Gleisi e Tatto, aliás, seria o fato de que ele nunca se filiou ao PT. Foi sem a participação dela que Lula se aproximou de Geraldo Alckmin, hoje seu vice. Além disso, há quem atribua a Gleisi o fracasso na formação de uma federação com o PSB e a dificuldade de atrair outros partidos, como o PSD de Gilberto Kassab.


Em oposição a Gleisi, petistas que defendem a busca por votos no centro avaliam que, pelo bem do partido e da campanha de Lula, neste momento seria mais produtivo se a comunicação da campanha estivesse nas mãos de alguém com um perfil mais moderado, como o do senador Jacques Wagner. Enquanto o imbróglio não se resolve, e a menos de seis meses da eleição, o PT segue confirmando seu imenso talento para tropeçar sobre as próprias pernas.ISTOÉ

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