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sexta-feira, 1 de outubro de 2021

AS MIL E UMA NOITES DO BOLSONARISMO

Por ipuemfoco   Postado  sexta-feira, outubro 01, 2021   Sem Comentários



Alguns preferem falar em gangorra de emoções. Está mais para um salto cego em fosso escuro e sem fundo. Uma tenebrosa viagem aos confins da ignorância e da loucura coletiva. 


O País, a contragosto, foi levado de rodo para a bestial epopeia da mentira e do mundo paralelo de um certo capitão. Teve de se acostumar com as asneiras do negacionista que promovia sabotagem contra a mais grave crise sanitária jamais enfrentada pelo País. As mil e uma noites do bolsonarismo aloprado serviram de base a um desastre que levará anos para ser superado. 


O Brasil desmontou. No campo da Educação, da Saúde, das Relações Externas, dos Direitos Humanos, da Economia, dos avanços sociais e do controle Ambiental. Não é mais o mesmo. Retrocedeu décadas em inúmeros indicadores. Viu renascer a inflação, os juros altos. Bateu recordes de desemprego. 


Queimou etapas rumo ao obscurantismo e ainda teve de conviver com a ameaça tacanha de um mandatário sedento por derrubar os fundamentos democráticos, ameaçando inclusive a realização de eleições. 


Um ser perverso, insensível, capaz de desdenhar da dor alheia, fazer pouco caso do dramático índice de quase 600 mil mortos pela Covid (a “gripezinha”), que estimulou aglomerações e a quebra de medidas preventivas para evitar o pior da pandemia, esteve no comando por esse longo interregno de experiências sofridas. 


Bolsonaro encarnou o perfeito retrato do que há de pior em termos de administração pública. E está evidenciado em fatos. Dias atrás, os brasileiros ficaram sabendo que o governo teve de jogar no lixo, literalmente, milhares de testes, remédios e vacinas, com prazos de validade vencidos e que não foram distribuídos à população por falta de organização, planejamento, competência. 


Talvez melhor chamar pela definição exata: por irresponsabilidade absoluta. Os produtos inutilizados pelo Ministério da Saúde somam mais de R$ 80 milhões e 32 tipos de insumo. Documentos da própria pasta alertam sobre o desperdício, lembrando que as autoridades foram avisadas ao menos duas vezes sobre a proximidade do vencimento desses imunizantes, soros, diluentes, testes. 


Cerca de 18 mil kits para detectar a Covid estragaram sem uso, muito embora a Nação precisasse e aguardasse ansiosamente por eles. E o que é pior: para o mandatário, o episódio é mero detalhe, irrelevante, que pouco importa. 


O capitão não gosta de máscara, abomina o isolamento, adepto da ideia de que vacina não serve, podendo, sim, transformar alguns em jacaré. É o homem das motociatas, cavalgadas e passeios de Jet Ski. É o espetaculoso bedel de uma ópera bufa. Jamais serviu ou atendeu às demandas inerentes ao cargo. Ocupou o Planalto apenas para o próprio deleite.


As mil e uma noites do bolsonarismo foram, decerto, um vendaval de horrores, dor e morte. Um lapso incomensurável de tempo no qual a miséria, a fome e a carestia encontraram guarida para avançar com fôlego. O pesadelo ainda está em vigor. Da propaganda patética frente a emas com a droga da cloroquina à anárquica bizarrice encenada direto da tribuna da ONU, Jair Messias Bolsonaro mostrou-se como a imbecilidade em pessoa. 


Com os prejuízos inevitáveis dessa postura irradiando para todos aqueles sob a sua liderança e que dependiam das deliberações dele — essas sempre desestabilizadoras. 


Quem há de promover sobrevida no poder a um paspalhão genocida de tal envergadura? Quem ousa imaginar futuro nas mãos desse senhor? 


É preciso estar tomado por uma febre alucinógena típica de seguidores de seita, embevecido e sem elo com a realidade, frente a tantas aberrações cometidas por aquele que é, com certeza, o pior presidente que jamais antes na história, desde a instauração da República, ocupou a cadeira de comando.


As mil e uma noites do bolsonarismo deixarão marcas. Terríveis, cada uma delas. Quem há de esquecer a sua propensão ao fascismo, ao autoritarismo desmedido, à realidade paralela onde as fake news e o enxovalhamento de reputações viraram hábito? 


Especialistas discutem atualmente os custos psicológicos do bolsonarismo. As fanfarras do capitão contaminaram muitos, mas deixou um ar de perplexidade e revolta na maioria consciente. Não se trata apenas do legado de insensatez que ele está difundindo. Mais grave ainda é a destruição deliberada de princípios civilizatórios que hoje coloca o Brasil no clube do atraso, tratado como pária do mundo, dada toda sorte de maus caminhos traçados até aqui. Para ficar em um único exemplo, atualmente existem três vezes mais armas nas mãos da população que há dois anos. 


Os desmatamentos e queimadas nunca foram tão intensos. A pesquisa científica sucumbiu. A fuga de talentos nacionais virou realidade e a diáspora diz muito do empobrecimento cultural interno. Investimentos em universidades, no ensino básico, na rede pública, foram cortados violentamente. A estrutura, sucateada. 


Nem mesmo o censo estatístico, imprescindível para traçar as mais diversas análises de comportamento social, é realizado desde que o capitão tomou posse. Ele congelou os recursos para tanto. Um País sem bússola, em meio a brumas de ignorância, tendo no leme o patético condutor.


As mil e uma noites do bolsonarismo não entregaram nada a que comemorar. Por ações e omissões, o governo de Jair Bolsonaro inspirou a violência desmedida, a deterioração do tecido social. O MEC converteu-se em laboratório de experiências abomináveis, nada educativas e ideológicas, baseadas na lorota da escola sem partido. A indigência dos mais necessitados acentuou-se. 


Os conchavos, esquemas escusos de apadrinhamento e de tratativas irregulares em negócios públicos, da compra de vacinas com sobrepreço à distribuição de recursos em orçamentos paralelos e pedalagens financeiras ilegais sem fim ficaram evidentes e demonstraram que não há nada de ilibada na propalada gestão não corrupta — que abafou laranjais de propina da primeira-família e buscou enterrar as investigações da Lava Jato. Os escombros dessa política deletéria e inconstitucional estão à mostra em praça pública para todo mundo ver. 


Não há nada de bom-mocismo em um Messias incendiário que mandou o povo trocar o feijão pelo fuzil. Que zombou da falta de ar dos doentes acamados em UTIs dos hospitais. Que estimulou e promoveu a invasão de terras indígenas por ruralistas, madeireiros e garimpeiros ilegais sem nenhuma resistência policial. 


Que tentou impor, nos mais altos postos da Justiça, o fundamentalismo religioso, contrariando a noção do Estado laico. Que aparelhou, financiou via Secom e deu liberdade total a falanges do ódio e blogueiros da esgotosfera para que arquitetassem via redes digitais um conceito de anarquia comportamental típica de marginais.


No interregno das mil e uma noites do bolsonarismo ao menos 19 ministros e dezenas de técnicos de segundo e terceiro escalões deixaram seus cargos ou foram destituídos, em um festival de trocas que demonstra a ausência da mais elementar coerência de gestão. O primarismo de visão, os rompantes reacionários, a escassez de estratégias para tirar o País do buraco prevaleceram. 


Com uma caneta Bic nas mãos e a falta de ideias na cabeça – que não a de se manter no cargo a qualquer custo -, Jair Bolsonaro traçou um desenho infantil de golpismo bananeiro e falhou fragorosamente, condenado desde então ao isolacionismo como castigo pela malcriação fora de esquadro. Não há por que esperar uma conversão legítima do capitão ao bom senso. Nunca ocorrerá. Seus desmandos são e continuarão frequentes. 


A inepta capacidade para entregar algo de digno e a inércia fora dos padrões aceitáveis já deveriam ter sido suficientes para demovê-lo do cargo. Não aconteceu. Resta esperar pelo fim do mandato e pela próxima eleição. As mil e uma noites do bolsonarismo servem apenas para aprender com o que aconteceu e para buscar evitar que algo, sequer parecido, volte a se repetir por essas paragens. 


Que nunca mais a demência, o extremismo, a falta de escrúpulos e de responsabilidade tenham lugar no governo desse País.CARLOS JOSÉ MARQUES

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