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sexta-feira, 25 de junho de 2021

EX-MINISTRO; CADEIA PARA SALLES

Por ipuemfoco   Postado  sexta-feira, junho 25, 2021   Sem Comentários

 


Em dois anos e meio no governo, ex-ministro fomentou a destruição ambiental, favoreceu criminosos e está sendo investigado em dois inquéritos da PF por corrupção ativa. Sua saída foi comemorada, mas nada se espera do novo titular da pasta, Joaquim Leite, adversário dos indígenas.


A boiada passou mas esmagou o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que não resistiu à pressão policial e à política internacional que exigia sua saída, levando-o a pedir demissão do cargo, quarta-feira 23, ao presidente Jair Bolsonaro. Enrolado até o pescoço, ele, agora, pode responder sem foro privilegiado ao cerco judicial que se fecha em torno de seus prováveis ilícitos. 


Pesam sobre Salles acusações consistentes de corrupção ativa favorecendo o contrabando de madeira amazônica, de movimentações financeiras atípicas no seu escritório de advocacia e de criação de todo tipo de facilidade para criminosos ambientais ao longo de seus desatinos à frente da pasta. 


A ISTOÉ revelou em maio a relação escabrosa do ministro com grileiros de terras públicas no Pará, abrindo a escalada de denúncias que levaram à sua queda. Diante da situação insustentável, o pedido de demissão foi um acerto com Bolsonaro, que precisava se livrar de um estorvo e viu a oportunidade de apresentar uma notícia poderosa para tentar desviar a atenção do escândalo da vacina indiana Covaxin, que estourou na manhã da quarta-feira.

Ambientalistas do Greenpeace e da WWF acreditam que Joaquim Leite (aqui), novo titular da pasta, manterá a mesma política destrutiva do antecessor (Crédito:Marcos Oliveira)


No lugar de Salles, assume o administrador Joaquim Álvaro Pereira Leite, que ocupava o cargo de secretário da Amazônia e Serviços Ambientais no Ministério. Embora tenham comemorado a saída, os ambientalistas, como os da organização Greenpeace e da WWF, não acreditam em uma mudança estratégica e são céticos em relação a Leite, aliado de garimpeiros e pecuaristas e disposto a manter a mesma política do antecessor. 


O novo ministro é de uma família de fazendeiros de café com longa tradição de disputa fundiária com indígenas em São Paulo. Seu pai, Joaquim Álvaro Pereira Leite Neto, reivindicava na Justiça a posse do território da Terra Indígena Jaraguá, uma área de 532 hectares entre São Paulo e Osasco onde vivem membros das etnias Guarani e Ñandeva. Um documento produzido pela Fundação Nacional do Índio (Funai), em 2013, mostra que capatazes a mando do pai do novo ministro tentaram expulsar uma família indígena da área e destruíram sua casa.

Interesses escusos

Será difícil, porém, superar Salles no quesito barbárie. O ex-ministro deixou um rastro de destruição, marcado pelo recorde de devastação da Amazônia e pelas queimadas históricas do Pantanal e não tomou nenhuma medida positiva, de preservação da natureza e proteção dos povos da floresta. Sua missão era favorecer interesses de grupos empresariais e a expansão agrícola desenfreada. 


Na entrevista coletiva concedida depois de sua saída, falou que respeitou “o agronegócio, empresários de todos os setores, da mineração e do setor mobiliário”, sem citar alguma questão mais específica da pasta como o respeito ao meio ambiente. Ele declarou que deixa o cargo “de forma mais serena possível”, algo que terá dificuldade de manter daqui para frente. Salles nega ter cometido qualquer malfeito durante sua gestão.


Seus problemas são bem complexos e o perseguirão nos próximos anos. A Polícia Federal está no seu encalço. No mês passado, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal(STF), autorizou a PF a levar adiante a Operação Akuanduba, que investiga como Salles, apoiado pelo então presidente do Ibama, Eduardo Bim, abriu a porteira para regularizar oito mil cargas ilegais de madeira, principalmente de ipê e jatobá, contrabandeadas para os Estados Unidos. 


Favorecendo as investigações, Moraes autorizou, no últimos dias, o envio do celular de Salles para os Estados Unidos para que seja desbloqueado e periciado. O ex-ministro enviou o aparelho para a polícia com 19 dias de atraso, mas não revelou a senha. 


No mesmo inquérito foi verificado que o escritório que o ex-ministro mantem em sociedade com a mãe teve uma movimentação “extremamente atípica”, discrepante do faturamento mensal, de R$ 1,78 milhão em 2019, quando ele já estava no governo.

Militares comemoram

Desde o início do mês, corre também, com autorização da ministra do STF, Cármem Lúcia, outro inquérito da PF, a Operação Handroanthus, que investiga a possível prática de crimes de Salles com o propósito de prejudicar a ação fiscalizatória da polícia contra destruidores da floresta. 


O delegado Alexandre Saraiva, ex-chefe da PF no Amazonas, foi autor da notícia-crime encaminhada ao STF. Saraiva acusa Salles de obstruir investigação ambiental contra madeireiros. Dentro do governo, a saída de Salles foi bem recebida. A ala militar e a cúpula das Forças Armadas, em especial, saudaram a demissão, por considerarem o ex-ministro incompetente e com alto risco judicial. 


Caberá agora a Ricardo Salles responder pelos seus atos, que contribuíram, decisivamente, para a destruição ambiental jamais vista na história do País. Ele saiu para não contaminar o governo: sua prisão é dada como certa.


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