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domingo, 8 de julho de 2018

UM MINISTÉRIO QUE VIROU DEPÓSITO DE DELINQUENTES

Por Rogerio Palhano   Postado  domingo, julho 08, 2018   Sem Comentários

O governo do Temer está tão desmoralizado que parece natural a Polícia Federal entrar no Ministério do Trabalho e arrastar pela orelha o ministro Helton Yomura destituindo-o
do cargo à força por ordem do ministro do STF, Edson Fachin. 

Ali, as investigações concluíram que o PTB montou uma máfia para vender registros sindicais a novos pelegos de olho no FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – e negociar outras benesses que engordam a conta dos dirigentes dessas entidades que deveriam, em tese, defender o trabalhador, mas que na realidade viraram casas de delinquentes para extorquir dinheiro público.

O PTB, chefiado pelo ex-deputado Roberto Jefferson, é o partido que escolhe o ministro. É também quem decide os cargos do segundo escalão de pessoas que vão trabalhar a soldo dos políticos filiados e seus parceiros meliantes. Entra ministro e sai ministro, os ratos continuam lá dentro devorando o que ainda resta de verba para os convênios trabalhistas. 

Nada mudou, pois, a turma do Jefferson é a mesma, só mudam as caras e os métodos de ataque aos cofres. O governo, que está se desmilinguindo, para se manter no poder submete-se aos interesses desses políticos mantendo lá dentro a quadrilha petebista.

Nada mais surpreende a população nesse governo. Pendurado em processos que apuram desvio de dinheiro das empresas das Docas de Santos para suas campanhas, Temer – o presidente mais impopular do mundo – vai se mantendo no cargo a trancos e barrancos até que deixe o poder direto para a Papuda. 

Para não abreviar a chegada ao presídio, que fica a poucos quilômetros do Palácio do Planalto, aceita que desqualificados assumam ministérios para manter a base política no parlamento para se sustentar no cargo.

O ministério do Trabalho é um dos órgãos mais visados por deputados bandidos que alojam lá dentro auxiliares a serviço do crime. Um dos que passaram por lá foi o presidente do PDT, Carlos Lupi, que hoje comanda a campanha de Ciro Gomes à frente do partido. 

Este senhor deixou o ministério enxovalhado, acusado de desvio de dinheiro. Ainda tentou se sustentar no cargo curvando-se de forma vil e submissa, numa solenidade palaciana, para beijar em público a mão da Dilma, ato constrangedor que não evitou a sua demissão.

Não faz muito tempo, Roberto Jefferson insistiu em nomear a sua filha Cristiane Brasil. Queria evidentemente transformar o ministério num segmento familiar, onde as coisas do órgão pudessem ser discutidas primeiro em casa e depois na repartição. 

Não colou. Descoberta pendurada em ações em processos trabalhistas e com suspeita de envolvimento com traficantes de drogas do Rio que a teria ajudado a se eleger, Temer recuou, mas só depois que a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, impediu a posse dela no ministério.

Nessa nova investida no ministério, a Polícia Federal arrastou de lá de dentro não só o ministro como seus auxiliares mais direto. 

O chefe de gabinete Julio de Souza Bernardes, por exemplo, foi direto para a cadeia assim como Jonas Antunes, o chefe de gabinete do deputado Nelson Marquezelli, em cujo apartamento foram encontrados 95 mil reais em dinheiro. 

A sujeira também bateu às portas do Palácio do Planalto, onde o ministro Carlos Murun foi citado na operação Registro Espúrio como envolvido com a organização criminosa que fraudava as cartas sindicais.

O ministério ficou “acéfalo”, como disse na carta o ministro expurgado Helton Yomura a um governo também acéfalo. Para que os faxineiros não lotassem caminhões com o entulho humano que sobrou do MT, Temer mandou Eliseu Padilha, envolvido na Lava Jato, assumir a cadeira do ministro deposto, como se a presença do seu homem de confiança fosse impor alguma moralidade lá dentro.

O ministério do Trabalho é o retrato, sem retoque, de um governo decomposto, retorcido pela bandalheira, que ainda se atreve em apresentar um candidato, Henrique Meirelles, para representá-lo nas eleições deste ano que estancou no 1% de aprovação, como se disputasse as eleições na congelada Sibéria. 

Temer padece de um mal que contamina muitos políticos brasileiros, aquele que sujou a biografia de vários deles com o desenrolar da Lava Jato: a corrupção. E esse mal, que contagiou todos os partidos no país, está grudado na biografia do presidente como carrapato, difícil de ser extirpado.JORGE OLIVEIRA

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