O candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB),
abriu, na quarta-feira (5), a rodada de sabatinas do jornal da TV Otimista com os postulantes ao Palácio da Abolição.Durante a entrevista, o tucano apresentou propostas para áreas como segurança, saúde e educação, além de fazer críticas ao grupo governista e ao governador Elmano de Freitas (PT). Ciro afirmou que decidiu voltar à disputa estadual após articulações com antigos adversários e disse que sua candidatura representa uma alternativa ao atual modelo de gestão.
O ex-ministro criticou o governo estadual, acusou o grupo liderado pelo senador Camilo Santana (PT) de interferir em instituições e denunciou irregularidades na administração pública. Na área da segurança pública, por exemplo, o tucano destacou a criação de delegacias em todos os municípios, investimentos em inteligência e tecnologia e a integração de câmeras de monitoramento com sistemas de reconhecimento facial.
Ele também defendeu mudanças na carreira dos policiais militares e afirmou que o combate às facções será uma das prioridades de sua eventual gestão. Sobre saúde e infraestrutura, o candidato prometeu reorganizar a rede de atendimento, reduzir filas para exames e cirurgias e retomar obras paralisadas.
Ciro também criticou a condução de obras pelo governo estadual e afirmou que pretende realizar um levantamento das intervenções inacabadas para definir prioridades nas áreas de saúde, segurança e desenvolvimento econômico.
Ao final da sabatina, Ciro defendeu a manutenção de programas sociais e afirmou que pretende reduzir despesas consideradas ineficientes para ampliar investimentos públicos. O candidato também criticou os efeitos da reforma tributária para o Ceará e disse que, caso eleito, buscará retomar políticas de atração de investimentos e geração de empregos no Estado.
Confira os principais trechos da entrevista:
O Otimista - Por que o senhor decidiu voltar a disputar o Governo do Estado e o que pretende fazer de diferente em relação ao seu primeiro mandato?
Ciro Gomes - O Estado do Ceará precisa promover um amplo debate sobre seus problemas e soluções. Eu nunca quis voltar, porque acredito que um político deve abrir espaço para novas lideranças, mas decidi retornar diante do que considero um desgaste do grupo que hoje está no poder. Vejo interferências nas instituições, pressão sobre a imprensa e uso questionável das verbas de publicidade, que, na minha avaliação, são problemas graves para o Estado.
O Otimista - Como surgiu a união com antigos adversários?
Ciro - Eu fui buscar o entendimento com os candidatos da nova geração que disputaram a eleição anterior contra esse grupo. Capitão Wagner, Roberto Cláudio e André Fernandes tinham diferenças entre si, mas conseguimos construir uma união. Minha intenção era que um deles fosse o candidato, mas, após ouvir a população, eles entenderam que meu nome era o de consenso. Estou nessa disputa com o compromisso de fazer o que fiz no passado: não roubar e não deixar roubar, governando para todos, especialmente para os mais pobres do Ceará.
O Otimista - Qual é a sua proposta nessa área?
Ciro - Outra metodologia, outro caminho: tecnologia e inteligência serão as novas formas de um projeto para a segurança pública. Vou introduzir, em 100 escolas públicas de nível médio, treinamento digital para preparar nossa juventude para inteligência artificial, desenvolvimento de aplicativos, manejo de redes e criação de startups. Isso será algo novo, e vou trazer para o Ceará as melhores práticas internacionais.
“A primeira medida será cortar despesas corruptas e supérfluas”, promete Ciro

Ciro respondeu aos jornalistas André Alencar e Luciano Cléver e prometeu priorizar projetos nas áreas de saúde, segurança e infraestrutura. (Foto: GABRIEL GONÇALVES)
Candidato ao Governo, Ciro Gomes afirmou que pretende realizar um pente-fino nas obras paralisadas no Estado caso seja eleito. Durante sabatina na TV Otimista, o ex-governador disse ter um levantamento de 632 intervenções inacabadas
O Otimista - Apesar da sua vitória no TRE, houve ainda uma interferência espúria de Camilo Santana?
Ciro - Violenta e completamente aberrante. Ele perdeu a noção e virou um coronel do pior tipo. O que vemos hoje no Ceará é um clima de medo entre prefeitos e lideranças. A tese apresentada contra a federação, na minha visão, é estapafúrdia, porque a lei é clara ao definir que a direção da federação decide sobre coligações e chapas. Mesmo com parecer contrário do Ministério Público Federal, dois juízes votaram pela tese, o que mostra, na minha avaliação, um problema grave de interferência no Estado.
O Otimista - Candidato, o senhor já falou que iria colocar uma delegacia em cada município para combater as facções. Como isso será feito?
Ciro - Esse é o meu maior desafio e compromisso. Eu não serei governador sem que o povo perceba que estou junto com a polícia na luta para devolver a segurança às famílias cearenses e o medo aos criminosos. Hoje, 72 municípios não têm delegado, e essa falta de estrutura prejudica o combate às facções. É preciso realizar concursos, investir em segurança e enfrentar o avanço das organizações criminosas no Estado.
O Otimista - E como solucionar o problema das facções?
Ciro - Precisamos usar inteligência e tecnologia para enfrentar a criminalidade. A ideia é identificar jovens que estão próximos de entrar na violência e criar alternativas de renda, além de fortalecer a inteligência policial. Também vamos integrar as câmeras de segurança, utilizar reconhecimento facial e implantar biometria nas viaturas para facilitar a identificação de criminosos.
O Otimista - E como ficarão os policiais militares?
Ciro - Hoje, um policial é contratado e passa 14 anos na carreira. No fim da carreira, ele tem R$ 1 mil de diferença salarial. Eu rio para não chorar. Entre o salário de um soldado e um subtenente, que já tem filho, aluguel e contas para pagar, essa diferença não tem cabimento. Eu já mandei pesquisar no Brasil qual é o melhor escalonamento e vou implantá-lo para trazer a Polícia Militar motivada para esse novo esforço.
O Otimista - Ciro, após o último resultado nas eleições, o que te faz acreditar que pode vencer no Ceará?
Ciro - Foi um sentido de devoção e amor ao Ceará que me trouxe de volta. O resultado da última eleição foi doloroso e humilhante, mas entendi que precisava olhar para mim e buscar ajuda para superar esse momento. Hoje, estou nessa disputa porque acredito que temos a obrigação de oferecer uma alternativa ao povo cearense e estou preocupado em estar à altura da esperança que tenho despertado, especialmente entre jovens e mulheres.
O Otimista - Candidato, o senhor construiu o Canal do Trabalhador em 90 dias. Se for eleito, o Anel Viário será concluído?
Ciro - As grandes obras de infraestrutura são fundamentais para preparar o desenvolvimento do Estado. O Ceará precisa superar a pobreza com uma economia dinâmica e empregos bem remunerados. O Arco Metropolitano, por exemplo, tem apenas 32 km e poderia melhorar o trânsito e reduzir custos, mas não foi concluído porque, na minha avaliação, o Estado foi quebrado pela má gestão.
O Otimista - Então, se o senhor vier a ser eleito, como vai resolver o problema das obras paradas?
Ciro - Eu já tenho um levantamento de 632 obras paradas a partir de registros do Tribunal de Contas. Vou fazer um pente-fino, priorizar as intervenções mais importantes para saúde, segurança e infraestrutura econômica e retomar essas obras. A primeira medida será cortar despesas corruptas e supérfluas para direcionar recursos à melhoria da vida da população.
O Otimista - Ciro, tem perseguição mesmo a políticos, prefeitos e lideranças que queiram apoiar sua candidatura?
Ciro - Você não tem ideia da quantidade de aliados que tenho e a quem recomendo cautela. O Estado está fragilizado, e muitos prefeitos dependem de recursos que, na minha avaliação, estão sendo usados como instrumento de pressão política. Acredito que vamos para um enfrentamento claro: quem quer manter tudo como está vota no Elmano, e quem quer mudança pode me dar essa oportunidade. Tenho uma trajetória da qual me orgulho e não tenho uma denúncia de corrupção.
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