A investida do deputado federal Eunício Oliveira (MDB) contra Cid Gomes (PSB) é um protesto e um gesto de
pressão sobre o governador Elmano de Freitas (PT) na costura da aliança. É interessante projetar o que o emedebista pretende e os possíveis ganhos para ele.São duas vagas de senador. O deputado quer uma delas. A rigor, Cid candidato não significa impedimento à candidatura dele. Aliás, não significava, pois, após as declarações, a composição se inviabilizou. Imagina a chapa na qual um chama o outro de chantagista e traidor? Já foi um climão quando concorreram em 2018, depois do barraco no rompimento em 2014.
Na verdade, nunca se cogitou Eunício disputar com Cid pela vaga. Camilo Santana (PT) sempre foi explícito sobre a candidatura do senador à reeleição depender apenas da vontade dele. Além do mais, houve foi esforço de convencimento. Ele até resistia. Se Eunício reclama da opção por Cid, a crítica é menos ao ex-governador e ex-prefeito de Sobral e mais a quem moveu céus e terras para levá-lo a se candidatar. As personagens são Camilo, Elmano e até o presidente Lula (PT).
Na eventualidade de Cid não concorrer, não se projetava o emedebista no lugar, mas alguém do PSB, particularmente Júnior Mano. Em tese, nada impedia a repetição da chapa de 2018, com Cid e Eunício — experiência malfadada para esse último. Mas então, por que Eunício fechou essa porta? O que ele pode ganhar?
Está evidente que ele se julgou escanteado, excluído do círculo decisório. Provavelmente percebeu que a outra vaga tampouco seria dele. Bradou, então, por espaço.
Idas e vindas
Eunício Oliveira apoiou a eleição de Cid Gomes em 2006. Queria ser candidato a senador, mas Inácio Arruda (PCdoB) se lançou e não abriu mão. O emedebista — na oportunidade era peemedebista com “P” do na época PMDB — então cedeu. Foi eleito senador em 2010, na chapa de reeleição de Cid. Em 2014, ele rompeu e disputou o governo com Camilo Santana.
Perdeu. Quatro anos mais tarde, se recompôs com Camilo e disputou a reeleição como senador, em aliança com Cid. Não houve chapa formal porque o PT nacional vetou o MDB, pois acusava o partido de dar um golpe em Dilma Rousseff (PT) com Michel Temer. Cid se elegeu, Eunício não. Entrou Eduardo Girão na segunda vaga. Em 2022, quando Ciro e Camilo romperam, Eunício indicou Jade Romero como vice na chapa de Elmano.
Chance na oposição
O maior inimigo de Eunício Oliveira na política é Ciro Gomes (PSDB). Todavia, na oposição, não há veto a ele.
Porém, tampouco há disposição de dar-lhe um lugar na chapa.ÉRICO FIRMO


0 comentários:
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.