Lula sofreu duas derrotas doloridas, históricas e consecutivas na última semana.
A primeira, na quarta-feira, ocorreu pela primeira vez em 132 anos: desde 1894, o Congresso Nacional não rejeitava uma indicação do presidente da República ao Supremo Tribunal Federal (STF). A segunda derrota, já precificada, pode reduzir a pena do adversário Jair Bolsonaro. Uma semana complicada para o presidente.
Na quarta-feira, senadores se reuníram para sabatinar e analisar a indicação feita por Lula para o STF. Jorge Messias, advogado-Geral da União, respondeu a todas as perguntas, mostrou ter notório saber jurídico e reputação ilibada. Ou seja, atendeu aos requisitos da Constituição Federal para ser nomeado ministro da Suprema Corte.
Ele precisava de 41 apoios e os governistas contavam com senadores de MDB, PSD e Republicanos, mas houve traição em massa dentro da base aliada do governo. Com isso, Messias teve a indicação rejeitada por 34 votos a favor e 42 contrários.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), antigo aliado de Lula, trabalhou duro pela rejeição: entrou em contato com senadores, pediu voto contra, acelerou a votação e até comemorou o resultado. Agora, ele está em rota de colisão com o Palácio do Planalto e pode ter indicados demitidos de cargos dos primeiro e segundo escalões do Executivo.
No dia seguinte, mais uma derrota. Deputados e senadores derrubaram o veto dado pelo presidente Lula ao PL da Dosimetria, projeto de Lei que pode reduzir as penas dos envolvidos na tentativa de golpe de estado que culminou com os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, pode ter a pena diminuída de 27 anos e 3 meses de prisão para 21 anos e 6 meses. A progressão de regime - do fechado para o semiaberto, poderá ocorrer em pouco mais de 2 anos.
Aqui, a tendência era de derrubada do veto, mas as derrotas seguidas deixaram um gosto ainda mais amargo na boca dos governistas.
Traído e derrotado, Lula precisa pensar nos próximos passos para que a resposta seja à altura dos revezes. A oposição canta vitória e diz que o governo Lula 3 acabou. Porém, é quando menos se espera que Lula consegue fazer o fracasso virar vitória. Foi assim quando saiu do mensalão para a reeleição e da cadeia para a presidência da República. OPOVO/ JOÃO PAULO BIAGE


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