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terça-feira, 5 de maio de 2026

ALIANÇAS NACIONAIS REFLETEM NA SUCESSÃO NO CEARÁ

Por ipuemfoco   Postado  terça-feira, maio 05, 2026   Sem Comentários


O período é de pré-campanha. Postulantes a candidatos costuram alianças e buscam atrair siglas que, além de apoios

políticos, garantem tempo de propaganda eleitoral e recursos para a disputa que se encerra em outubro


No Ceará, o cenário para o Governo do Estado caminha para ter o governador Elmano de Freitas (PT) na tentativa de reeleição, diante de a candidatura de oposição de maior porte representada pelo ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que ainda não confirmou se disputará o pleito estadual, mas admite estar inclinado nessa direção.

Embora o quadro local comece a se desenhar, a disputa presidencial tende a influenciar diretamente a eleição no Estado, ainda que parte dos atores políticos tente evitar essa associação.

Força e desafios da base aliada

Uma ampla base aliada traz vantagens evidentes a uma candidatura, como maior capilaridade política e acesso a recursos. Por outro lado, pode impor desafios, especialmente quando há divergências em relação à disputa nacional.

Elmano buscará a reeleição pelo PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve tentar um novo mandato. No Ceará, o governador conta com o apoio de siglas como PSB, MDB, PDT e PSD.


Entre esses partidos, o PSB terá novamente Geraldo Alckmin candidato a vice de Lula e no Ceará forma a maior bancada da Assembleia Legislativa, base forte do governo petista no Estado.


Já o PDT, após deixar formalmente a base de Lula, não deve ter candidatura própria a presidente e tende a apoiar o presidente. No Ceará, a sigla comandada pelo deputado federal André Figueiredo se reaproximou do governo Elmano após a saída em massa dos deputados estaduais que faziam oposição ao petista.


O MDB, historicamente heterogêneo, pode não formalizar apoio nacional, mas dificilmente impedirá lóderes locais — como o grupo do ex-senador Eunício Oliveira — de estarem no palanque governista. Eunício é nome forte para ser um dos candidatos ao Senado da base aliada.


O Republicanos, de Chiquinho Feitosa, não deverá se afastar de Elmano, embora dificilmente vá se alinhar com Lula na disputa nacional. Chiquinho sonha em disputar o Senado, podendo ainda conseguir uma vaga na suplência da Câmara Alta, cargo que já ocupou anteriormente.


No PSD, a situação é semelhante, com uma diferença relevante: a legenda tem pré-candidato à Presidência, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se consolidou internamente após disputa com Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR).


Apesar do posicionamento de Caiado no campo da direita e de oposição ao PT, a condução nacional do partido, sob Gilberto Kassab, tende a preservar a autonomia das alianças estaduais. No Ceará, o presidente estadual Domingos Filho já sinalizou alinhamento com o governo Elmano e pode, inclusive, integrar a chapa majoritária. 


Até pouco tempo tendo cargos na gestão petista no Estado e ainda na Prefeitura de Fortaleza, o Psol não deve figurar na lista de apoios à tentativa de reeleição de Elmano. A sigla lançou a pré-candidatura do Professor Jarir Pereira a governador. Para presidente, o partido caminha para apoiar Lula.


Ciro entre o cenário local e o nacional

De volta ao PSDB, Ciro Gomes voltou a ser cogitado tanto para a disputa presidencial quanto para o Governo do Ceará, o que reabre incertezas no cenário local.


Caso opte por disputar o Palácio da Abolição, o ex-governador terá de administrar, dentro da aliança, os impactos dos posicionamentos nacionais de partidos que podem compor sua base.


Um dos principais pontos de atenção envolve o Partido Liberal (PL). Embora Ciro busque evitar a nacionalização do debate e aposte em uma campanha focada no contexto estadual, um eventual apoio da sigla pode associar sua candidatura ao campo bolsonarista, especialmente diante da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.


Mesmo sem aderir diretamente a essa pauta, a vinculação partidária tende a inserir Ciro em um dos polos da campanha nacional.


Em menor escala, outras siglas também trazem implicações. O Democracia Cristã (DC), que tem Aldo Rebelo como pré-candidato a presidente, já declarou apoio a Ciro no Ceará.


Já o Avante, que lançou o escritor Augusto Cury como pré-candidato ao Planalto, aguarda a definição de Ciro para oficializar seu posicionamento no Estado.


Unidos na federação União Progressista, União Brasil e Progressistas (PP) aderiram localmente à pré-candidatura de Ciro, embora haja indefinição quanto à postura que terão nacionalmente. A tendência é de alinhamento com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ou outra força da centro-direita, mas ainda não há decisão.


No Ceará, ambas as siglas têm parlamentares da base e da oposição a Elmano, devendo fazer vista grossa para quem quiser seguir um caminho diferente do que a federação irá tomar.


Em três das quatro vezes em que disputou a Presidência, Ciro foi o candidato mais votado no Ceará. Em 2022, no entanto, o desempenho mais fraco em nível nacional também se refletiu no Estado, onde terminou em terceiro lugar, atrás de Lula e Jair Bolsonaro.


Atualmente, com melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto, o ex-ministro dá sinais de recuperação de parte de sua base no eleitorado cearense.


Girão e outras forças

Já o senador Eduardo Girão, pré-candidato ao Governo do Ceará pelo Novo, também se insere nesse contexto de interseção entre cenários local e nacional. A legenda avalia lançar à Presidência o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, o que daria ao partido um palanque próprio em nível nacional.


Ao mesmo tempo, Girão mantém proximidade com o campo bolsonarista, que deve estar representado na disputa presidencial pelo senador Flávio Bolsonaro, evidenciando mais uma sobreposição de alianças e referências políticas que tende a repercutir na dinâmica da eleição estadual.


Embora o cenário cearense não reproduza integralmente a polarização nacional, é pouco provável que a disputa presidencial não influencie o debate local.


Aliados de Elmano já sinalizam que devem explorar essa conexão, buscando associar Ciro ao bolsonarismo e transferir ao ex-governador parte da rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Estado.

Quem os partidos apoiam para presidente

Base de Elmano

  • Federação PT/PCdoB/PV: Lula (PT)
  • MDB: indefinido
  • O Democrata: indefinido
  • PDT: indefinido, com inclinação a Lula (PT)
  • Podemos: indefinido
  • PSB: Lula (PT)
  • PSD: Ronaldo Caiado (PSD)
  • Republicanos: indefinido

Base de Ciro

  • Cidadania: indefinido
  • DC: Aldo Rebelo (DC)
  • Federação União Progressista: indefinida
  • PL: Flávio Bolsonaro (PL), embora no Ceará as conversas estejam oficialmente suspensas com Ciro
  • PSDB: indefinido, quer lançar Ciro a presidente

Girão

  • Novo: Romeu Zema (Novo)

Professor Jarir Pereira

  • Federação Psol/Rede: Lula (PT)

Zé Batista

  • PSTU: Hertz Dias (PSTU)

Giovanni Sampaio

  • Federação Solidariedade/PRD: indefinido

Forças sem definição no Ceará e os candidatos a presidente

  • Avante: Augusto Cury
  • Missão: Renan Santos
  • Mobiliza: Cabo Daciolo
  • PCB: Edmilson Costa
  • PCO: Rui Costa Pimenta
  • UP: Samara Martins
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