Um dia antes de ser adicionado formalmente entre os investigados pelo interminável inquérito das
fake news, o presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, disse, em entrevista a O Antagonista, que a nova empreitada de Alexandre de Moraes (foto) contra fiscais da Receita Federal “é uma espécie de pesadelo que está voltando”.O auditor, que agora não pode mais falar sobre o assunto, por força de lei, lembrou que o inquérito das fake news começou alegando os mesmos vazamentos de dados, que não se confirmaram, numa tentativa do STF de se proteger do avanço da Operação Lava Jato, que acabaria derrubada por seus ministros.
De lá para cá, a investigação, aberta em 2019 de ofício por Dias Toffoli, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), se escorou na ameaça golpista alimentada por Jair Bolsonaro e seus aliados, que agora fingem que não fizeram nada enquanto celebram a perseguição de alvos fora do bolsonarismo, na tentativa de escapar da responsabilidade pela criação de “Xandão”.
A criação de “Xandão”
O ano de 2023 começou com milhares de pessoas acampadas em frente a quartéis. Elas só se dissiparam após o tumulto de 8 de janeiro, que acabou legitimando definitivamente a rigidez do STF, até para os constrangidos bolsonaristas, ao menos nas primeiras semanas de reação estatal.
Os acampados duvidavam do resultado da eleição, tanto pelas dúvidas semeadas por Bolsonaro quanto pela atuação de Moraes como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e esperavam por uma intervenção militar que foi alimentada por Bolsonaro ao longo de boa parte de seu governo.
Foi nessa tensão que Moraes se fortaleceu como xerife, convencendo boa parte da população de que suas decisões autoritárias eram um mal necessário contra os perigos de um mal ainda maior.
É claro que os lulistas também tiveram participação relevante nisso, pois cultivaram no hipertrofiado STF um aliado que vem amparando o governo Lula a cada derrota no Congresso Nacional.
Passado o mal maior, com a prisão de Bolsonaro, agora aqueles que toleravam Xandão, que chegou a proibir uma rede social inteira no Brasil por um mês, atentam-se para o outro problema.
Os bolsonaristas tripudiam, dizendo que agora é tarde, enquanto os lulistas defendem Moraes, inclusive nos quesitos mais controversos, com receio de que sua derrocada fortaleça os adversários.
O problema
O fato é que, com seu grande opositor preso, Moraes se tornou o problema maior. É a mesma lógica eleitoral que sustenta Lula: ele precisa da sombra de Bolsonaro para se manter politicamente vivo.
Sem o fantasma do ex-presidente circulando, fica muito mais difícil para o ministro do STF justificar a imposição de tornozeleiras eletrônicas a fiscais da Receita ou o contrato de 129 milhões de reais do escritório de sua mulher com o principal personagem do maior escândalo do momento.
Ao “vencer o bolsonarismo”, como disse um ministro aposentado, o STF atraiu para si todos os holofotes, e não é nada bonito o que se vê.
Enquanto alegavam defender a República, os protagonistas do STF estavam se beneficiando de negócios a partir do poder que adquiriram e se blindavam contra as possíveis consequências.
Para além do péssimo governo Lula, que só se elegeu como alternativa ao desgastado Bolsonaro, o principal problema do Brasil hoje está no STF, que não tem mais como se apresentar como solução. O ANTAGONISTA

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