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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

ENTREVISTA; "BOLSONARO DEIXARÁ UMA HERANÇA MALDITA PARA O PRÓXIMO PRESIDENTE"

Por ipuemfoco   Postado  segunda-feira, setembro 20, 2021   Sem Comentários



O deputado Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara, acaba de ser nomeado por João Doria como secretário de Projetos e Ações Estratégicas com a missão de dinamizar projetos de

privatizações e concessões do governo de São Paulo, mas ele deixa claro que um dos seus principais objetivos é ajudar o governador em seu projeto de viabilizar sua candidatura à presidência. 


Aos 51 anos, Maia acredita que Doria tem tudo para tirar Bolsonaro de uma das vagas no segundo turno e disputar a presidência contra Lula. Para isso, defende que o governador paulista sente-se à mesa, logo após vencer as prévias do PSDB, para dialogar com os partidos da centro-direita, como MDB, PSD e DEM, juntando-os aos da centro-esquerda de Ciro Gomes (PDT). 


Maia acredita que depois do fracasso dos ataques que fez à democracia e da má gestão na economia, Bolsonaro deva cair abaixo de 18% nas pesquisas, abrindo espaço para o fortalecimento de uma candidatura de centro. Segundo ele, a sociedade pedirá um candidato que permita a reconstrução do Brasil. “Bolsonaro deixará uma herança maldita para o próximo presidente.”


Bolsonaro vem fazendo ataques concretos à democracia, com ameaças de ruptura institucional, como aconteceu no Sete de Setembro. Devemos levá-lo a sério?

É a linha permanente dos populistas, que ganham as eleições pelo voto democrático e depois questionam as instituições para desqualificá-las. Caminha para um processo em que vai tentando uma vinculação com a democracia direta, sem passar pelo Parlamento, deslegitimando-o de forma permanente. Muitos no Congresso não enxergam isso, mas ele só quer usar o canal direto com o povo para enfraquecer as instituições. Dependendo do momento, ele ataca os governadores, mas ele já fez isso contra o presidente da Câmara, como foi no meu caso. Agora, é contra os ministros do STF. Nesse jogo, ele vai testando o limite das instituições e segue avançando. Cada vez que o governo fica fraco, como está agora, diante de uma crise econômica enorme, ele vai radicalizando porque vê que a popularidade está caindo. E, aí, a democracia passa a não ser mais um elemento de preocupação dele. Agora, ele quer construir um ambiente onde as instituições percam as condições de questioná-lo e de impor limites aos agentes públicos.


O senhor acha que ele terá forças para promover um golpe?

Acho que Bolsonaro demonstrou muita fraqueza. Porque ele mobilizou seus seguidores para o ato de Sete de Setembro durante muito tempo, gastou muito dinheiro para ter um pouco mais de 100 mil pessoas em São Paulo e um pouco mais de 50 mil em Brasília. Acho que foi um fiasco. Foi a demonstração de que está cada vez mais limitado a um público restrito e que ainda acredita na sua narrativa de que está sendo perseguido, de que ninguém o deixa governar, como acontece agora com os ministros do Supremo. A manifestação do Sete de Setembro foi muito menor do que ele imaginava e houve uma ruptura com a sociedade democrática. Não vejo espaço para ele construir uma relação de harmonia com o STF e com o Congresso.


Acha que ele está ficando cada vez mais isolado?

Acho que sim. Existia uma incoerência, que perdurou até o momento, dos partidos que se diziam independentes do governo, como PSDB, MDB, PSD e DEM, mas que estavam trabalhando por uma candidatura de oposição, embora estivessem na base de apoio do governo. Acho que o episódio do dia 7 vai acelerar a separação desses partidos do governo. Vai gerar uma convergência entre as direções desses partidos e as bancadas. Eu achava que isso só iria ocorrer no início do ano que vem, mas esse processo vai ser antecipado para que possa haver uma unidade da centro-direita em oposição clara a Bolsonaro.


O que achou da carta à nação em que Bolsonaro recuou das ameaças à democracia?

Os atos do Sete de Setembro foram um desastre para ele. Entendo, porém, que o recuo foi apenas tático. Logo, ele voltará a ameaçar a democracia. Bolsonaro nunca é sincero.


Os institutos de pesquisa mostram que ele atingiu índices de rejeição de 60%. Essa seria a razão dos ataques ao sistema eleitoral, para justificar a derrota?

Esses movimentos dele são sempre na linha de testar as instituições para provocar uma reação, parecendo depois que ele está tomando uma atitude defensiva. Quando fala nas questões dele vir a ser preso, da possibilidade de um filho dele ser preso, de dizer que só sairá morto da cadeira de presidente, ele instiga o Supremo a tomar decisões contra ele para que depois possa dizer que sofreu um golpe e que só está dando um contragolpe. Então, todas essas ações são atos de um covarde. Um presidente que ataca um ministro do Supremo, que me atacou durante todo o tempo em que fui presidente da Câmara, pratica atos de um covarde.


O senhor acha que Bolsonaro poderia ordenar a invasão do Congresso ou do STF como Trump fez ao Capitólio?

Ele já está fazendo esse movimento. O capitólio brasileiro é o TSE. Quem decreta o resultado das eleições nos Estados Unidos é o Parlamento e, no Brasil, é o TSE. Ele já está fazendo o ataque ao Capitólio. Quando ele ataca o ministro Alexandre de Moraes, que será o futuro presidente do TSE, ele já está fazendo esse movimento antecipado.


Acredita que a sociedade civil permitirá retrocessos?

Cada vez mais ele vai ficar isolado. A sociedade está ficando distante dele. Além do ataque às instituições, há o péssimo resultado da gestão do governo na crise econômica e no caos da pandemia, que estão sendo desastrosos. A inflação tende a continuar em patamar elevado, a taxa de juros tende a crescer, e isso contaminará a vida dos brasileiros de forma muito negativa. As desigualdades vão aumentar. O salário mínimo, que já está no pior momento histórico, vai cair ainda mais. Isso significa que a renda do trabalhador comprará cada vez menos produtos. Isso tudo vai afastá-lo cada vez mais da sociedade.


O senhor acha que ele pode sofrer o impeachment?

Se ele deixar de cumprir uma ordem judicial, será inevitável que o presidente da Câmara, Arthur Lira, tenha que deferir o impeachment. Por mais que tenhamos clareza dos seus crimes de responsabilidade, não existe crime mais concreto do que não cumprir uma decisão judicial.


Por que o senhor não analisou nenhum dos 130 pedidos de impeachment feitos contra Bolsonaro quando era presidente da Câmara?

Os indícios do crime de responsabilidade já existiam. Eu nunca neguei isso. Em determinado momento, eu disse que não analisaria os pedidos, mas as coisas foram ficando mais claras. O problema é que não havia condições políticas para o impeachment. Os partidos dos quais eu faço parte do ponto de vista ideológico, PSDB, MDB, PSD, DEM e Cidadania, são partidos que compõem a base do governo. No exercício da minha presidência, se notava que estávamos muito longe de termos 342 votos para o impeachment.


O senhor acha que Bolsonaro não seria cassado?

A gente tem que entender que deferir o impeachment é a parte mais fácil. O mais difícil é saber se ele vai ter prosseguimento. Ganhar no plenário da Câmara já é mais difícil. Vamos lembrar do episódio do Trump, em que ele arquivou o impeachment no Senado. Isso o deixou muito forte. Só quando veio a pandemia é que ele caiu. Esse cuidado eu sempre tive e tenho convicção que acertei. Porque naquele momento, com a força que ele tinha, o processo de impeachment seria derrotado no plenário da Câmara e ele sairia fortalecido, sobretudo na narrativa contra as instituições. Quando o Centrão aderiu, o governo estava muito fraco e o crime de responsabilidade em relação ao enfrentamento da pandemia ficou escancarado. Mas as condições políticas foram completamente perdidas quando aquele grupo aderiu ao governo, somando-se aí as emendas do relator, que, de fato, contaminaram a Câmara e o Senado.


O senhor acha que a crise econômica poderá agravar as condições de governabilidade?

Não apenas como economista, mas como político eu acho que a situação da economia vai descambar. Essa ruptura que o presidente fez com a sociedade no dia sete vai ter uma reação dos investidores para segurar decisões de investimento de longo prazo, até que o cenário político fique mais claro. Estamos vivendo um momento de taxa de juros crescente, inflação alta, renda do trabalhador baixa, desigualdade crescendo, desemprego recorde e nenhuma expectativa de melhoria. No setor de investimentos, o ministro Paulo Guedes inventou que havia crescimento, mas jamais isso aconteceu no atual governo. Quem acompanha o gráfico de investimentos no Brasil vê que ele está parado há muito anos e não cresceu nos últimos meses.


O setor acha que a situação vai piorar?

A crise hídrica, somada à falta de energia, vai limitar o crescimento da economia. Não haverá energia para os futuros investimentos. E tem também a questão do Orçamento. O governo não tem como pagar os precatórios este ano. Isso tudo, aliado à desorganização fiscal, ao câmbio super-desvalorizado e à taxa de juros alta, está levando a um ambiente econômico desastroso pela incompetência do governo. E essa ameaça de ruptura do presidente com as instituições democráticas agrava ainda mais a situação. Eu vejo com muita preocupação o Brasil de 2022. Bolsonaro deixará uma herança maldita para o próximo presidente.


O senhor veio ajudar o governador Doria na campanha para a presidência da República?

Eu vim pra ajudar o governo, como secretário de Projetos e Ações Estratégicas do Estado, por entender que isso me ajudará no futuro. Claro que a decisão de estar aqui vem da necessidade de construir uma via única para ocupar a vaga de Bolsonaro no segundo turno. A gente sabe que o Lula está muito forte e que a centro-direita tem um caminho grande a trilhar diante do enfraquecimento de Bolsonaro. Temos chance de ocupar o espaço que ele deixará. Não porque ache o Doria melhor do que o Eduardo Leite, pois ambos são ótimos governadores, mas o Doria governa o estado mais populoso e Leite governa um estado com uma população bem menor. De forma pragmática, é mais fácil o Doria dar o primeiro passo e se viabilizar como alternativa a Bolsonaro do que qualquer outra candidatura.


Mas o centro precisará se unir em torno dele, certo?

Eu também tenho admiração pelo Ciro Gomes e meu sonho é que, depois das prévias do PSDB, a gente possa colocar do mesmo lado o PSDB, o PDT e o PSD, juntando todos na mesma mesa para viabilizar o melhor formato de disputar as eleições do ano que vem. O ideal seria construir uma grande aliança no nosso campo da centro-direita com a centro-esquerda.fonte;istoé senhor

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