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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

UMA RELAÇÃO CONTURBADA

Por ipuemfoco   Postado  segunda-feira, agosto 30, 2021   Sem Comentários



O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, e o presidente Jair Bolsonaro têm uma relação complicada e

tensa. Mourão é para Bolsonaro um permanente foco de incertezas e questionamentos e a recíproca é verdadeira. 


Na maioria dos casos, em momentos críticos, Mourão baixa a bola de Bolsonaro e o leva menos a sério do que seus subordinados e apoiadores. O último lance desconcertante do vice-presidente foi dizer que as manifestações estimuladas por Bolsonaro para o dia Sete de Setembro são “fogo de palha”. “Isso aí tudo é fogo de palha. Zero preocupação”, disse. 


Militar como Bolsonaro, o vice sabe do que está falando. No dia em que Bolsonaro ocupou a Esplanada dos Ministérios com blindados, Mourão se encontrava com o ministro do STF e presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, que estava preocupado com o risco de ruptura institucional. Mourão o tranqüilizou e disse que as Forças Armadas não embarcarão em projetos golpistas e nem criarão entraves para as eleições de 2022. Bolsonaro soube do encontro pela imprensa e se sentiu traído.

Enquanto Bolsonaro acirra as tensões, Mourão tenta contemporizar e esvazia a ideia de golpe, dizendo que é “fogo de palha”

O vice-presidente tem seu próprio projeto político, que envolve a disputa pelo governo do Rio de Janeiro, na qual aparece entre os favoritos nas próximas eleições, e não demonstra alinhamento com os planos ditatoriais do titular. Tampouco faz afirmações incendiárias e sua postura normalmente parece mais sensata e ponderada que a do presidente. 


Desde o início do governo, Bolsonaro percebeu que não teria um vice silencioso e resignado. Em vez disso, encontrou um sujeito disposto a se contrapor a alguns seus impropérios. Não que eles discordem em tudo. Mourão se mostrou favorável ao pedido do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, feito por Bolsonaro ao Senado. 


Considerou que ele reagiu por ser atacado constantemente e declarou que isso “faz parte da luta política”. Mas em outras questões apresenta posição oposta à do presidente. Diz que militares da ativa e policiais não devem se manifestar politicamente e os que fizerem isso estão sujeitos ao regulamento disciplinar. Fala também que o aquecimento global é um fato que não pode ser questionado.


Bolsonaro já declarou que não trata de nenhum assunto de governo com o vice e recomendou recentemente que ele não participe de eventos públicos. No último dia 16, os dois não se cumprimentaram numa cerimônia de formação de cadetes da Academia Militar de Agulhas Negras. 


Há um claro acirramento das hostilidades e o tratamento desrespeitoso conferido pelo presidente a Mourão incomoda as próprias Forças Armadas. Neste momento, o vice é um interlocutor no governo mais confiável e frequente junto à alta cúpula militar do que Bolsonaro. General quatro estrelas, Mourão foi para a reserva no topo da hierarquia militar, enquanto o presidente é um capitão reformado. 


Nas mídias sociais, nos últimos dias, Mourão informa sobre sua missão como chefe do Conselho Nacional da Amazônia Legal. Na quarta-feira, 25, comemorou o Dia do Soldado e participou de um seminário promovido pelo Instituto Villas Bôas em que defendeu o direito de opinião. “Que não haja arbítrio neste país, que não haja prisões descabidas”, afirmou.

Na história recente, os vices levam vantagem em disputas com os presidentes: foi assim com Collor e Itamar e com Dilma e Temer

Diante da reação de Bolsonaro ao encontro com Barroso, surgiu o boato de que Mourão poderia até renunciar ao cargo. Mas ele descartou essa possibilidade. Na semana passada, disse que a relação entre presidente e vice “não é simples, nunca foi”. “Nós não somos os primeiros a vivermos esse tipo de problema, mas a gente sabe muito bem que ele conta com a minha lealdade acima de tudo”, afirmou. 


“Ele pode ficar tranqüilo sempre a meu respeito.” Enquanto tenta contemporizar com o presidente, recebe, em troca, um tratamento grosseiro que desagrada os altos oficiais. Relações conflituosas entre presidentes e vices têm sido frequentes na República e, não por coincidência, sempre envolvem situações de impeachment. 


Há o caso de Fernando Collor, que teve problemas com Itamar Franco, por quem acabou substituído. E, mais recentemente, houve a ruptura entre Dilma Rousseff e Michel Temer. O caso de Bolsonaro e Mourão pode ter o mesmo desenlace, com o vice-presidente levando a melhor.ISTOÉ

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