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domingo, 15 de julho de 2018

A LÓGICA DA POLÍTICA DITA AS GESTÕES

Por Rogerio Palhano   Postado  domingo, julho 15, 2018   Sem Comentários


Com raras exceções que só confirmam a regra, a lógica que determina os comportamentos das administrações públicas costuma ser a mesma daqueles que a comandam. 

Como quem está no comando são os políticos, a lógica das gestões é, por extensão, determinada pela lógica da política. Não se trata de uma jabuticaba. É assim que funciona em todo o mundo.

Porém, quanto mais civilizada for a política, mais civilizada será a gestão pública. E vice-versa. A versão brasileira é uma política dominada pelo mais arraigado patrimonialismo. Portanto, as gestões públicas reproduzem os comportamentos patrimonialistas. Não importa a cor partidária.

As nuances para pior e para melhor dependem basicamente do perfil do administrador. Um gestor menos influenciado pelos ditames da política costuma ser o mais eficiente. Já os que gerem a máquina pública de acordo com as necessidades da política e, portanto, dos projetos de poder político, produzem desastres de vários naipes.

São muitos os exemplos espalhados por aí. A imensa e longa crise que o Brasil vive hoje nada mais é que um fruto do patrimonialismo, que se misturou a um projeto de poder aloprado e com tendências, digamos, bolivarianas. Só poderia terminar como terminou, mas a crise continua e não há sinais de que vai se concretizar a tese de que a posse do novo presidente eleito pelo povo a encerrará.

A ARTE DE NEGAR OS ERROS

Está na cabeça de muita a gente a ideia de que as administrações públicas precisam se espelhar nos gestores privados. Seria interessante sim que algumas das características das melhores gestões empresariais fossem adotadas nas gestões dos governos.

Por exemplo, o processo de decisão ser baseado em estudos técnicos e na racionalidade administrativa.

Os maiores desastres no setor público costumam ocorrer quando o governante de plantão toma decisões que envolvem uma montanha de dinheiro do contribuinte baseado apenas no instinto e no achismo. 

Muitas vezes, tais decisões sequer estimam o custeio futuro do novo equipamento. Um metrô, por exemplo. No fim das contas, sobram elefantes brancos caríssimos e de funcionamento impagável.

A grande diferença é que, na iniciativa privada, o sujeito que cometer esse erro sofrerá duras consequências. Se for um executivo, vai para a rua. E há sempre o risco desta empresa ser atropelada pela concorrência e, em último grau, até ocorrer a falência.

Na empresa privada os problemas detectados são, via de regra, estudados e discutidos a fundo para que não voltem a se repetir. Já nos governos, a coisa se dá de outra forma. Como se trata de um mundo dominado pela política, o gestor trata de expor ao distinto público uma desculpa qualquer. Normalmente, apontando um terceiro como culpado ou a responsabilidade de fatores externos pelos desastres.

Thomas Sowell, um respeitado intelectual norte-americano costuma dizer que na gestão pública a ordem é negar todos os erros afirmando-os como acertos. É muito provável que Sowell tenha como modelo para a sua afirmação as gestões públicas dos EUA. Imaginem, senhores, se seu modelo fosse o nosso Brasil varonil.

MÁQUINAS DE EFICIÊNCIA DO SETOR PÚBLICO

Fala-se muito na baixa eficiência do serviço público no Brasil. Porém, nas cidades de maior porte, nos Estados e no Governo Federal há uma ilha de excelência administrativa.

Lá, os servidores, todos concursados, são muito bem pagos e com ótima formação. Geralmente gente que estava entre os melhores alunos. As estruturas costumam ser muito bem equipadas e confortáveis.

As políticas públicas lá desenvolvidas são de ponta e usam as melhores e mais caras tecnologias disponíveis. São elas as secretarias da Fazenda, de Finanças e a Receita Federal. As eficientes e onipresentes máquinas de arrecadar. São como big brothers com capacidade de esquadrinhar e aporrinhar a vida do cidadão de uma forma jamais vista.

PS. Caros leitores, encerro com esse artigo a minha segunda fase no jornal O POVO, iniciada em setembro de 1994. Portanto, há 24 anos. Por coincidência, em plena campanha para eleger o governador do Ceará e o presidente da República.

A gente se vê por aí. Um grande e afetuoso abraço para todos.FABIO CAMPOS

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