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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

AUTORIDADES DEMONSTRAM IMPOTÊNCIA; TIROS NO RIO E NO CEARÁ EXPÕEM ESTADO ACUADO NA GÊNESE DE UMA GUERRA CIVIL

Por Rogerio Palhano   Postado  sexta-feira, fevereiro 02, 2018   Sem Comentários

O noticiário sobre os atos violentos ocorridos no Brasil desde o último sábado (27) exibiu o poder público impotente, diante da narrativa de guerra civil liderada por facções.
Quase tudo o que as autoridades falam, fazem ou deixam de fazer sobre o assunto tem evidenciado que o Estado está acuado, parecendo entregar os pontos à criminalidade.

O maior exemplo da falta de rumos para a proteção dos brasileiros veio maior autoridade da segurança pública no Brasil, o ministro da Defesa, Raul Jungman, que apequenou o Estado, quando exaltou como óbvia a falência do sistema de segurança e a tendência de transnacionalização das facções criminosas brasileiras.

As declarações foram dadas em meio aos questionamentos sobre a sequência de dois dias do domínio do crime organizado, que aterrorizou a população do Rio de Janeiro, e cinco dias depois de o Ceará sofrer sua a maior chacina da história, com o assassinato de 14 pessoas numa casa de forró da periferia de Fortaleza, no sábado (27). Dois dias depois, uma briga de presos deixou dez mortos na cadeia pública de Itapajé, a 125 km da capital cearense.

O ministro sugeriu que há uma necessidade de reformulação das forças de segurança, e deve saber que o pecado original não está só na impotência do Estado nas ações repressivas, mas na ausência de medidas multidisciplinares e preventivas. A verdade é que o Brasil está falido não apenas no sistema de segurança, mas na educação, na saúde, e na assistência social. Enfim, a falência não está na falta de armas, de celeridade na Justiça nem de vagas em presídios. O fracasso está na gênese da formação da cidadania e da dignidade humana do brasileiro.

CEGOS EM TIROTEIO



No segundo dia em que tiroteios e ações criminosas deixaram motoristas desesperados na Linha Amarela, que corta a comunidade Cidade de Deus, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), ainda encontrou espaço em sua retórica para criticar a imprensa, cuja cobertura foi classificada por ele como “cruel”.

No dia em que os cariocas se arrastaram pelo chão e pediram para seus filhos deitar no assoalho dos carros para se proteger de tiros, Pezão considerou importante dizer que capital do Rio de Janeiro não é a cidade mais violenta do País.

Já no Ceará, o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, agrediu a sensibilidade da população, ao afirmar que o Estado não perdeu o controle nem havia motivos para pânico, após 14 serem mortos no “Forró do Gago”, na ação que ele classificou como “planejada e organizada”.

Em meio ao descontrole dos órgãos de segurança do Estado, o governador cearense Camilo Santana (PT) tentou imputar a responsabilidade pelas mortes de seus conterrâneos à falta de uma política nacional de combate ao crime organizado. E provocou farpas vindas dos ministros da Secretaria de governo, Carlos Marum, e da Justiça, Torquato Jardim.

Marum chamou o governador de incompetente, enquanto o ministro da Justiça sugeriu que o governador não pediu apoio federal por razões políticas, após a chacina e as mortes na cadeia. Dois dias depois das declarações dos ministros, o governador se reuniu Michel Temer (PMDB), no Palácio do Planalto, de onde saiu com a decisão do presidente de enviar uma força-tarefa da equipe de inteligência da Polícia Federal para o Ceará.

FALÊNCIA É MAIS AMPLA

A banalização da violência pelos brasileiros também contribui com a ampliação da falência desse sistema. Se tivesse sido em Paris, o massacre ocorrido no pobre bairro de Cajazeiras, na capital cearense, a chacina inspiraria brasileiros e humanistas do mundo inteiro a exibir, em perfis de redes sociais e nas ruas, gestos de solidariedade com a versão brasileira do ataque de terroristas à redação do satírico jornal Charlie Hebdo, onde morreram dois a menos que em Fortaleza. Mas jamais cunharemos a expressão "Je Suis Forró do Gago", porque o brasileiro, muito menos as autoridades não têm a empatia necessária para construir mecanismos para compreender e evitar mortes envolvendo pobres, nordestinos, favelados ou encarcerados.

Nesta guerra civil evidente, são as autoridades brasileiras que estão falidas, nas três esferas dos poderes, diante do nível de organização de criminosos encarcerados, que se escondem em comunidades paupérrimas e, ainda assim, utilizam armas, métodos de comunicação e planejamento que constrangem este Brasil em que a vanguarda só é inerente à organização de quadrilhas, estejam elas atuando no tráfico, no roubo de cargas, ou nos gabinetes das autoridades – transformados muitas vezes em redutos criminosos de colarinho branco ou de incompetentes inúteis para a nação.
DIÁRIODOPODER

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