O presidente Lula (PT) reuniu, na última terça-feira (27), um
grupo restrito de auxiliares no primeiro encontro após a reeleição.Estavam à mesa o senador cearense Camilo Santana (PT), o ex-ministro Fernando Haddad, o senador eleito pela Bahia Rui Costa, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Embora muito especulada, a formação do novo ministério não entrou diretamente na pauta. Entretanto, o 'petit comité' do presidente é o esboço do núcleo político do Lula 4. E Camilo está nele.
Capital acumulado
O cearense chega a este momento com um capital político que poucos aliados do presidente reúnem. O primeiro movimento ocorreu no Ceará, onde ajudou Elmano de Freitas (PT) a derrotar Ciro Gomes (PSDB), nome de repercussão nacional, em uma das batalhas mais duras do País.
O segundo veio logo depois: Camilo foi alçado à coordenação da campanha de Lula no segundo turno e esteve na linha de frente da virada histórica sobre Flávio Bolsonaro (PL). Na prática, o senador saiu das urnas maior do que entrou, mesmo não tendo sido candidato.
Ex-ministro da Educação no terceiro mandato, ele é citado agora para a Casa Civil. Não se trata de uma pasta qualquer. A Casa Civil funciona como o cérebro de qualquer governo. Coordena os demais ministérios, acompanha as prioridades do presidente e arbitra as disputas internas da Esplanada. Quem a ocupa costuma ser o principal nome político do primeiro escalão.
Ceará no centro
Se Camilo assumir o cargo, o Ceará deixa de ter um ministério comum e passa a ocupar o coração do governo Lula 4.
A ascensão pode ter um reflexo direto no Estado. Elmano começaria o segundo mandato com o principal aliado no centro do Palácio do Planalto, com trânsito diário no gabinete presidencial.
Para o grupo governista no Ceará, isso significa acesso, agenda e capacidade de entrega. Para a oposição, um adversário ainda mais forte no horizonte.
Obstáculo paulista
Porém, o caminho não está pavimentado. A investidura do cearense deve passar por uma disputa com o PT de São Paulo, que detém poder na estrutura interna do partido e tem prestígio histórico junto a Lula.
O nome mais forte dessa frente é Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato derrotado ao governo paulista neste ano. Haddad sai da eleição sem mandato, mas com acesso direto ao presidente. É uma disputa que não será travada em público, mas sim nos bastidores.
Dança das cadeiras
O próprio Lula deu pistas do que vem por aí. Depois de reeleito, sinalizou mudanças em várias áreas, principalmente na comunicação digital, e prometeu mais diálogo com a população e mais entregas.
Na prática, isso aponta para uma dança das cadeiras na Esplanada e para mais espaço para novos nomes e lideranças jovens. É um ambiente que favorece quem saiu fortalecido da campanha, e não necessariamente quem tem mais tempo de casa.
Até dezembro, as articulações vão revelar a face do novo ciclo sob o mesmo presidente. E também mostrarão o tamanho de Camilo Santana no Lula 4. Do desfecho dessa costura depende, igualmente, o peso do Ceará em Brasília pelos próximos quatro anos. PONTO DO PODER
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