A base governista do Ceará vive um momento de forte tensão
com a proximidade das convenções partidárias e a indefinição da chapa majoritária.O ambiente de cordialidade que marcou a aliança nos últimos anos deu lugar a uma disputa aberta por espaço e influência, expondo divergências entre os principais líderes do grupo.
O ápice desse desgaste ocorreu durante uma reunião a portas fechadas entre o governador Elmano de Freitas (PT), o senador Cid Gomes (PSB), o ministro Camilo Santana (PT) e o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT).
O encontro foi descrito por fontes ligadas a aliados dos participantes como “altamente inflamável”, diante do tom das discussões e do acúmulo de insatisfações entre os integrantes da base. Em um dos momentos mais tensos da reunião, Cid Gomes apontou o dedo para Camilo Santana e o chamou de “traidor”.
O senador tornou público um descontentamento que até então circulava apenas nos bastidores. Entre as principais críticas estão o veto ao nome do deputado federal Júnior Mano para uma das vagas ao Senado e o que aliados de Cid classificam como um movimento de fortalecimento do PT em detrimento do espaço político do PSB dentro da base governista. Os reflexos desse embate rapidamente se espalharam para outros setores da aliança.
Nas últimas semanas, chamou atenção a perda de protagonismo do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Romeu Aldigueri (PSB), que ficou à margem das principais articulações envolvendo a formação da chapa. A disputa, porém, não se restringe ao impasse entre PT e PSB.
Outro foco de tensão envolve a deputada federal Luizianne Lins. Apesar de uma conversa recente entre ela e Camilo Santana, interlocutores afirmam que seguem as tentativas de evitar uma candidatura independente ou de oposição dentro da própria base.
Nesse contexto, Camilo teria recorrido à Executiva Nacional do PSOL, levando o tema para o plano nacional. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) foi acionado para conversar com Luizianne e tentar inviabilizar uma eventual candidatura pela legenda.
No centro da crise permanece o impasse em torno de Júnior Mano. Aliados do deputado sustentam que sua indicação ao Senado se justifica pela ampla articulação política construída junto aos municípios, com uma das maiores bases de prefeitos entre os parlamentares federais cearenses.
O peso de Júnior Mano
Cid Gomes tem reafirmado publicamente o compromisso com essa candidatura, argumentando que apenas cobra o cumprimento de um acordo firmado anteriormente. Entre aliados do senador, a avaliação é de que retirar Júnior Mano da chapa representaria não apenas uma derrota política para o PSB, mas também um desgaste com prefeitos e lideranças que já declararam apoio ao projeto. O OTIMISTA


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