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segunda-feira, 13 de julho de 2026

AS CARTAS DE CID GOMES À MESA

Por ipuemfoco   Postado  segunda-feira, julho 13, 2026   Sem Comentários


Corria o mês de novembro de 2024 quando o senador Cid Gomes (PSB) anunciou rompimento com o governo de

Elmano de Freitas (PT) e o grupo do então ministro Camilo Santana (PT). 


A queixa era sobretudo pela concentração de poder atribuída ao partido do chefe do Estado, que havia acabado de indicar Fernando Santana (PT) como presidente da Assembleia Legislativa (Alece) - sem aval de Cid -, depois de eleger Evandro Leitão (PT) como prefeito de Fortaleza.

Naquele momento, o Ferreira Gomes entendeu que tinha de recompor seu campo se não quisesse perder totalmente a relevância política no Ceará. Para tanto, fez alguns movimentos importantes nos dois últimos anos.

O primeiro foi traçar uma risca no chão ao rejeitar o nome avalizado pelo Governo para comandar a Alece - em lugar de Santana, como um "tertius", acabou se beneficiando Romeu Aldigueri (PSB), que não tinha a predileção nem de Elmano nem de Cid, mas foi a quem coube capitanear o Legislativo.

O segundo movimento foi a aliança estratégica com o deputado federal Júnior Mano (PSB) e seus quarenta prefeitos, que lhe restituíram alguma capilaridade após o esvaziamento do PDT.

Por fim, Cid soube aproveitar uma situação da qual vem extraindo ganho involuntário: a entrada de Ciro Gomes (PSDB) como concorrente à sucessão de Elmano. Sem querer, o tucano cacifou o irmão na mesa de negociação com o bloco palaciano, concedendo-lhe um poder de fogo que Cid tinha perdido desde que Camilo se autonomizara como liderança, agora até nacional.

Novo momento

E o que se vê hoje em relação ao senador do PSB? A partir desse tripé, Cid apresenta maior capacidade de articulação, estabelecendo as condições que lhe são mais favoráveis para aceitar postular o cargo de senador novamente.

Entre elas, estão a indicação da suplência e a ocupação da presidência da Assembleia, cadeira da qual não abre mão, sob a justificativa de que o PSB é - e continuará sendo - a maior bancada da Casa.

Tal como em 2024, o ex-governador não aceita que a Alece mude de gerência, tampouco que o governismo deixe de compensar Júnior Mano por barrá-lo da candidatura ao Senado, como desejava Cid.

Por ora, no entanto, parte das demandas do pessebista está em rota de colisão com as diretrizes de Camilo, para quem a chapa majoritária não pode acomodar um quadro cuja presença poderia atrapalhar os planos de reeleição de Elmano.

Daí que, no atual momento, Cid e Camilo estejam pessoalmente afastados - quando um submerge, o outro torna-se mais ativo, e vice-versa. HENRIQUE ARAÚJO/O POVO

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