Em toda essa disputa entre governismo e oposição pelo comando da federação União/PP agora encerrada, Elmano de
Freitas (PT) foi induzido a um erro: levar para a "cozinha" do Abolição a articulação para fisgar a megaestrutura partidária.Foi naquele 19 de março, feriado de São José, em que o chefe do Executivo se cercou da ala palaciana do bloco e, entre tapinhas nas costas, sentenciou que o União era agora parte do projeto local.
O petista soou demasiado confiante àquela altura, mas o problema não era nem esse, mas o fato de ter deixado ali suas digitais numa costura difícil que vinha se arrastando entre o Ceará e Brasília, sem que houvesse indicativo de resultado favorável, nem para a base nem para seus adversários.
O movimento do governador, no entanto, pretendia coroar uma semana cujo início se dera com a visita de Zezinho e AJ Albuquerque (ambos do PP) a Brasília para ter com Ciro Nogueira (PP), selando o destino da federação – enquanto Fernanda Pessoa (União) tentava o mesmo caminho, mas com Antonio Rueda. Dessa rodada, o trio saiu convencido de que a fatura estava no papo.
Logo fizeram Elmano crer que o jogo havia sido vencido. No dia seguinte, como último prego no caixão da oposição, anunciaram a candidatura de Jade Romero (a vice cuja desfiliação do MDB já era dada como certa), sugerindo – mas sem dizer expressamente – que teria o União como destino.
Entre um gesto e outro, houve quem prometesse "bombas" dia sim e outro também, enquanto a Cid Gomes (PSB), convocado de última hora para a ofensiva, coube o papel de repisar que a adesão da federação seria passo importante na reeleição de Elmano.
O revés
O malogro dessa estratégia foi mais amargo não para Cid ou qualquer membro do secretariado, mas para Elmano, que não deveria ter sido exposto nesse vaivém envolvendo União/PP, especialmente numa semana em que o Datafolha havia emitido sinais eloquentes.
Nessa situação, a prudência mandava preservar o governador de uma eventual derrota nessa queda de braço entre o Governo e Capitão Wagner (União). O que se fez, porém, foi o contrário, atirando o gestor no meio de um tiroteio do qual nem o ministro Camilo Santana, com mais gordura para queimar, quis tomar parte em momento algum – não publicamente, pelo menos.
O que se extrai do episódio é que parece haver um desacerto interno que tem prejudicado o chefe do Executivo – talvez isso explique os 60% de aprovação não convertidos em intenção de voto.
Trocando em miúdos: Elmano não faria mal se faturasse mais quando a maré é positiva e evitasse entrar em bolas divididas quando os ganhos não valem tanto a pena. Essa foi uma estratégia cumprida à risca por Camilo em 2018, quando foi reeleito com quase 80% dos votos (noutro contexto), e mantida até hoje.O POVO/HENRIQUE ARAUJO


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