A quem interessa, nesse momento, fragilizar o nome do
governador Elmano de Freitas (PT) como candidato à reeleição no Ceará?Uma pergunta que se tornou necessária diante, especialmente, de manifestações e dúvidas que têm partido de gente que lhe é politicamente próxima e, imagina-se, que está envolvida com o esforço de mostrar sua competitividade, apesar de pesquisas apontando uma boa vantagem sobre ele, hoje, do provável adversário Ciro Gomes (PSDB), que pode liderar uma frente poderosa de oposição em 2026.
A voz mais eloquente nos últimos dias de alimentação da ideia de que Elmano pode ser substituído por Camilo Santana tem sido a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, correligionário de ambos. Convenhamos, alguém que tende a ser ouvido com atenção nas suas falas, o que significa que o potencial de gerar problemas e constrangimentos é grande, sendo que na manifestação mais recente sobre o assunto foi até um pouco mais incisivo ao anunciar que Camilo deixa o ministério para "ser candidato a não sei o quê".
Inexiste "não sei o quê" no caso e, se realmente o ministro e senador ficar livre das amarras legais a partir de amanhã com intenção de ser candidato em 2026, a única opção imaginável é a de entrar na disputa pelo cargo de governador. Acontece que a forma como a coisa está sendo conduzida, através de declarações soltas e atabalhoadas de Lula, estabelece uma situação muito desconfortável para Elmano.
Em coluna anterior até tratei da questão, valendo-me da declaração de uma fonte influente do governo e do governismo, ali indicando que a tese de substituição de candidato não está na mesa de discussões no momento. Um leitor atento advertiu que a tal fonte "esquecera de combinar com Lula", que já semana passada havia sugerido que Camilo Santana se afastava do ministério para lá adiante definir se seria candidato ou não.
Até nem voltei à fonte para atualizar sua fala depois que o presidente Lula agravou o quadro de dúvida, em novo pronunciamento, ao vincular a saída de seu ministro da Educação a uma candidatura. No entanto, como disse ao leitor, sigo entendendo que é o cenário local que determina que as forças com voz na aliança governista, incluindo o próprio Camilo, só trabalhem agora com o plano de reeleger Elmano de Freitas.
Haveria desdobramentos internos que não ajudariam a acalmar as coisas, sendo o principal deles a incerteza de manutenção de apoio do senador Cid Gomes (PSB), que se compromete apenas com a reeleição do atual governador.
Lula, que estará em Fortaleza amanhã, tem a chance de ajustar a situação ruim que está criando com suas falas recentes acerca do cenário eleitoral cearense, talvez demonstrando mais respeito com o esforço que aqui se faz para mostrar como viável o nome de Elmano de Freitas, aliás, governante com índices de aprovação superiores aos do próprio presidente. Sem querer, muito provavelmente, o comportamento do líder nacional até agora tem ajudado a alimentar um quadro que gera confusões desnecessárias no bloco que se arma em torno do petista que quer disputar reeleição.
O certo é que Ciro Gomes, apoiadores e aliados assistem a tudo de camarote, porque claro que também a eles interessa fragilizar Elmano, objetivo que fica melhor de ser alcançado quando cai no colo, sem que precisem agir. O "fogo inimigo", neste caso, não tem sido necessário.GUÁLBER GEORGE/O POVO


0 comentários:
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.