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quarta-feira, 10 de março de 2021

A INSANIDADE COMO ARMA

Por ipuemfoco   Postado  quarta-feira, março 10, 2021   Sem Comentários



Há método na loucura. Quando um presidente, contrariando os mais elementares fundamentos da Ciência, é contra o

isolamento, o uso de máscaras e as vacinas, não está sendo simplesmente inconsequente e inconsistente. 


Quando ele promove drogas perigosas, como a Cloroquina, sem eficácia comprovada, ou corre atrás de sprays mágicos para contrapor à onda de imunizantes, desprezados sistematicamente na sua gestão, não apenas sabota os esforços de autoridades conscientes para salvar a população, como também apresenta uma tática de governo. 


Ele é o antagonista, o contraponto à lógica e aos valores fundamentais de civilidade. Aquele que torce para tudo dar errado porque, na desgraça alheia, sobressai a sua aura de “redentor”. Uma fénix de esperança em meio à terra arrasada. Nem que para isso seja preciso morrerem 100 mil, 200 mil, 300 mil, o número necessário. 


Faz parte. Efeito colateral do grande projeto, rumo à reeleição. Jair, dito Messias, Bolsonaro, não enxerga mais nada pela frente. Apresenta comportamento típico de um genocida, por opção e convicção, visando a uma conquista maior. Tenta se vender como incompreendido, o queridinho das massas atacado pelo sistema e vítima dele. 


“A culpa não é minha”, “quem decidiu foram eles”, tem dito. Em cada passo que dá, declaração que expressa e gesto que toma procura encarnar o papel de salvador da Pátria, correndo por atalhos populistas, arrastando caravanas de seguidores embevecidos em pitorescas aparições públicas para se vender na condição de “gente como a gente”. 


Na visão deturpada que acalenta, tudo que está aí foi feito para lhe prejudicar, mas ele supera. Eis o mistério da salvação: o vírus, o mundo, os opositores, até os mortos conspiraram juntos para lhe vencer, mas o brilho de divindade o protegerá. Parece piada, porém está no imaginário desse aprendiz de chefe de governo. 


Certamente Bolsonaro atua em um plano paralelo. Deve se achar mesmo de outra dimensão. Para ele, é normal elogiar torturadores, pregar valores antidemocráticos, cometer seguidos crimes de responsabilidade. Ninguém o alcança. Ou o atinge. Não por menos, deposita qualquer diferença com os demais, e críticas que recebe, no terreno rasteiro da mera disputa política. 


“Querem me derrubar do poder”, alega sempre, como mantra típico de um “mito” sacrificado no altar dos interesses de poderosos, prestes a ser retirado do Olimpo onde tudo pode. É o evangelho rastaquera de um profeta do apocalipse. Assim fica fácil. Governadores reclamam do seu negacionismo imoral? 


Ele responde chantageando com a ameaça de não conceder o Auxílio Emergencial nas localidades cujo “lockdown” foi decretado. Atua como benfeitor — o bom samaritano que não é —, fazendo uso do dinheiro alheio (do bolso do contribuinte) e distorcendo, propositalmente, cifras a seu favor, para convencer os incautos. 


A mentira é profissão de fé do capitão. Por meio dela, tenta alcançar corações e mentes de crentes desavisados. O discurso degringola quando os efeitos catastróficos da pandemia — e as consequências violentas do desemprego, fechamento de empresas e crise social — invadem a casa de cada um, estampando o lado tenebroso da falência do Estado, fruto, em boa parte, da ausência de liderança. 


Muitos passam a perguntar e a reclamar: onde está o comando? Sinistro perceber que o Brasil, em meio à tamanha calamidade sanitária, navegue sem rumo ou controle. A sociedade enlutada pelo recorde de vítimas, com a morte virando banal, teme e espera por algo ainda pior, logo ali adiante, segundo prognósticos das autoridades. 


A descoordenação total para enfrentar um vírus implacável somada à hostilidade atávica do presidente contribuíram para o agravamento do quadro. E quem ganha com isso? Pode acreditar: Bolsonaro está convencido de que é ele. Daí não esboçar o menor esforço na mudança de rumo. Não tem receio da derrocada. 


Mortos são como peças descartáveis da estratégia ofensiva de conquista das urnas — apenas mais uma batalha para um capitão calejado na experiência de matar ou morrer. Como ele mesmo confessou, tempos atrás, “minha especialidade é matar”. 


Eis o combustível de sentimentos a lhe empurrar na luta pela garantia de promoção a um segundo mandato. Mesmo diante do espetáculo macabro em curso, o mandatário de almanaque é capaz de gozar dias fruitivos a bordo de um Jet Ski na praia, enquanto brasileiros entopem UTIs à beira do colapso. Faz parte do show. 


Ainda retém recursos do SUS e fecha milhares dessas unidades de terapia, em plena pandemia, obrigando os arquirrivais políticos regionais a apelarem ao Supremo, na busca por ajuda. Parece o fim do mundo, mas Messias, insensível, superior, desdenha. Diz que deu dinheiro suficiente. Insinua desvios. 


Brinca de disputa no palco da tragédia. No playground do recreio bolsonarista, distribui incentivos à caminhoneiros, zera impostos, estoura a dívida pública e empurra o pendura para um futuro sem data, enquanto as tensões espocam por todos os lados e o Brasil vai à breca. 


Reformas, ajuste fiscal, plano de vacinação, erradicação de privilégios, nada disso está na bíblia de conduta do capitão. Em um ano mortal, no qual a epidemia avançou de maneira devastadora pelo Brasil, numa rota desastrosa, com variantes, cepas novas e aumento exponencial de casos, na contramão do mundo, o fiasco administrativo ministrado (de maneira diária e rotineira) diretamente do Planalto salta aos olhos. 


O desespero tomou conta. A falta de esperança, também. Impressionante observar como a chaga do populismo sem caráter e compromisso castiga costumeiramente o País. Com o beneplácito, diga-se, das classes dominantes, adeptas do modelo garantidor da separação entre a Casa Grande e a senzala. 


Diante do cenário desolador, a pior epidemia, para além do vírus, é a da ignorância. Presente, cultivada e adubada nos mais diversos setores da sociedade. Bolsonaro é apenas fruto dela e ganha esteio nas camadas mais abastadas da população, enquanto médicos, enfermeiros, familiares de vítimas e brasileiros em geral vertem lágrimas pelo morticínio. Que País é esse?CARLOS JOSE MARQUES

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