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sábado, 16 de fevereiro de 2019

UMA REFLEXÃO SOBRE A MORTE DE UM NEGRO NO SUPERMERCADO

Por Rogerio Palhano   Postado  sábado, fevereiro 16, 2019   Sem Comentários



Em dezembro passado um segurança do Carrefour matou um cachorro. 

Agora, um funcionário do Extra mata um jovem negro. Lagarto. Mercados que vendem e se retroalimentam da violência avassaladora, sintetizada literalmente por este líquido vermelho que escorre entre as prateleiras, que passa por debaixo dos caixas e tomam grande proporção na entrada dos estabelecimentos. Chã.

Sufocam de maneira tão brutal quando nos veem entrando nos shoppings, em lojas de roupas. Quando andamos por bairros nobres, onde há quase uma delimitação para onde se deve ir: direto para a cozinha dos restaurantes, para os almoxarifados, servindo a empregos subalternos, sem que se olhe para o céu e tenha contato com quem fecha a folha salarial. 

Entrando pela porta de serviço, sempre. Acém.Iniciativas em decorrência de um processo de desumanidade para ''lidar'' com aqueles que são, atualmente, a maioria da população brasileira. E que, por sua vez, são os que mais detêm poder de compra.

Agem como quem vai à caça, prontos para atirar, abater, arrasar. Na cabeça, nas costas, no peito. Na fresta dos becos, das portas dos bares, nas lajes. 

Em frente às mães. Do helicóptero ou a visão de pé, a ordem é só uma: acabe com quem lhe põe em perigo, quem te apresenta ameaça. Não há formas de saídas, não é Capitão Nascimento?

E foi assim que Pedro Henrique Gonzaga, de 25 anos, foi morto. Estrangulado por uma gravata, um sentimento patológico de um segurança que, mesmo escutando clamores de que saísse de cima do rapaz, sentiu-se livre para permanecer sobre o corpo e abrir caminhos para o que infelizmente aconteceu. Carne moída.

Não por coincidência, o fato se dá dois dias antes de completarmos um ano da publicação do vídeo ‘’Como sobreviver a uma abordagem indevida’’, no período da intervenção federal no Rio junto de Ad Junior e Spartakus Santiago. Filet sem cordão. 

Mas que serve como um sistema de alerta e de dicas para todas as pessoas com essas características que definem uma vida muito curta no Brasil.

Essa carne não pode continuar sendo estampa na bandeja, onde é autenticada com uma única palavra: ‘’morte’’.

*Edu Carvalho é repórter e pesquisador do programa Conversa com Bial.

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