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domingo, 6 de janeiro de 2019

A DEMISSÃO DE PAULO GUEDES; COMEÇOU A CONTAGEM REGRESSIVA??

Por Rogerio Palhano   Postado  domingo, janeiro 06, 2019   Sem Comentários


Em outubro do ano passado, um gaiato decidiu criar um perfil no twitter com a "atualização diária sobre a condição profissional do Paulo Guedes".
Todos os dias ele posta a mesma questão: o Paulo Guedes já foi demitido? A resposta, até agora, tem sido "não", mas, num belo dia, fatalmente será sim. Minha aposta é que isso acontecerá bem mais cedo do que muitos imaginam.

Aqui neste mesmo espaço dois de meus amigos discordam. Alex Solnik afirma que "quem manda na bagaça" é Paulo Guedes. E que Jair Bolsonaro é apenas o poste do "Posto Ipiranga". O jornalista pela democracia Mário Vitor Santos argumenta que Bolsonaro já perdeu o poder, mas ainda não foi avisado. 

De fato, em menos de uma semana, ele já foi desautorizado por dois generais sobre a tal embaixada em Jerusalém, pelo ministro Onyx Lorenzoni sobre impostos e previdência e até pelo secretário da Receita Federal. 

Como Bolsonaro não demitiu nenhum dos subordinados que o desmentiram, presume-se que ele tenha se convertido precocemente numa rainha da Inglaterra. Até porque, pela tradição militar, nada é tão grave quanto a quebra da hierarquia.

A meu ver, no entanto, ainda é cedo para se decretar o fim do governo Bolsonaro. Por ora, prefiro concordar com Paulo Moreira Leite, que, ao analisar a pesquisa Datafolha deste sábado sobre o repúdio da população brasileira à agenda ultraliberal de Paulo Guedes, diz que essa é a razão principal para o caos em que se converteu o governo Bolsonaro. 

Os brasileiros rechaçam privatizações, retirada de direitos trabalhistas e, evidentemente, regras mais duras para a aposentadoria. Como Bolsonaro é um político profissional, e que sonha com a própria reeleição, nada seria tão previsível quanto a sua declaração ao SBT, onde disse que não foi eleito para fazer maldades com o povo e com os aposentados.

Nos bastidores de Brasília, o governo tremeu. Guedes havia dito que, para fazer a não-reforma proposta por Bolsonaro, melhor seria não fazer reforma alguma. Mesmo assim, Bolsonaro decidiu explicitar sua posição sem antes afinar os ponteiros com Guedes, que, na sexta-feira, teve de desmarcar vários compromissos públicos para não se ver obrigado a optar por uma das duas alternativas: aceitar o recuo na reforma da Previdência ou desmentir publicamente o chefe.

A tendência, daqui para a frente, é que Guedes acumule muitas outras frustrações. Não só na previdência, como também em seus planos de privatização total. Sua única possibilidade de sucesso seria uma queda precoce de Bolsonaro, numa articulação liderada pelo general Hamilton Mourão, que não pensa com a cabeça de um político e parece ser mais simpático às tais reformas.

Bolsonaro – que é político, e não militar – não reagirá de forma espalhafatosa aos que quebraram a hierarquia e o desmentiram publicamente. 

Simplesmente, cozinhará em banho-maria a reforma, que se converterá numa promessa vazia, como é o caso da embaixada em Jerusalém. Um dia, sabe-se lá quando, ela acontecerá. Possivelmente, no dia de São Nunca.

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