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sábado, 10 de abril de 2021

O MOTIM DOS PMS

Por ipuemfoco   Postado  sábado, abril 10, 2021   Sem Comentários



Trezentos e cinquenta mil corpos e um caixão são os instrumentos dos quais bolsonaristas vem se valendo, demagógica e covardemente, para agitar os quartéis da

Polícia Militar em diversos estados brasileiros, onde os governadores, de forma acertada, não se alinham com o posicionamento do governo federal, que é contrário às medidas de proteção sanitária frente ao coronavírus. 


Política tão rasteira e daninha, orquestrada pelo presidente da República, jamais houve no País. É nesse ponto que os perversos métodos de Jair Bolsonaro instrumentalizam e ideologizam a Covid e as cerca de trezentas e cinquenta mil vítimas fatais. Para combater tais governadores, ele desestabiliza-lhes as Polícias Militares, provocando insubordinação nas tropas – pesquisas apontam que, em média, já chega à casa dos 12% o índice de PMs que adeririam a uma sublevação, ainda que formassem simbolicamente um Exército de Brancaleone, guardada a distinção: 


O do século 11 agia romanticamente; o de policiais militares negacionistas tem a natureza da ruindade. A massa de manobra é historicamente a de sempre, compondo-se de parte da soldadesca e de oficiais de baixas patentes.


Com o mesmo intuito, fanáticos por Bolsonaro aproveitaram-se do caixão do PM Wesley Soares Góes, na Bahia: Ele sofreu um surto psicótico, atirou em colegas e foi morto por alguns de seus pares — conforme ordena o regimento. Em seu falecimento também houve politização, como se fosse o desdobramento de um ato repressor do governador baiano Rui Costa contra “um bravo combatente que alucinara por não querer ir contra trabalhadores que não acatam o distanciamento social”. 


O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e os coveiros políticos Eduardo Bolsonaro e Bia Kicis, ambos deputados federais, sonharam, em vão, em dar à luz um motim contra governadores não alinhados ao Planalto. Esforçaram-se em fazer de um doente mental um mártir. “Esse fato não pode ser confundido com interesses políticos eleitorais”, diz Melina Risso, diretora de Programas do Instituto Igarapé, entidade que estuda temas de segurança pública. “Tentou-se instrumentalizá-lo, dizendo que se tratava de um protesto”. 


O arremedo de revolta foi condenado conjuntamente por dezesseis governadores, que vêm sofrendo ameaças sob uma velha tática da extrema direita: Ofender policiais nos estados que lhe fazem oposição. Em São Paulo, por exemplo, a corporação foi atacada em redes sociais, na pretensão de convencê-la a se voltar contra o governador João Doria, pioneiro e eficiente em imunizar contra a Covid no Brasil: “Vocês são covardes! (…) Seus capachos do calcinha apertada”. “Já faz algum tempo que sofremos essas agressões”, diz o diretor de Comunicação da PM paulista, coronel Robson Cabanas Duque. 


Além disso, grupos de policiais bolsonaristas, em uma opção ignorante e suicida, recusaram a vacina na semana passada, quando Doria deu início à imunização em agentes de segurança.

A agitação dos simpatizantes do governo federal não atinge somente Rui Costa e João Doria, mas, também, as polícias de outros estados em que seus governantes restringiram a circulação de pessoas, uma vez que, para Bolsonaro, nenhuma providência nesse sentido deveria ser tomada. 


Entre outros, os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, do Piauí, Wellington Dias, e do Maranhão, Flávio Dino, são alvos de ofensas e provocações a suas polícias. “Existe gente que tenta desinformar e fazer a cabeça dos policiais”, diz o coronel Lindomar Castilho, comandante da PM piauiense. A isso tudo junte-se ações de milicianos, sempre próximos do presidente. 


No início do mês, aglomerados no condomínio onde Bolsonaro tem casa no Rio de Janeiro, eles protestaram contra os que defendem máscara e vacina. O Exército investiga se, em meio aos baderneiros, havia soldados da brigada de infantaria paraquedista, já que eles disseram que a integram.



O que Bolsonaro promove de desordem configura-se, na teoria política sobre os regimes neopopulistas, em apostar na “anomia social” (conceito do sociólogo Émile Durkheim) e no sentimento de medo da população assustada por ficar eventualmente à mercê de delinquentes se a polícia estiver amotinada. É tática de guerrilha política do neopopulismo. “O presidente aumenta a insegurança e facilita o armamento de milícias criminosas e grupos paramilitares”, diz Melina. 


Conforme crê a cartilha populista, nessa situação de pavor o povo tenderia a pedir um regime centralizado e forte ao estamento governamental burocrático. Por que? A resposta é fácil: Iludido, esse mesmo povo acreditaria que, assim, teria paz de espírito para trabalhar de dia e dormir à noite. Nesse redemoinho psicossocial, Bolsonaro realizaria o seu projeto de endurecimento político e abandono da democracia e do Estado de Direito. Se conseguiria ou não apoio para o ato, isso é outra coisa. 


Há mais de meio século, apesar de desaconselhado por diversos generais, o ex-presidente João Goulart achou que sairia da visita que fez aos sargentos insurretos no Automóvel Clube do Rio de Janeiro, em 30 de março de 1964, diretamente para um poder super fortalecido. Cinco dias depois estava saindo mesmo… mas do Brasil, rumo ao exílio no Uruguai.

O câncer e a metástase

Bolsonaro sempre quis gente armada, muita gente armada no País, e é claro que não é para a população se fantasiar de John Wayne. É, isso sim, a tentativa do capitão de construção de uma guarda pretoriana que lhe dê apoio na montagem e execução de um golpe. 


Ele não desiste de seus projetos que pretendem colocar cada vez mais armamentos nas mãos dos brasileiros, facilitando-lhes importação, compra, posse e porte. Cerca-se de milicianos. Tenta seduzir generais da ativa do Exército. Nesse momento, chegou a vez dos PMs. É vital lembrar que, em seus tempos de opaco parlamentar, Bolsonaro dedicou-se a defender o corporativismo e reivindicações salariais de policiais, reivindicações que, agora, como presidente, ele politiza para gerar agitação. 


Bolsonaro tem tratado de forma diferenciada esse setor, a exemplo do que se viu na tentativa de aprovação da excludente de ilicitude, nas alterações da PEC Emergencial e na reforma da Previdência. Bolsonaro mantém ligações com chefões arruaceiros dos motins no Espírito Santo, em 2017, e no Ceará, três anos depois. Empenha-se em fazer passar um projeto de lei que dá autonomia administrativa à corporação da Polícia Militar, esvaziando o comando dos governadores e trazendo o controle para si. 


Se Exército, Marinha e Aeronáutica não lhe acenam com tanques, torpedeiros e caças, por que não bancar fichas na polícia? Não foram os policiais, muito mais que os militares, que apearam do poder, na Bolívia, Evo Morales?


O resumo dessa ópera de horror é que, dessarte, agem os governantes neopopulistas que planejam eternizarem-se no poder em seus países: São eleitos pelas urnas, surgindo como salvadores da pátria e fingindo convicções democráticas em momentos de fragilidade social e econômica dos eleitores. Vitoriosos, roem e corroem por dentro o Estado, feito cupins. 


Fragilizam-no na segurança pública, primordial fator de estabilidade emocional de uma sociedade, e promovem quebra de hierarquia na polícia, levando a população à confusão mental e à insegurança — aí, novamente eles posam de redentores da pátria e guardiães da ordem, mas, então, já com duras ferramentas de exceção na mente e nas mãos. 


O neopopulismo golpista não é uma doença que se pega de fora; é feito câncer que se desenvolve dentro do organismo de uma nação. Um sinal de metástase são motins detonados por parte da Polícia Militar.ISTOÉ

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