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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A AUTÓPSIA DO VOTO

Por ipuemfoco   Postado  sexta-feira, novembro 20, 2020   Sem Comentários


Da urna sai um insofismável e eloquente alerta: radicais vêm sendo refutados, enquanto liberais de centro, que pregam a gestão responsável e equilibrada, estão sendo consagrados. 


Na maré de apoio a candidatos de fora dos polos ensandecidos se sobressai a derrota acachapante do bolsonarismo. Não restou nada que movia o voto de protesto de outrora, onde petistas e bolsonaristas mediam forças no limite das vias de fato. Ambos tomaram um sonoro não, na maioria dos casos. 


Toco neles! A boa política, alimentada pelo anseio da sensatez administrativa, experimenta algum resgate. A antiga rinha dos extremos tende ao ostracismo, jogada de volta às calendas. O desastre eleitoral do capitão Messias se reflete, de maneira direta em fatos e números. Tome-se, por exemplo, a pitoresca circunstância de incríveis 78 candidatos autobatizados com o sobrenome Bolsonaro sentirem o gosto amargo do fracasso. 


Apenas um deles chegou lá — logo o rebento Carlos Bolsonaro, o Carluxo zero dois — e, ainda assim, com 30% a menos de votos que na primeira tentativa em 2016. Carluxo diminuiu de tamanho, refletindo o pé frio de papai como cabo eleitoral, mas não foi caso único na família. A ex-mulher do patriarca, também candidatíssima sem êxito, amargou minguados dois mil votos e restou desclassificada na rabeira da corrida. 


o que dizer da dileta “Val do Açaí”, aquela laranja da família, que também encarregou-se de tascar Bolsonaro no sobrenome, fez live ao vivo com o capitão, ganhou confetes e purpurinas do clã, e arrebatou ridículos 200 votos? A bolsonarista ferrenha, Carla Zambelli, entuchou pai, irmão e cunhada na corrida, para ver se arrancava mais umas boquinhas no esquemão do salário público e não conseguiu emplacar nenhum dos três. 


Mesmo a primeira dama, Michelle Bolsonaro, que se engajou na campanha ativa para quatro apadrinhados à Câmara dos Vereadores não logrou êxito. Virou um quarteto de derrotados a mais na cota dos agregados de Messias, sem quórum suficiente para o olimpo da camarilha parlamentar. 


Alguma dúvida de que o sobrenome transformou-se em mantra maldito? Não tenha. Nem o guru da Virgínia, espécie de alterego do “Mito”, acalenta esperança.


Olavo de Carvalho disse, com todas as letras, nas redes sociais, que o presidente foi um “incapaz” na ajuda aos escolhidos. Bolsonaro, na tática errática do “eu sozinho”, sem filiação partidária, jogando as fichas em lives mequetrefes que viraram, como ele disse, um “horário eleitoral gratuito” e especial, à revelia da lei, em um sobranceiro atrevimento aos demais poderes, não foi além da humilhação pública e generalizada. 


Bom que se diga, um chefe da Nação sem partido é aberração que não se verifica desde a retomada da democracia em 1985. A sova nas urnas ao bolsonarismo – que parece ensaiar um declínio gradativo – reporta também o claro nascimento de uma oposição mais consciente, menos irascível e beligerante, carregada no lombo das camadas jovens da população. 


Não se pode desconsiderar o fenômeno. Há um esgotamento, certo cansaço até, desse público, com a rixa desmiolada e sem nexo dos salvadores da pátria, redentores loroteiros que tentam levar na garganta. O País parece não estar mais condenado a oscilar entre o fisiologismo caquético dos coronéis do Centrão e o messianismo engabelador, que beira o fanatismo, das hordas de seguidores do capitão. 


Ficou, ao menos temporariamente, congelado o protagonismo dessas correntes. E ainda bem, em prol do Brasil, que seja assim! É fato: a direita perdeu muito concentrando a torcida em um player aloprado como Messias Bolsonaro. Bastaram dois anos para a reputação de alternativa saneadora correr pelo ralo. Era cascata. A opção progressista e realmente renovadora não pode ser lotada na ignorância. 


Ao contrário. E muitos adeptos de primeira hora começaram a perceber o rotundo erro. Os militares, por exemplo. Iniciaram o desembarque. Por mais que se negue, eles não estão mais fechados com Messias, indiferentes e coniventes com as suas barbeiragens. 


De modo igual, diversos setores empresariais, religiosos, hostes habitualmente bolsonaristas, passaram a sussurrar pregações, nada enigmáticas, de volta ao diálogo.CARLOS JOSÉ MARQUES

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