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domingo, 27 de outubro de 2019

UM ANO; JAIR BOLSONARO ELEITO PRESIDENTE

Por ipuemfoco   Postado  domingo, outubro 27, 2019   Sem Comentários


Eleito presidente numa campanha polarizada, o ex-capitão continua a mobilizar as tropas de aliados para levar adiante agenda fundada no pacto liberal-conservador.

Passava das 19 horas do dia 28 de outubro de 2018 quando, apuradas 94,44% das seções eleitorais, o então candidato Jair Messias Bolsonaro chegava a pouco mais de 55 milhões de votos, sagrando-se vencedor. 

Filiado ao nanico Partido Social Liberal (PSL) e deputado em sétimo mandato, impunha derrota a Fernando Haddad (PT). Nas ruas do País, bandeiras verde-amarelas tremularam. Era o fim de um ciclo de 13 anos de governos petistas.

Em Fortaleza, a Praça Portugal, epicentro do bolsonarismo, estava coalhada de gente que festejava a chegada ao poder do postulante cuja principal bandeira era a moralização política. Em bom português, o "fim da mamata".

Para eles, Bolsonaro encarnava o espírito da Operação Lava Jato e carta branca para o livre-mercado, além de representar valores conservadores, assentados na família e na propriedade. Era o anti-Lula perfeito.

Um ano se passou desde aquele domingo já distante. Hoje, o Brasil não é o mesmo, tampouco Bolsonaro. Para especialistas, "foram muitos anos num só", durante os quais o presidente dilapidou parte razoável do seu capital político envolvendo-se em arengas sem importância.

Perdeu aliados, como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Demitiu ministros que lhe foram fiéis, como Gustavo Bebianno, guilhotinado nos primeiros meses de governo na esteira do escândalo das candidaturas "laranjas" do PSL, primeira grande crise do governo recém-empossado.

Nesse intervalo, Bolsonaro também se indispôs com a ala que lhe garantira credibilidade junto a alguns setores da sociedade, como no episódio da fritura pública do general Santos Cruz, ex- ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência que havia caído na frigideira de Carlos Bolsonaro, o "pitbull" da família e controlador das senhas que dão acesso às redes sociais do pai.

Tudo isso aconteceu porque o ex-capitão do Exército, eleito chefe do Executivo, permanecia com discurso de campanha. Embora use a faixa presidencial mesmo em eventos que a dispensam, "Bolsonaro ainda não se investiu da chamada liturgia do cargo", avalia Rodrigo Prando, professor da Faculdade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

De acordo com o pesquisador, ao pisar no Planalto depois de uma campanha presidencial violenta da qual ele mesmo foi vítima, Bolsonaro tinha duas opções: baixar a poeira, assumindo "um comportamento institucional que buscasse amenizar o conflito e a polaridade". Ou, dobrar a aposta. Ficou com a segunda.

"O presidente elegeu como prioridade um estilo de gestão confrontadora de amigos e inimigos, reais ou imaginários, internos e externos", diz Prando. "Me parece que vai até 2022 nesse estilo".

Se a beligerância o fez desgastar-se - a avaliação positiva do pesselista derreteu na etapa inicial, fazendo dele o mandatário mais impopular em começo de governo -, também funcionou como elemento em torno do qual se galvanizou o núcleo mais fiel e aguerrido.

Secundado pelo chamado "gabinete do ódio", composto por auxiliares que ditam a linha ideológica palaciana, entre os quais se destacam Filipe G. Martins, Fábio Wajngarten e Eduardo Bolsonaro, o presidente, até então acuado, partiu para o ataque.

Vetou editais para público LGBT, cancelou publicidades oficiais alusivas à diversidade e tomou medidas com a finalidade de comprometer as receitas da imprensa, de quem se tornou inimigo figadal, atacando-a sistematicamente.

Além disso, fez acenos insistentes ao público evangélico, crucial para sua vitória. A pretexto de agradá-los, disse que estava na hora de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter um ministro neopentecostal. Não estava brincando.
Aliados na vitória, inimigos no governo

Comitê de campanha do então candidato Jair Bolsonaro em Fortaleza, o palco armado na avenida Antônio Sales com a rua Carlos Vasconcelos estava apinhado no dia 28 de outubro de 2018. Era domingo, noite da vitória.

Ali estavam Heitor Freire (PSL) e Capitão Wagner (Pros), eleitos deputados federais. Em discurso à multidão, saudaram o novo tempo, expresso pelos votos nas urnas.

Por lá também passaram André Fernandes (PSL), deputado estadual mais votado, e Delegado Cavalcante (PSL), que voltava à Assembleia Legislativa, agora na esteira da onda bolsonarista.

Ex-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena (MDB) fez uma discreta aparição - suficiente para sugerir que o emedebismo já tentava pular na canoa do novo inquilino do Palácio do Planalto.

Um ano depois, os representantes do bolsonarismo não dividem o mesmo palco. Sequer a mesma sala, como é o caso dos pesselistas Freire, Fernandes e Cavalcante, os dois últimos rompidos com o deputado federal e presidente da legenda de Bolsonaro no Estado.

Em solo cearense, o bolsonarismo, antes fator de ajuntamento, transformou-se em motivo de disputa. Na última semana, o presidente da legenda em Fortaleza, Lucas Fiuza, entregou o cargo. Um substituto ainda não foi designado. Antes dele, o próprio Fernandes desempenhou a função, mas foi apeado por Freire.

Como reação, a dupla de parlamentares estaduais entrou com representação contra o correligionário. Tentam, há cerca de três meses, destituí-lo do posto. Aliado de Luciano Bivar, deputado federal e presidente nacional do partido, Freire resiste.

Apesar desses entreveros domésticos que marcam a trajetória da legenda desde a vitória de Bolsonaro nas urnas, o deputado é otimista quanto ao futuro do governo e do legado do presidente no Ceará. Segundo ele, "apesar do pouco tempo, as ações realizadas nos fazem perceber o quanto o Brasil já melhorou".

O pesselista cita como medida exitosa, então, "a redução da máquina pública (27 para 22 ministérios), ainda antes de se iniciar o mandato, promovendo estrutura menos inchada e onerosa para os cofres públicos".

No cenário dos negócios, Freire avalia que "as privatizações já encaminhadas dos Correios e Eletrobras, por exemplo, também vão ajudar", e que os "avanços nas relações exteriores são perceptíveis, principalmente o diálogo com os EUA, mas também tantos outros como Japão e China nos últimos dias".

Questionado sobre o futuro do PSL no Ceará, contudo, o deputado não respondeu. Alvo de desgaste, Freire é o principal suspeito de ter vazado conversa com Bolsonaro há duas semanas, durante crise entre o presidente e o seu partido.

Bolsonarista de primeira hora e um dos que foram às ruas comemorar a conquista do pesselista há um ano, Carmelo Neto destaca a aprovação da Previdência como principal trunfo político do Planalto.

Para ele, além da proposta que reestrutura as aposentadorias, "inúmeras medidas provisórias positivas para o País foram assinadas e devemos ter as reformas administrativa e tributária enviadas ao Congresso". Neto acrescenta: "O Brasil está se reerguendo. Esse é o momento de ajustar o terreno para voltar a crescer". 

"Bolsonaro é um retrocesso", avalia deputado pedetista

Deputado federal pelo PDT e ex-secretário da Educação do governo Camilo Santana (PT), Idilvan Alencar avalia que a eleição de Jair Bolsonaro um ano atrás "é um retrocesso na história do País".

Para o parlamentar, "perde o Brasil e perde o Nordeste, não apenas o Ceará". Desde que foi eleito, Bolsonaro tem mantido relação de beligerância com os gestores dos nove estados da região nordestina, que formaram uma coalização com agenda própria e encontros periódicos.

Esse consórcio de governadores foi a forma encontrada pelos chefes de Executivo para fazer frente à falta de receptividade de algumas pautas no Planalto - no Nordeste, Bolsonaro perdeu em todos os estados.

Ainda segundo Idilvan, a chegada de Bolsonaro ao poder também significou um golpe para "os direitos humanos e a educação pública". O pedetista acrescenta que "a história vai contar que isso foi um erro pelo qual já estamos pagando caro".

Sobre as razões que levaram à vitória de Bolsonaro nas urnas em 2018, o deputado avalia que o resultado se deve mais a "uma revolta contra o PT do que a uma vitória do então candidato".

"A vitória foi dos votos brancos, nulos e antipetistas. Foi aí onde surfou. Não foi uma conquista do Bolsonaro", conclui. "Mas tem que respeitar a vontade da maioria."

Também pedetista, Ciro Gomes ficou em terceiro lugar na corrida eleitoral, logo atrás de Fernando Haddad (PT), o segundo colocado, que obteve 47 milhões de votos ante os 57 milhões de Bolsonaro. (Henrique Araújo)

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