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domingo, 27 de outubro de 2019

EPISÓDIOS DA SEMANA DEIXAM CAMILO NO CENTRO DO JOGO ELEITORAL

Por ipuemfoco   Postado  domingo, outubro 27, 2019   Sem Comentários



Interlocutores do governador giram para mostrar, por caminhos diversos, o capital político de Camilo,
a forte parceria com o PDT e a indisposição dele de ficar neutro no debate eleitoral da capital cearense.


Na manhã da última quinta (24), o governador Camilo Santana (PT) estava com o prefeito Roberto Cláudio e o senador Cid Gomes, ambos do PDT, na inauguração do Centro de Formação de professores da Capital. 

Lá, os três destacaram políticas públicas fruto da parceria política e administrativa que mantêm entre Estado e Prefeitura de Fortaleza. Eles formam um mesmo grupo político. 

Quase ao mesmo tempo, na tribuna da Assembleia, o deputado Acrísio Sena (PT), que se tornou um dos principais interlocutores de Camilo no partido, destacava as obras do Estado na Capital e o papel preponderante que Camilo terá, na visão dele, no processo eleitoral de 2020 em Fortaleza. 

Os dois episódios se somaram a outros acontecimentos que fizeram da última semana uma linha divisória para o governador neste período pré-eleitoral da Capital.

Direta e indiretamente, reforçaram a posição de destaque do chefe do Executivo Estadual no cenário eleitoral, sobre o qual ele mesmo tem evitado falar. A mensagem é que não há disposição do governador de manter uma neutralidade no jogo eleitoral e nem romper a aliança com o PDT. 

Conjeturas 

No início da semana, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma entrevista com Camilo em que ele fez uma crítica – incomum – à estratégia do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) de fazer ataques frequentes ao PT. Ciro é aliado de primeira hora do governador. 

Na entrevista, Camilo deixa clara a “sólida aliança” que mantém com os Ferreira Gomes no Ceará – uma leitura apressada poderia dar impressão errada de enfrentamento. Não é. Com a declaração, porém, o governador marcou posição no debate de estratégia eleitoral para 2022, cuja preparação passa por 2020. 

Aliás, a despeito de críticas contundentes que Ciro vem fazendo ao PT, a declaração do presidente estadual do PDT, André Figueiredo, de que a cúpula nacional pedetista busca manter um diálogo e ouvir o PT sobre a sua estratégia para a eleição, ameniza o clima de cisão e, mesmo indiretamente, respalda a visão de Camilo. 

O fato é que a declaração do governador gerou conjeturas na ampla base aliada no Estado. Na mesma semana, interlocutores de Camilo fizeram circular na imprensa e nas rodas de conversa uma recente pesquisa do Palácio Abolição, segundo a qual o petista aparece com boa avaliação em Fortaleza, com detalhes da atuação na Segurança Pública, ponto sensível da percepção social e com reflexos diretos no clima eleitoral. Segundo as informações, boa parte da população apoia a atuação do Estado na área. 

A outra sinalização, a qual já nos referimos, foi o pronunciamento de Acrísio Sena na Assembleia em que detalhou os investimentos do Estado em parceria com a Prefeitura em Fortaleza. Segundo ele, desde 2015, já são R$ 2 bilhões investidos pelo Estado em obras importantes como túneis, escolas e unidades de saúde. “Este programa representa algo novo em nosso Estado, pois do período de Juracy Magalhães até Luizianne, as relações com os governadores sempre foram marcadas por tensões”.

Turbulências 

A fala de Acrísio mirava dois alvos. Para dentro do PT, dava o recado de que o Governo do partido tem parceria na Capital e faz investimentos importantes – reconhecidos pelas pessoas. E para fora, mostrava que o êxito do Governo municipal tem o apoio “decisivo” de Camilo Santana. 

Por falar em PT, o partido do governador vive clima interno de debate eleitoral na Capital. Há duas teses: uma tenta impor a candidatura de Luizianne Lins, em oposição ao PDT. Outra defende candidatura própria, mas com outro nome. No meio disso, uma ala argumenta que o governador não só deve ser ouvido, como precisa ter papel central no processo de decisão sobre a tática eleitoral petista. 

A eleição do vereador Guilherme Sampaio ao diretório municipal de Fortaleza pegou de surpresa o grupo da ex-prefeita Luizianne, que ficou em segundo lugar. Desde então, os embates cresceram. Na Câmara, Guilherme faz oposição a Roberto Cláudio.

No entanto, a sua chegada ao comando da sigla, tendo sido escolhido pelo voto da maioria interna, trouxe ao debate um elemento novo. Ele tem planos de ser candidato a prefeito e tem diálogo com Camilo, diferente de Luizianne. 

“A própria eleição (de Guilherme) foi uma sinalização de que o PT quer mudança. Quer algo diferente”, diz uma fonte do partido. Recentemente, o ex-presidente municipal do PT, Raimundo Ângelo, disse ao PontoPoder, site especializado em Política do Sistema Verdes Mares, que os petistas que não defendem o nome de Luizianne Lins “não querem uma candidatura pra valer”. Alguns correligionários fizeram até print da nota para guardar. 

Aproveitando o clima de embate, aliados de Camilo, entre os quais está o deputado Acrísio Sena, tentam disseminar a ideia de que ele deve ser protagonista.

“Tem gente no PT querendo que o governador fique neutro na Capital. Sendo que o que a gente precisa é de uma liderança forte na Capital e só quem tem hoje é o governador. Vamos abrir mão?”, questiona outra liderança. “O PT tem que ouvir o governador e entender que ele faz um Governo de coalizão com outros partidos como o PDT”, complementa. 

Antes do processo de escolha dos novos dirigentes municipais, petistas da Capital, aliados de Luizianne, diziam que o PT se preparava para ter candidato próprio na eleição do ano que vem com “expectativa zero” de contar com Camilo em seu palanque. Mas a conjuntura mudou e o grupo que quer alternativa no PT cresceu. Por conta disso, a temperatura interna subiu. 

Processo decisivo 

Camilo Santana, é preciso deixar claro, faz parte do quarteto de ferro, composto também por Ciro, Cid e Roberto Cláudio, que decidirá o rumo do grupo político que está no Poder. Por tratar-se de uma eleição municipal, pelo peso político que adquiriu e por ser o presidente municipal do PDT, o prefeito deve conduzir a sua sucessão, como têm dito publicamente as lideranças do PDT. Há gargalos, porém, a serem superados até as convenções partidárias no ano que vem. Mas o jogo está em andamento.DN

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